Sociedade25 April 2008 6:20 pm

Otelo Saraiva de Carvalho

Desporto, Sociedade21 March 2008 3:51 pm

Foi durante os dias que passei em Ankara que tive a oportunidade de ver na CNN as primeiras notícias sobre as manifestações de activistas tibetanos em Lhasa, noutros pontos do Tibete e mesmo noutros países. Tive também, e sem surpresa, a possibilidade de ver as imagens da repressão dos militares chineses. Mais uma vez deixo aqui a minha solidariedade com o povo tibetano, que vê o seu país invadido há mais de 50 anos. Confesso que espero daqui a uns meses festejar as medalhas da Vanessa Fernandes, Naide Gomes, Nélson Évora, Telma Monteiro, e de outros portugueses menos favoritos que consigam a enorme proeza de ganhar uma medalha olímpica mas, se Portugal ou a União Europeia decidissem boicotar os Jogos Olímpicos como forma de protesto, seria o primeiro a aplaudir esta decisão porque, por muito importante que seja a maior festa do desporto mundial, há coisas (muito) mais importantes.

Sociedade29 February 2008 3:36 pm

Recebi várias vezes um email a solicitar que me juntasse ao "apagão" e entre as 19h55 e as 20h00 de hoje(que no meu caso seria entre as 20h55 e as 21h00), desligasse todas as luzes e aparelhos eléctricos e acendesse uma vela. A ideia era fazer deste acto uma coisa em grande. A minha pergunta é: para quê? Qual o objectivo? Em que é que isso vai contribuir para lidar com o problema real de excesso de consumo de energia? É claro que não vai fazer nada, e enquanto as pessoas continuarem a enviar estes mails e acharem que um apagão de 5 minutos é mesmo a melhor forma de combater o problema, vamos estar longe de encontrar uma solução.

Eu comecei a vir a pé para o trabalho, com excepção dos dias em que preciso mesmo de ir a algum sítio directamente do trabalho; nunca deixo luzes ligadas e em minha casa só uso lâmpadas fluorescentes que consomem menos 80% de energia eléctrica. Tudo isto são pequenas coisas que têm um impacto pequeno no consumo energético, mas bem melhores do que o "apagão".

Eu, Sociedade, Poker8 January 2008 6:16 pm

A meio destas férias e ainda não me aventurei a sair do resort onde estou instalado. Os dias são passados com duas actividades principais: relaxar na praia ou então observar os jovens jogadores de poker. E se é um espectáculo vê-los jogar online em dez ou mais torneios ao mesmo tempo, mais engraçado é ver a forma como estes miúdos, para quem o dinheiro chegou (muito) fácilmente, lidam com o mesmo. Para além de carregarem nos bolsos autênticas fortunas, estão sempre a fazer todo o tipo de apostas, e é claro que os montante envolvidos vão das centenas a milhares de dólares.

Não sei como vai ser o futuro destes miúdos, presumo que enquanto continuarem a ser bem sucedidos jogadores de poker vão consreguir ganhar o suficiente para as excentricidades e a forma negligente como lidam com o dinheiro. Mas aqueles que, por uma razão ou outra, deixarem de ter o sucesso que têm tido não acredito que tenham um futuro risonho.

Sociedade21 December 2007 10:43 am

Retomo a escrita neste blog para relatar a minha desilusão pela notícia que faz furor na imprensa cor-de-rosa francesa. Aparentemente, o Presidente francês Sarkozy mantém um relacionamento amoroso com a Carla Bruni.

Para os que só mais recentemente tomaram contacto com este espaço, há uns anos atrás referi o nome desta cantora e ex-modelo como um dos bons exemplos de mulheres que juntam a beleza com a inteligência. Antes, ela era também conhecida por ser ex-namorada de Mick Jagger e Eric Clapton, agora pelos vistos prefere ser conhecida como candidata a primeira-dama francesa. Tendo em conta o que se conhece do sr. Sarkozy não me parece uma evolução.

Música, Sociedade27 October 2007 11:04 am

Segundo notícia do Correio da Manhã, que a RTP divulgou, a comitiva russa que acompanhou o presidente Puttin divertiu-se num conhecido bar de strip em Lisboa. Esta notícia fez-me pensar numa música de um grupo do qual gosto bastante.

"Disse-lhe que Portugal ainda tinha muitos comunistas
 Mas o que ele queria saber era onde havia señoritas"

A Naifa, Señoritas


Sociedade23 October 2007 6:34 pm

Uma das qualidades que mais aprecio num ser humano é o sentido de humor. Mas se todos, ou quase todos, são capazes de fazer humor relativamente a outros, poucos são os que conseguem rir-se de si próprios. Mas esse é para mim o verdadeiro teste do sentido de humor. Posso mesmo dizer: Diz-me como reages às piadas sobre ti, dir-te-ei como é o teu sentido de humor.

Sociedade20 October 2007 4:00 pm

Na semana passada voltei à escola onde estudei durante 6 anos para, no âmbito da presidência portuguesa, falar sobre a União Europeia e o que é trabalhar numa instituição europeia. A reacção dos estudantes esteve longe de ser entusiástica, o que naturalmente dificultou o desenrolar das sessões em que se pretendia, acima de tudo, esclarecer eventuais dúvidas. Mas a minha maior frustração vem do facto de não ter conseguido transmitir a prinicipal mensagem que gostaria de deixar aos jovens, para que acreditem sempre nos seus sonhos e façam tudo para os alcançar, não se deixando influenciar em demasia pelos outros que lhes apontam a impossibilidade de tais sonhos ou como deveriam ter outros objectivos. Se isso for mesmo verdade vão chegar por eles mesmos a essa conclusão, e tenho a certeza que é preferível abandonar um sonho muito tarde do que muito cedo.

Sociedade14 October 2007 8:06 pm

É habitual os Portugueses referirem-se ao seu país como sendo um país de brandos costumes.

Hoje li na edição online do "Correio da Manhã" uma notícia sobre o atropelamento mortal de uma senhora numa passadeira. Aparentemente o carro que a vitimou seguia a mais de 150 km/h e era conduzido por um jovem de 26 anos que se encontra em estado muito grave. Esta é uma notícia que deixa todos indignados. Mas a reacção dos portugueses está longe de ser branda, ao ler os comentários a este artigo vi dezenas de comentários que desejavam uma morte lenta e dolorosa para este condutor, outros diziam que lhe deviam arrancar a cabeça. Este é o país dos brandos costumes.

Sociedade11 September 2007 4:36 pm

Esta semana visita Portugal o Dalai Lama, a figura mais importante da religião budista.

Quando planeei as minhas férias em Portugal, tinha pensado que poderia ir assistir, este Domingo em Lisboa, à conferència com o sugestivo título:"O Poder do Bom Coração". As alterações que o meu plano de férias sofreu, levam-me a estar nesse dia no Algarve, pelo que não vai ser desta que tenho a possibilidade de ver o Dalai Lama em pessoa. Não queria no entanto deixar de assinalar este acontecimento. E claro, assinalar a atitude do nosso Governo e do Presidente da República que, para não aborrecer um Estado que procedeu a uma invasão violenta e que destruíu um património cultural riquíssimo, se recusam a receber oficialmente um líder que sempre defendeu uma solução pacífica para a restituição da independência ao povo tibetano.

Todos sabemos do peso crescente da economia chinesa, mas há coisas mais importantes do que os negócios. Portugal não pode preferir a companhia dos responsáveis pelos massacres de Tianamen à de um Prémio Nobel da Paz, alguém que é hoje respeitado e admirado em todo o mundo.

Blogs, Sociedade22 August 2007 8:49 am

O jornal "Público" noticia hoje, na sua edição on-line, que uma parte dos textos publicados no blog pessoal de Luis Filipe Meneses não é mais do que uma cópia de textos publicados noutros sites da internet, obviamente sem fazer qualquer referència às fontes utilizadas.

Ora vejamos, temos portanto um político português com falta de imaginação e que tenta apropriar-se das ideias alheias. Isto não me parece notícia, acho que é comparável à história de um cão que mordeu um homem. Agora, se o jornal "Público" encontrasse um político português com ideias e que não tentasse beneficiar do trabalho dos outros, isso sim, seria notícia com direito a destaque na primeira página.

Já agora, informo que, salvo indicação em contrário (nomeadamente letras de canções), tudo o que se encontra escrito neste blog é da minha autoria.

Eu, Sociedade8 July 2007 6:40 pm

Ontem quando "conversava" com uma amiga (e também ex-namorada), conversa entre aspas porque foi feita através do computador e nunca sei qual o verbo que devo utilizar nestas circunstâncias, ela disse-me que sentia que eu estava perdido e que não estava feliz. Ora, partindo do princípio que a pessoa em causa não tem poderes mágicos, e dado que ela não falava comigo há algum tempo, isso significa que ela chegou a essa conclusão pelo que escrevo no blog. Não sei se terão sido as referências ao poker que ela, como tantos outros, considera ser uma actividade imoral. Na verdade não me sinto perdido. Tal como naquela anedota da mãe que ao ver o filho desfilar numa parada militar comenta com orgulho que o filho é o único a marchar no sentido certo, eu sinto que é mais o mundo que está perdido do que eu próprio. Olho à minha volta e vejo pessoas que só se preocupam com as aparências e com as opiniões dos outros. Que procuram não o que os faz sentir felizes, mas antes aquilo que lhes dizem que os farão felizes.

Quem ler os objectivos que me propus atingir nos próximos meses, percebe algumas das coisas importantes para mim. Vão também perceber que a única referência que faço ao trabalho é a de tentar reformar-me mais cedo do que a idade normal de reforma. É verdade, admito que trabalhar não me dá prazer, faço-o para ganhar o dinheiro que preciso para as minhas necessidades e para poder fazer as coisas de que gosto. E sempre pensei que estivesse no grupo maioritário. Achava eu que o funcionário público que passa o dia a vender impressos numa repartição, a menina que dobra centenas de camisolas numa loja da Zara, o operário que aperta milhares de peças exactamente iguais, o empregado da caixa de um supermercado que mecanicamente passa os produtos pelo leitor de código de barras, no fundo, 99% das pessoas que não têm a sorte de trabalhar em algo que fariam mesmo que não fossem pagas para isso, dizia eu, que achava que estas pessoas só o faziam pelo dinheiro, e que de bom grado se não precisassem do ordenado ao fim do mês trocariam estas actividades, por algo que lhes desse mesmo prazer, nem que fosse passar o dia sentado numa praia a admirar a beleza do Mar. Mas experimentem dizer a alguém que prefiriam não trabalhar e que só o fazem pelo dinheiro. No mínimo serão olhados de soslaio, como se de parasitas se tratassem que quisessem explorar o sacrifício dos outros.

Mas serei o único a achar estranho que em pleno século XXI, depois de inúmeras revoluções tecnológicas, a maior parte das pessoas trabalhe oito horas por dia e até aos 65 anos. Não era suposto as máquinas substituirem o Homem nessas tarefas de modo a libertá-lo para outras actividades?

Ter vindo trabalhar para o Luxemburgo trouxe-me algumas vantagens, por exemplo o enriquecimento do contacto com pessoas de toda a Europa, mas se tivesse que escolher qual a principal vantagem, não hesitaria que é a possibilidade que o maior ordenado me dá de tentar estabelecer um plano para me reformar por volta dos 55 anos, mantendo um rendimento que me permita uma vida confortável. 

Sociedade27 June 2007 4:26 pm

O nome de Joe Berardo era familiar à maioria dos portugueses. No entanto, em pouco tempo ele passou de alguém cujo nome era vagamente familiar para uma super-estrela. Primeiro foi a OPA sobre a PT, em que ele foi um dos principais rostos da oposição às intenções da Sonaecom. Depois, veio a Assembleia Geral do BCP em que ele teve a ousadia de abertamente criticar o fundador do Banco, o engº Jardim Gonçalves, afirmando mesmo que ele estava muito velho e deveria sair do Banco.

Mas faltava o grande momento para Joe Berardo - a OPA sobre o Benfica. Estas coisas das OPAs e negocios bolsistas podem não interessar a muitos portugueses, mas tudo muda quando se trata da maior instituição portuguesa. Para ajudar à festa, o Sr. Berardo decidiu criticar uma das grandes referências dos benfiquistas, afirmando que o Rui Costa estava velho demais para jogar na equipa do Benfica , demonstrando claramente que tem algum problema com a idade. Talvez seja bom alguém lembrar-lhe que ele não é assim tão novo.

Quando a OPA do Benfica não trazia mais novidades, eis que se inaugura o Museu Colecção Joe Berardo e mais uma vez o empresário volta a estar na berlinda, até porque no dia seguinte à abertura do museu pediu a demissão do presidente da Fundação que faz a sua gestão.

A minha dúvida é quando será que os telejornais terão como notícia que numa semana nada de especial aconteceu com o sr. Joe Berardo. Ou talvez as pessoas se habituem tanto à sua presença nos espaços noticiosos que ele comece a ser convidado para comentar todos os temas, sejam eles quais forem. Quem sabe mesmo, assumindo o papel que foi de Nuno Rogeiro depois da primeira Guerra do Golfo.

Sociedade25 April 2007 8:15 am

Dos feriados oficiais portugueses, confesso que só há dois com um particular significado para mim: o Natal e o 25 de Abril. O primeiro não pelo seu carácter religioso, mas por ser a festa da família; quanto ao 25 de Abril, ele representa um dos melhores momentos da história recente de Portugal.

Por estar no estrangeiro, o dia de hoje não é feriado para mim, mas não vou deixar de celebrar a democracia e a liberdade que o 25 de Abril devolveu aos Portugueses.

Sociedade15 April 2007 12:12 am

Acho que neste momento não restam muitas dúvidas que o aquecimento global do planeta é mesmo uma realidade, mas se para os países com um clima quente e/ou próximos do mar isto pode ser um problema grave, há outros que podem beneficiar disto. Veja-se o caso do Luxemburgo com um mês de Abril com temperaturas máximas constantemente acima de 20º C, muito Sol e o mar a algumas centenas de quilómetros pelo que não representa uma ameaça mesmo que o degelo dos glaciares fizesse elevar o nível das águas dos mares. Será que o aquecimento global que é muito mau para grande parte do planeta não é afinal bom para alguns (muito poucos) países?

Sociedade12 April 2007 8:25 am

Deve ser um bom sinal o primeiro-ministro ir à televisão fazer o balanço de dois anos de governo, e a coisa mais importante para os jornalistas é esclarecer se ele, há mais de dez anos, disse que era engenheiro numa altura em que era apenas engenheiro técnico.

Sociedade31 March 2007 8:54 am

Desculpem a insistência, mas volto ao programa da RTP "Os Grandes Portugueses". Isto, porque ontem tive a oportunidade de ver pela primeira vez os resultados da sondagem que a RTP encomendou, de forma a comparar os resultados do seu concurso, com os de uma sondagem realizada de acordo com métodos científicos.

Os resultados da sondagem, realizada pela conhecida empresa Eurosondagem, podem ser consultados aqui. Há alguns dados que gostaria de destacar: em primeiro lugar, o facto de nesta sondagem os primeiros lugares irem para nomes que à partida seriam mais consensuais como "Grandes Portugueses" - 1º Afonso Henriques 21%, 2º Luis de Camões 15,2%, 3º Infante D. Henrique 11,2%, 4º D. João II 10,5% e 5º Fernando Pessoa 8,8%; em segundo lugar, o facto da votação em Salazar ser de 6,6%, um número que me parece mais próximo dos "saudosistas" do Estado Novo; por último, um sinal de esperança, pelo facto dos jovens (15-24 anos) terem sido os que deram menores votações aos três que ficaram nos primeiros lugares do concurso da RTP (António Salazar 2,2%, Álvaro Cunhal 1,6% e Aristides de Sousa Mendes 2,7%), precisamente os três que, na minha opinião, menos mereciam estar entre os dez mais.

Sociedade29 March 2007 9:22 am

Na altura da (previsível) vitória de Salazar no concurso "Os Grandes Portugueses", escrevi aqui que essa vitória poderia ter o mérito de permitir que as pessoas discutissem o que foi o Estado Novo e os seus métodos.

Infelizmente, esta vitória também tem os seus efeitos nefastos. Pode levar a que forças políticas, que representam apenas a opinião de uma reduzida minoria da população portuguesa, pensem ter uma grande base de apoio.

Não é certamente coincidência que este cartaz do PNR tenha sido colocado no centro de Lisboa, precisamente poucos dias depois da votação final que deu a vitória a Salazar.

Cartaz PNR em Lisboa

(Foto DN)

O "façam boa viagem", claramente um convite à expulsão dos imigrantes, tem de ser fortemente repudiado por todas as forças políticas.

Sociedade26 March 2007 1:34 am

Mais do dobro dos votos do segundo classificado. Se esperava a vitória de Salazar, a dimensão da vitória surpreende-me. Mesmo não sabendo o número de votantes, pensar que 41% da população portuguesa acha que Salazar foi o maior português de sempre deixa-me preplexo. Espero que na sequência deste programa se discuta mais o que foi o período do Estado Novo, para que numa próxima votação os portugueses possam escolher mesmo um Grande Português.

Sociedade25 March 2007 10:20 pm

Está agora a começar a emissão especial de "Os Grandes Portugueses".

António de Oliveira Salazar é o favorito, mas continuo a ter a esperança de que uma surpresa possa acontecer.

Sociedade8 March 2007 9:57 am

Rosa vermelha

Um óptimo dia para todas as mulheres que lêem este blog.

Sociedade25 February 2007 8:46 pm

Hoje, estava a "conversar" com alguém no MSN Messenger, quando a minha interlocutora escreveu a seguinte frase, "Não quises-te". Confesso que fiquei arrepiado com este erro, um dos que me provoca mais confusão. Mas logo depois ela escreveu " Corrijo". Pensei, "vá lá, tratou-se de um erro ao tentar escrever rapidamente, e vai corrigi-lo", enquanto pensava isto, ela escreveu a frase corrigida, "Não podes-te". Confesso que depois desta frase fiquei sem qualquer vontade de continuar a conversa, não sabia se devia alertar para o erro, ou simplesmente despedir-me. Optei pela segunda hipótese.

P.S. Touché! Acho que é bem feito que num post em que critico o erro de outra pessoa, acabe por cometer um erro ortográfico! (post-scriptum escrito depois de ter alterado ’corrijo-lo’ para ‘corrigi-lo’)

Sociedade15 February 2007 11:44 am

Não, o meu calendário não está errado! Bem sei que já passou o dia 14 de Fevereiro, mas dado que ontem não tive oportunidade de escrever, faço-o hoje.
O dia 14 de Fevereiro, mesmo na altura em que namorava, nunca teve um significado especial para mim, muito menos nos últimos anos. No entanto, ontem aproveitei o final da manhã para dar um passeio pelas ruas de Lisboa, e confesso que gostei de ver muitos casais com flores, de mãos dadas, com um ar apaixonado… Bem sei que alguns podem dizer que este dia só serve para "alimentar" o comércio, mas se a par disso, for possível aumentar as provas de carinho entre os casais, acho que vale a pena.

Sociedade5 February 2007 11:59 am

Não estava a pensar voltar a este tema, pelo menos antes de saber os resultados da votação, mas as últimas propostas de alguns dos defensores do Não (Marques Mendes e Marcelo Rebelo de Sousa) a isso me obrigam.

Não consigo perceber o que estes senhores defendem. O aborto continuaria a ser ilegal, mas não aconteceria nada a quem o praticasse. Isso não é o mesmo que aprovar a liberalização, mas com piores condições para quem pratica o aborto? Assim, o aborto poderia ser feito em "vãos de escada", mas não em hospitais com o mínimo de condições. É o problema de tentar agradar a gregos e troianos!

Acho que só há duas visões deste problema, ou se defende que o aborto é um acto reprovável que deve ser alvo de alguma penalização, e quem achar isso deve votar Não no referendo. Ou então, que quem aborta o faz sempre como último recurso e que, por isso, não deve ser julgada. Os que defendem esta posição, que me parece ser o caso de Marques Mendes e Marcelo Rebelo de Sousa, devem simplesmente votar Sim, porque se a mulher é livre de fazer o aborto, ao menos que o faça com o mínimo de condições. 

Eu, Sociedade4 February 2007 9:19 am

O aborto continua na ordem do dia, com o youtube, pela primeira vez, a desempenhar um papel importante numa campanha em Portugal.

Acho por isso pertinente voltar a este assunto e expressar as razões que me levam a estar do lado do Não:

1º Acho que um embrião/feto é uma vida humana e atentar contra ele deve ser crime.

2º Não sei qual a moldura penal que deve corresponder à prática deste crime. Não partilho a (estranha) opinião de Marcelo Rebelo de Sousa de que este deve ser um crime sem punição.

3º Um dos principais argumentos dos defensores do Sim é o facto da lei actual não ser cumprida, pelo que deve ser mudada. Será que eles são a favor da aplicação da lei que vai vigorar depois da previsível vitória do Sim? Serão favoráveis a penas de prisão para as mulheres que realizem o aborto depois das dez semanas ou fora dos locais autorizados?

4º Outro dos argumentos do Sim, é o de que a solução que eles apoiam ser mais tolerante, na medida em que resolve o problema para as mulheres que querem abortar, sem prejudicar os que se opõem à alteração da lei, que não seriam obrigados a praticar o aborto. Isto talvez seja verdade, mas pela mesma linha de pensamento deveriam abolir-se todas as leis que proíbam qualquer coisa. Será que a solução é um Estado anarquista em que seja proíbido proíbir? 

São estas as minhas razões, e gostaria de acrescentar que ao contrário do que muitos afirmam, Portugal não é o único país da União Europeia em que a prática de aborto nas primeiras semanas de gestação é crime, o Luxemburgo, por exexmplo, tem uma lei que se assemelha à que existe actualmente em Portugal. 

Acho incompreensível que em vez de avançar com o casamento homossexual (isto sim, é um avanço civilizacional) se opte pela liberalização do aborto. Acho que há quem ouça a Igreja nos assuntos errados.

Eu, Sociedade1 February 2007 2:31 pm

Muita gente teme um dia endoidecer, também eu durante muito tempo achei que era isso o que eu mais receava quando envelhecesse. Esse receio aumentou quando, pouco tempo depois de começar a jogar xadrez num clube, li um livro sobre a História do Xadrez e percebi que muitos jogadores terminavam a sua vida sem a plena posse das suas faculdades mentais. Hoje percebo que não quero endoidecer, não por mim, até porque ser doido acho que é a maneira mais segura de ser feliz, mas pelos que gostam de mim, pelos amigos e familiares que são os que mais sofrem nestas situações.

Mas há algo que receio ainda mais, perder a memória. Sempre tive boa memória e sempre confiei demasiado nela, como se tivesse a certeza que a manteria para sempre. É claro que não é assim, e confesso que sinto que já não tenho a capacidade de memorização que possuía há uns anos. A verdade é que continuo a exigir muito dela, antes, na era pré-telemóvel sabia dezenas de telefone de cor, e ainda hoje me lembro de alguns deles. Agora, com o advento da internet, há uma série infindável de códigos de utilizador e respectivas palavras-passe. Desde o acesso ao sistema no emprego, diferentes aplicativos no emprego (e são alguns, acreditem!), ao acesso ao home-banking, ao acesso a alguns sites (não esses que estão a pensar!), diferentes PINs dos diversos cartões bancários e de telemóvel, acesso ao site onde jogo xadrez, aos sites onde jogo poker, correio electrónico, até o acesso a este blog, tudo isto são dezenas de códigos, palavras-passe, todos eles escolhidos em momentos diferentes, e com a preocupação, por razões de segurança, de ter códigos diferentes.

Acho que é esse o meu maior receio, um dia acordar sem me lembrar de qualquer um destes códigos, e perceber que quase tudo neste mundo precisa de um nome de utilizador e palavra-passe para funcionar!

Sociedade29 January 2007 1:38 pm

Hoje, um leitor de seu nome Fialho deixou-me um comentário ao post que eu tinha escrito sobre o referendo do aborto, dizendo que estava feliz por eu não poder exercer o meu direito de voto.

Presumo que se trate de alguém que defenda a despenalização e liberalização do aborto até às dez semanas de gestação. Não sei se terá sido uma piada (assim espero), ou se reflecte uma falta de cultura democrática. Eu, apesar de não ter (presumivelmente) a mesma intenção de voto deste leitor, espero que ele possa exercer o seu direito de voto. Aliás, o ideal seria que todos fossem votar, para que este referendo possa auscultar qual é verdadeiramente a opinião da maioria da população portuguesa.

Este comentário fez-me lembrar os torneios de xadrez que disputava em Portugal, em que alguns jogadores ficavam muito contentes quando ganhavam por falta de comparência. Eu sempre preferi jogar, mesmo sabendo que assim corro o risco de perder! 

Sociedade27 January 2007 1:12 pm

Já há muito tempo que nos habituámos a designar a comunicação social por quarto poder. E de facto, cada vez mais a Comunicação Social influencia as pessoas nas suas acções e opiniões. Sempre achei estranho que tantas pessoas encarem como verdades irrefutáveis tudo o que vêm nos noticiários televisivos. Hoje a Comunicação Social, e em especial a televisão porque atinge um auditório mais vasto, tem uma capacidade de criar heróis e vilões que tem que assustar quem receie um mau uso deste (enorme) poder. Veja-se o recente caso do Sargento Luis Gomes, o pai afectivo de Esmeralda, a criança que ele se recusa a entregar ao pai biólogico. Quem lesse os artigos de jornal, visse os noticiários de televisão, tinha a certeza de como tudo se tinha passado: havia o vilão, o pai, que depois de anos de esquecimento finalmente se lembrava que tinha uma filha, depois de ter abandonado a companheira grávida; havia o herói, o pai afectivo, que preocupado com o futuro da menina que criou como sua filha, enfrentava os tribunais que a queriam condenar a uma vida miserável; nem faltavam os que se dispunham a assinar uma petição a pedir a libertação de um homem tão injustamente condenado. Claro que havia outro vilão, o sistema judicial português, personificado pela juíza que condenou o herói da história. Na blogosfera, proliferaram os posts em favor do Sargento Luis Gomes, que todos descreviam como um modelo, mesmo sem saber muitos dos pormenores desta história.

Mas na televisão portuguesa também há programas em que as questões são tratadas de uma forma mais séria, onde se procura ouvir os diversos lados, e onde se permite que as pessoas concluam por elas próprias. Um destes (raros) programas é o "Prós e Contras" que, felizmente, faz parte da programação da RTPi. E quem viu o programa desta semana, precisamente sobre o caso do Sargento Gomes, pode finalmente ter acesso a alguns pormenores que os noticiários teimavam em não revelar. A história passou a fazer mais sentido, mas acima de tudo percebeu-se que o Sargento não era tão herói assim, e que o pai biológico, estava longe de ser o "mau da fita".

Não sei como vai terminar este caso. Espero que a família que criou esta criança perceba que agiu mal e consiga chegar a um entendimento com o pai, para que a Esmeralda faça uma transição progressiva para o novo lar. Espero  que em ocasiões futuras, os Tribunais percebam que estas questões têm de ser tratadas com maior celeridade e não permitam que uma família mantenha durante anos uma criança, depois de uma ordem do Tribunal determinar que ela seja entregue ao pai. Espero que os jornalistas e comentadores não sejam tão apressados a fazer julgamentos, sem saber os verdaderios contornos das histórias. Espero ainda que os Portugueses comecem a encarar com um sentido mais crítico o que vêm na telvisão e lêm nos jornais, e que acima de tudo percebam que, por muitos problemas que a nossa Justiça posa ter, ela é ainda mais fiável do que a nossa Comunicação Social.  

Livros, Sociedade14 January 2007 8:27 pm

O Presidente da República foi agraciado com o doutoramento honoris causa em Literatura pela Universidade de Goa. Enquanto decorria a cerimónia um grupo de estudantes protestava energicamente, o que levou os jornalistas a pensarem que se tratava de um protesto pelo primeiro doutoramento honoris causa entregue pela instituição ser para um cidadão da ex-potência colonial, o que contrariava aquela ideia que os goeses mantinham uma boa imagem dos portugueses. Na verdade, os motivos do protesto eram mais evidentes, os estudantes protestavam com quem teve a ideia de atribuir um doutoramento em Literatura ao Prof. Cavaco Silva. O homem que não sabia quantos cantos tem Os Lusíadas, que confundia Thomas Mann com Thomas More é agora doutorado em Literatura. Será que para manter a coerência o próximo doutorado será George W. Bush?

P.S. Será que o nosso Presidente não achou que estavam a gozar com ele ao atribuirem-lhe um doutoramento em Literatura? 

TV, Sociedade 8:16 am

Foi finalmente divulgada a lista dos 100 mais votados para o programa da RTP "Os Grandes Portugueses".

Nesta lista há nomes que só por piada poderiam ser considerados, mas por outro lado, com cerca de 80.000 votantes, talvez não fosse preciso muito mais de 100 votos para ficar nos 100 primeiros, pelo que, um grupo de amigos que se dispusesse a isso poderia ter posto um deles nesta lista. Penso que será unânime que Hélio Pestana, um actor que passou pelos "Morangos com Açucar" e por algumas novelas da TVI, é a escolha mais estranha. É difícil imaginá-lo na lista dos 1000 melhores actores portugueses, quanto mais nos 100 grandes portugueses.

Embora a divulgação oficial só seja feita hoje, aparentemente os 10 nomes mais votados, e que por isso passam à segunda fase, foram: Álvaro Cunhal, Salazar, Afonso Henriques, D. João II, Infante D. Henrique, Aristides de Sousa Mendes, Marquês de Pombal, Fernando Pessoa, Luís de Camões e Vasco da Gama.

Não há grandes surpresas nesta lista dos 10 mais, talvez a inclusão de Aristides de Sousa Mendes e a exclusão de Amália sejam as maiores. Aristides de Sousa Mendes beneficiou do facto do seu nome ter sido um dos discutidos no programa especial que a RTP transmitiu, programa que terá benficiado também Salazar, se bem que este estaria sempre entre os dez mais votados.

Quais seriam as minhas escolhas para a eleição do maior português? Luis Camões, Fernando Pessoa e Amália seriam certamente os três primeiros nomes que eu pensaria. A estes incontornáveis juntaria Afonso Henriques e o Infante D. Henrique para fazer o meu top-5. Dados os dez que foram escolhidos, penso que vou torcer para que seja Luis de Camões o vencedor.

Acho que o mais importante é não esquecer que isto é apenas um jogo, e que não se deve dar demasiada importância aos resultados. Basta pensar que nos Estados Unidos da América o vencedor foi Ronald Reagan (com o actual presidente George W. Bush a ficar em 6º), ou que em Inglaterra o segundo lugar foi para o engenheiro Isambard Kingdom Brunel.

Eu, Sociedade12 January 2007 11:11 am

Falta um mês para se realizar em Portugal o referendo sobre a despenalização da interrupção voluntária da gravidez.

No próximo dia 11 de Fevereiro vou estar no Luxemburgo e por isso não vou poder exercer o meu direito de voto. Por isso, já que não posso expressar a minha opinião através do voto, deixo-a aqui.

Sou contra o projecto de despenalização do aborto. Na verdade, quase oito anos passados sobre o último referendo, continuo a olhar para esta questão da mesma forma, pelo que voltaria a votar não.

Como penso que já escrevi aqui, a liberdade é para mim um valor fundamental, um valor pelo qual vale a pena lutar. No entanto, recorrendo ao velho chavão, penso que a nossa liberdade termina onde começa a dos outros. A liberdade da mulher dispor livremente do seu corpo termina onde começa o direito à vida de um embrião.

Neste referendo estou do lado da Igreja Católica, CDS, parte do PSD e uma minoria do PS. Não são talvez as companhias que eu preferia ter, mas depois de ver alguns debates e ler muitos artigos sobre o assunto, não consigo deixar de olhar para um embrião com algumas semanas como vida humana, algo que todos devemos proteger.

Sociedade3 January 2007 2:34 pm

Está a causar polémica um estudo que revela que 76% das mulheres norte-americanas casadas têm fantasias com outro homem que não o marido.

Não percebo a polémica. Qual o problema de 24% das inquiridas terem mentido?

Sociedade 12:32 pm

Bom Ano de 2007!