Já tinha escrito que férias são sinónimo de leitura para mim. Antes de partir de férias separei alguns livros, e pensei que, como sempre acontece, não teria tempo ou vontade de os ler todos. Só me esqueci de alguns pormenores. A começar, o facto de viajar só, o que só por si convida a ler mais, depois, o facto de estas férias terem implicado muitas viagens de autocarro. Por tudo isto, muito rapidamente tinha lido todos os livros que tinha levado, com a excepção de um, um que já tinha ido no Verão de 2006 comigo para Portugal, em Outubro foi até Paris e no Natal tinha voltado a Portugal. Falo de "Cão como nós" de Manuel Alegre. Começo por esclarecer que não comprei o livro, ele foi uma prenda da minha madrinha e, dado que nunca simpatizei muito com Manuel Alegre, certamente que nunca o compraria.
Depois de o ler duas vezes, isto porque gostei tanto que na viagem de avião de regresso voltei a lê-lo, acho curioso como um livro muito pequeno, que se lê em cerca de meia-hora, conseguiu duas coisas muito distintas: a primeira foi fazer-me perceber melhor a ligação que tantas pessoas têm com os seus animais de estimação, em especial com os cães. A segunda foi levar-me a olhar para Manuel Alegre de uma forma muito diferente. Fernando Pessoa dizia que o poeta é um fingidor, mas uma declaração de amor como a que Manuel Alegre escreve ao cão falecido tem de ser verdadeira, e é das coisas mais belas que li nos últimos tempos.

