É curioso que nestes primeiros dias de Primavera nevou mais no Luxemburgo do que em todo o Inverno.
Já aqui referi a vontade que sinto em voltar a Portugal e deixar o Luxemburgo. No entanto, há algo que vai adiando o meu regresso, a diferença entre o meu salário aqui no Luxemburgo e o salário que poderia receber em Portugal. Neste momento falta concretizar uma de duas coisas:
- Arranjar um emprego em Portugal onde aufira um rendimento equivalente ao que tenho aqui
- Perceber que o que ganho a mais aqui é menos importante do que outras coisas das quais abdico por aqui estar
Dado que a primeira solução não me parece muito provável, resta esperar pelo dia em que eu tenha a certeza que é mesmo em Portugal que quero viver. Nessa altura, não deverá ser muito difícil abdicar do salário confortável de funcionário europeu.
Nos últimos tempos tenho reflectido diversas vezes sobre as vantagens de morar e trabalhar no Luxemburgo, tenho mesmo pensado se não estaria na altura de voltar a Portugal. Estes dias de férias estariam também destinados a essa reflexão. No entanto, recuso-me a pensar num eventual regresso nestas condições. Com temperaturas próximas dos 30º C e um Sol magnífico no final de Setembro, sei que não estão reunidas as condições para uma análise objectiva!
As minhas férias estão quase a terminar mas ainda não escrevi neste blog desde que cheguei a Portugal.
Em primeiro lugar tenho que admitir que estava a precisar de uns dias de descanso e isso tenho tido. Depois, um pouco à força tenho tido (muito) menos tempo de internet do que é habitual. Preferia que esta abstinência cibernética fosse por opção própria, mas tenho que reconhecer que, provavelmente, é saudável para quem passa habitualmente tanto tempo na internet. O pior é compensar isso com mais televisão. A qualidade dos 4 canais genéricos é hoje inferior ao que era há dois anos, e é assustador a quantidade de concursos com chamadas de valor acrescentado. Eles não só estão em muitos programas, como há agora programas em que nada mais acontece a não ser o apelo às chamadas para estes números. Resta-me tentar perceber quem pode achar interessante este tipo de programas.
O clima pode ser apenas normal para esta altura do ano, mas para quem mora num país como o Luxemburgo estes dias parecem passados num paraíso tropical.
Para o final destas férias está ainda reservado o momento alto desta minha estadia em Portugal: o casamento de um amigo muito especial.
Há quem pense que, pelo facto de ser o país com o maior rendimento per capita do mundo (ou talvez o segundo, depois das Bermudas), tudo funciona no Luxemburgo de uma forma eficaz. A verdade é bem diferente, um exemplo disso é a electricidade. Lembro-me perfeitamente de na década de 80 as falhas de electricidade em Portugal serem normais, uma pequena trovoada correspondia a umas horas sem electricidade. Felizmente as coisas mudaram e as falhas de electricidade passaram a ser um acontecimento raro em Portugal, embora me lembre, por exemplo, da famosa história da cegonha que foi electrocutada num cabo de alta tensão e que levou a uma falha de abastecimento de electricidade na zona de Lisboa.
Já no Luxemburgo as falhas de electricidade continuam a acontecer com uma frequência bem elevada. Habitualmente nem estou em casa quando elas se dão, mas já por várias vezes cheguei a casa com o relógio do fogão a piscar, um sinal de que houve mais uma falha de electricidade. Tal como disse, estas falhas têm-se dado maioritarimante quando não estou em casa e por isso não me afectam particularmente, não foi o caso hoje. E não estou chateado porque esta falha de energia me impediu de ver os festejos do S. João que a RTPi transmitiu, O que verdadeiramente me deixou irritado é que aquando desta falha de electricidade estava a disputar (e a liderar com grande avanço) um torneio de poker na internet. Não só me chateia não ter podido concluir um torneio que tinha começado quase três horas antes, como me chateia ter ficado fora dos primeiros lugares, algo que parecia muito difícil de acontecer. E a desilusão é maior porque este torneio tinha um prémio de 3.300 dólares (cerca de 2.500 euros) para o vencedor, 2.200 dólares (quase 1.700 euros) para o segundo e 1.300 (cerca de 1.000 euros) para o terceiro, um dos lugares onde muito provavelmente terminaria Depois de 1 hora e meia sem electricidade, ela voltou pouco depois de eu ter sido eliminado em 10º lugar ganhando apenas 132 dólares (100 euros).
Será que posso pedir uma indemnização?
Mais de dois meses depois do que no último Inverno, eis que chega a neve à cidade do Luxemburgo.
Para quem, como eu, optou por não colocar pneus de Inverno, a neve é um risco acrescido na condução, mas a verdade, é que isso é compensado pelo encanto adicional que este fino manto branco traz à cidade.
Quando troquei o Luxemburgo por Portugal, sabia que com esta troca estava também a abdicar do tempo ameno português pela chuva luxemburguesa.
Fi-lo porque achei que aqui teria vantagens que compensavam essa e outras desvantagens. Continuo ainda hoje a achar que tomei a decisão certa.
É por isso paradoxal que em Portugal, e mais concretamente na terra onde vivi uma grande parte da minha vida, se tenha verificado um temporal com chuvadas com uma intensidade que ainda não vivi aqui no Luxemburgo e que hoje, ao olhar pela janela, veja um Sol radiante.
Quando vim para o Luxemburgo, estava curioso em saber quão diferente seria a vida no país com o rendimento per capita mais elevado do mundo. Sempre pensei que não seria tão organizado como imagino a Suécia, até porque isso seria difícil num país com quase 20% de portugueses! Mas achei que tudo funcionaria de uma forma mais eficaz do que em Portugal.
Os primeiros tempos foram de alguma desilusão, achei que os serviços funcionavam como em Portugal, mas a pouco e pouco, vou-me apercebendo das diferenças que, mesmo parecendo insignificantes, fazem muita diferença. Eis alguns exemplos desta eficiência luxemburguesa:
Uma das coisas que me surpreendeu bastante foi a rápida reacção dos funcionários locais aos nevões do último Inverno. A qualquer hora do dia, ou da noite, lá estavam, incansáveis a espalhar sal nas estradas para que fosse possível circular.
A cidade do Luxemburgo continua a desenvolver-se rapidamente e isto, naturalmente, tem motivado muitos trabalhos de construção, não só de casas para os que se podem dar ao luxo de pagar os preços exorbitantes da cidade, mas também de vias de comunicação para os milhares e milhares que todos os dias vèm até cá para trabalhar. Naturalmente que estas obras provocam alguns problemas ao nível de circulação e estacionamento, mas estes problemas são minorados porque há o cuidado de indicar detalhadamente as alternativas para as estradas cortadas, da mesma forma que, quando há uma zona em que num período é proíbido estacionar, o aviso é colocado com muitos dias de antecedência, não apanhando os residentes de surpresa.
Há cerca de duas semanas fui fazer as análises que fazem parte do check-up médico anual. Fiz a recolha de sangue e urina numa terça-feira de manhã, os resultados estavam na minha caixa de correio na quinta-feira à hora de almoço.
Na sexta-feira passada, finalmente decidi enviar o pedido do selo que, na qualidade de residente da cidade, me permite estacionar o meu carro sem ter de pagar parqueamento. O envio foi feito na sexta-feira já depois do horário de expediente, mas na terça-feira, novamente à hora de almoço, lá estava o envelope com o referido selo na minha caixa de correio.
Felizmente que em Portugal as coisas também estão a melhorar. No Verão tive de tratar de alguns documentos numa Loja do Cidadão, e pude constantar como é mais fácil e rápido tratar das sempre indesejáveis questões burucráticas. Acho que estamos no bom caminho, mas o Luxemburgo está um pouco mais avançado neste processo.
Era difícil esperar melhor tempo para estas mini-férias em Portugal. Parece que sempre que cá venho, o tempo faz questão em me relembrar o que deixei para trás.
Supostamente este é o maior nevão no Luxemburgo nos últimos 50 anos.
Não sei se é o maior dos últimos 50 anos, sei que é o maior dos últimos 6 meses…
Conduzir um automóvel sem pneus de inverno ou correntes para a neve com muitos centímetros de neve.
Isto, precisamente no dia com mais neve desde que estou aqui no Luxemburgo.
Falta muito para a Primavera?
Foi com muito Sol e com temperaturas a rondar os 5º C que se desenrolou o nosso jogo de futebol de Domingo de manhã.
Engraçado que este cenário, totalmente inesperado para o Luxemburgo em Janeiro, aconteça precisamente na altura em que chegam relatos de neve em grande parte de Portugal.
Já aqui tinha referido que o Luxemburgo era o país da União Europeia com mais automoveis por habitante. Várias razões explicam este número: os rendimentos elevados, os combustíveis baratos, a qualidade das estradas, o facto de não haver um imposto especial sobre os automóveis. Hoje descobri outra: as despesas com crédito para aquisição de carro podem ser deduzidas para apuramento do imposto a pagar.
No outro dia, quando encomendei o meu carro, comentei aqui o quão obscenos são os preços dos carros em Portugal, quando comparados com os que são praticados no Luxemburgo. Este semana, já descobri que o valor a pagar por um seguro automóvel já respeita a proporcionalidade entre os salários dos dois países (que saudades da Ok! Tele-Seguro).
Dois dias seguidos com um céu sem nuvens e o sol a brilhar! É verdade que as temperaturas têm estado negativas e a mínima para hoje é -9ºC. No entanto, estes dois dias foram suficientes para perceber que, mais do que do calor, o que eu mais sinto falta aqui no Luxemburgo é do Sol. Podem achar um exagero, mas não via o céu assim aqui desde o início de Outubro!
Claro que é difícil parecer normal, quando numa reunião insisto em ficar no único lugar onde incidia o sol, precisamente o lugar que todos tentavam evitar.
Ainda por cima, as previsões apontam para que estes dias sem nuvens se mantenham!
Aqui no Luxemburgo, ganho o dobro do que ganhava em Portugal. Em Portugal, o carro que comprei, custar-me-ia mais do dobro do que vou pagar por ele aqui.
Quando estive em Portugal, e me questionavam sobre as principais diferenças entre Portugal e o Luxemburgo, uma das coisas que me ocorria era a extrema rigidez que as normas têm aqui. Não acho que isto seja sempre mau, mas também não estou certo que seja sempre bom. A verdade é que tem funcionado bem com eles.
Há inúmeros exemplos desta rigidez de procedimentos, alguns mais caricatos do que outros. Quando regressei de Portugal tive conhecimento de mais um. Um colega português foi multado por passar um semáforo amarelo. Não, não foi um caso em que o polícia afirmava que ele tinha passado no vermelho e ele garantia que ainda estava no amarelo. O próprio polícia confirmou que ele passou no amarelo, mas tinha condições para travar em segurança e, por isso, ao não o fazer não cumpriu o código da estrada.
Alguém conhece um caso de uma multa em Portugal por passar um semáforo amarelo?
Quem me conheça minimamente, sabe que mantenho uma relaçao complicada com as limpezas e arrumações.
Se por um lado gosto muito de ter as coisas arrumadas, uma arrumação quase sempre excessivamente planificada, por outro lado, a minha famosa preguiça, aliada ao facto de arranjar sempre coisas com que me entreter, faz com que acumule coisas para arrumar e que adie continuamente a execução das tarefas caseiras.
Por isso, tal como já tinha feito em Portugal, decidi arranjar uma empregada de limpeza que me possa ajudar nas tarefas essenciais.
A grande diferença está no preço, os € 5,50 que pagava à hora, transformam-se em € 12,50 (um aumento superior a 127%!). Também por isso, decidi alterar a periodicidade: de semanal para quinzenal.
O objectivo é simples, que o meu desejo de arrumação possa ser concretizado, sem que tenha de perder os fins-de-semana em limpezas.
Aqui estão duas imagens a retratar o cenário que encontrei esta manhã quando fui trabalhar.
Já tinham caído alguns flocos de neve nos últimos dias, mas nada que fizesse prever o cenário de hoje. Desde o final da tarde que tem nevado na cidade do Luxemburgo, e há pouco a cidade estava toda coberta de branco, com a neve em alguns sítios a ter já uns bons centimetros de espessura.
Um cenário lindissimo!
Já passaram mais de dois meses e meio sobre o início da minha vida de emigrante.
Se tivesse que fazer um balanço nesta altura, diria que:
Gosto do meu trabalho.
Gosto de morar numa cidade cosmopolita.
Gosto de morar a 10 minutos a pé do trabalho, num apartamento onde me sinto bem.
Gosto do “desafogo” que o meu salário “europeu” me permite.
Não gosto de temperaturas tão baixas.
Gosto de estar perto de Portugal, mas estando também perto de Paris, Amsterdão, Veneza, Roma, Berlim, Praga ou Budapeste.
Gosto de conhecer pessoas de toda a Europa e aprender com elas coisas diferentes.
Gosto do desafio.
Ou seja, o balanço é muito positivo e facilmente me imagino a viver nesta cidade nos próximos anos. Veremos!
Se repararem nos links do lado direito, há um para a previsão do tempo para a cidade do Luxemburgo e outro para Lisboa.
Se experimentarem carregar nestes dois links vão ver que na previsão desta semana já há temperaturas negativas e neve para o Luxemburgo, enquanto em Lisboa a mínima se mantém sempre acima dos 10ºC.
Felizmente, daqui a cerca de um mês estarei em Portugal para passar as férias de Natal, tenho a impressão que este ano o Inverno português me vai parecer moderado!

