A poucas dias das eleições legislativas, acho que é a altura para se fazer um balanço do que foram mais de 4 anos do governo liderado por José Sócrates. Eu que vivi a maior parte parte deste tempo no estrangeiro, embora sempre muito atento ao que se passava em Portugal, acho que este foi o melhor governo de que me lembro (ou seja dos últimos 20 anos).
E poderia citar vários exemplos que me levam a pensar isso: redução da burocracia, subida do salário mínimo acima do nível de inflação, a redução do défice das contas públicas, o Magalhães e a possibilidade que isso representa de todas as crianças terem acesso a um computador desde tenra idade. Mas se tivesse que escolher aquela que foi a maior vitória deste governo, teria de apontar o investimento nas energias renováveis, confesso que sinto orgulho em relação ao crescimento impressionante que teve em Portugal a produção de energia a partir de fontes renováveis.


Caro Parreira,
No balanço sintético que fizeste da governação do engenheiro, esqueces-te de referir o facto do Portugal de hoje ser um país que em termos de desenvolvimento económico se situar na “cauda” da Europa não obstante terem entrado novos países para a União Europeia, o facto de Portugal de hoje ser um país sobreendividado, ou seja não produz riqueza pede emprestado ou o facto de Portugal de hoje ser um país subsidio-dependente.
Acidentalmente nos exemplos que escolhes-te, esqueces-te de falar de uma política de segurança, que levou à subida dos índices de criminalidade; de uma politica de justiça que se traduz na dificuldade dos cidadãos no acesso à justiça provocada pelo aumento brutal das respectivas taxas; de uma politica de educação cujo resultado foi 200.000 professores na rua a protestar; de uma politica económica que se traduziu na falta de apoios a PME´s e no aumento galopante do nº de desempregados (onde estão os 150.000 empregos prometidos???); de uma politica agrícola que nos torna cada vez mais dependentes da Europa e que priva a agricultura portuguesa de fundos europeus por incompetência; de uma politica fiscal que se traduziu num aumento de impostos incluindo para reformados; de uma política de natalidade, nuns pais que está a envelhecer, que se traduz em oferecer 200 euros numa conta poupança que só poder ser movimentada assim que a criança fizer 18 anos.
Fazes um balanço positivo de um governo que se caracterizou pelo seu “autismo” suportado numa maioria parlamentar, um governo com resquícios de “chavismo” no controlo da informação produzida nos órgãos de comunicação social, um governo que trocou a regulamentação pela nacionalização.
Fazes um balanço positivo, porque é como tu dizes, viveste os últimos quatros anos no estrangeiro.
Agora claro está falas bem de Portugal ter apostado forte no desenvolvimento de energias renováveis, esquecendo claro dos custos dos subsídios à produção das energias renováveis, e do facto do portuguesas não sentirem os efeitos dessa politica na sua conta da electricidade.
Abraço
Comment por verbal — 27 September 2009 @ 1:45 am
Verbal,
Posso entender alguns dos teus argumentos, mesmo que não concorde com eles. Agora falares em “nacionalizar”? Houve mais algum caso de nacionalizações para além do BPN? Até a pátria do liberalismo económico procedeu a muito mais nacionalizações do que Portugal. Talvez por estar no estrangeiro me tenha passado ao lado uma vaga de nacionalizações de que a imprensa não fez eco.
A propósito, dizes que faço um balanço positivo do governo por estar no estrangeiro. Curioso que sejam na maioria pessoas que vivem, e viveram nos últimos quatro anos, em Portugal que vão daqui a umas horas dar a vitória ao PS, o que me parece ser um sinal de que não vêm este governo da mesma forma que tu.
Acho que vais perceber que pode “haver cada vez mais pessoas a pensar como tu” mas desta vez ficam aquém dos “trotskistas”.
Comment por Luis Parreira — 27 September 2009 @ 2:53 am
Parreira,
Não deixa de ser sintomático que nos mais de dez exemplos de má pratica politica que indiquei, tu apenas refutares um. Afinal o balanço não será assim tão positivo.
Quanto às nacionalizações, pergunto se para o exemplo português não basta um BPN? Queres que nos tornemos numa Islândia? Esta intervenção do Estado na banca, não só cá em Portugal mas como no resto do Mundo, a meu ver completamente errada, e como Marx se deve rir no seu túmulo, há-de chegar aos bolsos dos contribuintes portugueses e também dos do resto do mundo. Cá estaremos depois para falar disto.
Quanto a essa maioria que referes, espero pelos números finais, para perceber para onde foram parte dos 2.500.000 votantes do PS nas últimas legislativas!
Quanto a mim, gostava muito que houvesse muito mais que os 35% dos eleitores das últimas legislativas a pensar como eu. Era sinal que as pessoas andavam atentas, porque em consciência quem está informado não legitima qualquer governo nestas eleições.
Comment por verbal — 27 September 2009 @ 10:31 am
Verbal,
O primeiro comentário que faço é que espero que voltes a escrever no teu blog, já sentia saudades destas nossas trocas de argumentos.
Quanto à refutação dos teus argumentos, confesso que não me preocupei muito em fazê-lo. Achei um notório exagero a referência à opção pelas nacionalizações, e também te lembrei que há muitos a morarem em Portugal que aprovam o governo. Muitos dos outros argumentos, comuns ao discurso do líder do 4º ou 5º maior partido português, são frases populistas e que carecem de fundamentação. Referes por exemplo o aumento dos impostos inclusive para os reformados, precisamente quando o governo lançou o complemento solidário para idosos que permitiu uma melhoria significativa nos rendimentos dos idosos com baixas pensões.
Comment por Luis Parreira — 27 September 2009 @ 11:07 am
Uma última coisa que me esqueci no meu último comentário. Não podes pensar que os abstencionistas o fazem porque não querem legitimar um governo. Há quem o faça por razões práticas, como eu, que se votasse até o faria noutro partido, não para castigar o PS, mas porque acredito que ainda é possível fazer melhor e por isso preferia que o Francisco Louçã fosse o primeiro-ministro.
Comment por Luis Parreira — 27 September 2009 @ 11:21 am
“Frases populistas e que carecem de fundamentação”? Esta tua contra-argumentação é esconder a “cabeça na areia”, ou tens dúvidas, por exemplo, que houve aumento de impostos nesta legislatura, que a taxa de desemprego subiu ou que os professores estão em “guerra” com o Ministério da Educação? Os exemplos nas políticas deste governo que apontei são todos factuais, ou seja, não carecem de fundamentação.
Tu lembraste-me que há muitos que moram em Portugal e que aprovam o governo, e eu chamo-te a atenção que o balanço das políticas de um governo faz-se nas urnas, e os factos são estes: nas últimas legislativas o PS obteve + de 2.500.000 votos; logo à noite veremos se continua a haver assim tantos portugueses, como tu, a fazer balanços positivos.
Quanto ao meu “notório exagero” sobre as nacionalizações, muito me espantas, na parte final, vires manifestar o apoio ao Francisco Louça, afinal é ele que inscreveu no seu programa eleitoral uma “politica de nacionalizações”. Afinal em que é que ficamos, és contra ou favor de uma “albanização” de Portugal?
Comment por verbal — 27 September 2009 @ 11:51 am
Quanto ao meu blogue, ando com ideias de começar um novo, mas confesso que ano preguiçoso!
Comment por verbal — 27 September 2009 @ 11:52 am