A minha admiração por Kim Clijsters começou muito antes de morar na Bélgica. Numa altura em que ténis feminino estava a ser dominado por atletas que baseavam o seu jogo na força (irmãs Williams e Amélie Mauresmo) era interessante ver alguém com uma compleixão física normal a bater-se com as melhores. Ela era claramente a minha favorita do circuito feminino quando abandonou a carreira e até aí mostrou que era diferente. Já tinha ganho muitas provas, já tinha sido número 1 do mundo e agora queria dedicar-se a algo mais importante, queria ser mãe.
Já mãe de uma pequena bebé achou que poderia voltar a jogar, e ei-la no Open dos Estados Unidos a derrotar todas as adversárias, incluíndo aquelas que são, muito provavelemente, as melhores jogadoras da actualidade. Os seus dois jogos com as irmãs Williams e o extraordinário jogo da final fazem dela uma vencedora mais do que merecida, numa história que mostra que faz sentido dar prioridade ao que merce ser prioritário.
Claro que a algumas horas da final masculina, tenho de referir mais uma prova fantástica de Roger Federer, que atingiu a sua 22ª meia-final consecutiva de um torneio do Grand Slam, um recorde que é absolutamente fantástico (o número 2 neste ranking de meias-finais consecutivas em torneios do Grand Slam tem 10!). Daqui a poucas horas poderá ter seis vitórias consecutivas no Open dos Estados Unidos, mais um feito incrível para o melhor tenista de todos os tempos.

