Nos últimos tempos a RTP-I tem sido praticamente o único canal que tenho visto. Um dos temas que tenho seguido com maior atenção é a hipótese avançada por José Sócrates de legalizar o casamento entre pessoas do mesmo sexo na próxima legislatura. O anúncio de uma medida, que só me parece pecar por tardia num país que proíbe constitucionalmente a discriminação dos cidadãos de acordo com a sua orientação sexual, tem provocado reacções interessantes em alguns sectores, em especial na Igreja Católica. Os comentários no programa "Prós e Contra" foram particularmente reveladores de que o obscurantismo da Igreja ainda tem eco em muitos dos nossos "intelectuais".
A legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo parece-me um claro avanço social, e é com pena que vejo que Portugal, que no passado esteve entre os pioneiros na aprovação de leis que permitiram importantes avanços sociais (por exemplo a proibição da escravatura ou a proibição da pena de morte), não esteja agora na linha da frente. Aliás, não compreendo porque razão o PS não votou favoravelmente as propostas para que a legalização acontecesse nesta legislatura. Uma coisa é certa, os próximos meses irão proporcionar comentários hilariantes por parte dos padres, do João César das Neves e outros que insistem em excluír todos os que se afastam da sua "normalidade". Só é pena que estes comentários percam muito da sua piada quando se percebe que os seus autores defendem mesmo aquilo que apregoam.