Não sou professor, não tenho filhos e os meus tempos de estudante já lá vão há algum tempo. Por isso, os meus contactos com o sistema de ensino são muito limitados e nos últimos tempos resumem-se às notícias nos jornais e espaços televisivos.
Depois de um tempo em que a educação era notícia pelas agressões a professores, ultimamente o assunto tornou-se omnipresente pela recusa dos professores em aceitar o sistema de avaliação proposto pela Ministra da Educação. Devo admitir que só acompanho este caso pelas notícias e não estou por dentro dos pormenores da avaliação. No entanto, gostaria de partilhar a minha opinião, até porque me parece que no meio de tanto ruído se perdeu a noção do que é verdadeiramente importante. Durante o meu percurso escolar tive professores muito bons, outros bons, mas também tive professores maus e muito maus. Posso referir o caso da minha professora de História do 9º ano, da qual não recordo o nome, que é certamente o meu exemplo do que não deveria ser um professor. Durante as suas aulas lia o jornal ao mesmo tempo que nos ordenava que lessemos páginas do manual escolar. Repetidas vezes saía da sala de aulas para ir beber um café, e dizia-nos constantemente como a vida de professor era terrível, tendo que trabalhar a toque de campaínha. A juntar a tudo isto, insisistia em fazer os mesmos testes para todas as suas turmas, e nos casos em que a minha turma era a última a efectuá-los, não era raro que os piores alunos da turma, aqueles que tinham negativas em todas as disciplinas, de repente tivessem 95 ou mesmo 100%. Isto acontecia, sem que esta "professora" parecesse ver algo estranho neste facto. Sem um sistema de avaliação, esta professora vai ser promovida ao mesmo ritmo de todos os outros, aqueles que se esforçam e dão o seu melhor para educar os seus alunos. Quem teve professores assim não pode deixar de defender que os professores sejam efectivamente avaliados, da mesma forma que a maioria de nós somos avaliados nos nossos empregos.
Talvez o sistema de avaliação proposto pela Ministra de Educação esteja longe de ser perfeito, talvez precise de algumas mudanças e ela própria já avançou com algumas propostas para essas correcções. Mas não será melhor ter um verdadeiro sistema de avaliação que possa ser corrigido no futuro, do que não ter nenhum sistema de avaliação, ou um que se baseie simplesmente na auto-avaliação? A mim parece-me que sim, e espero que se perceba que os verdadeiros prejudicados pela ausência de uma avaliação séria são os alunos e, em último caso, o futuro do país.


Concordo e revejo-me.
Tenho um exemplo semelhante com uma professora de inglês do 7ºano.Lia revistas durante as aulas e dizia-nos para lermos X paginas do manual. Deixava-nos sair mais cedo,o que para nós,na altura,era bastante bom.
Inconscientes que eramos acerca da nossa educação.
Há mais exemplos,mas basta um como este.
Apesar de bons professores que tive, e que provavelmente nem aproveitei na altura o que tinham para me ensinar,há o reverso da medalha.
Seja como for,as ideias que temos das matérias/disciplinas (ex.matemática) foram-nos “oferecidas” por pessoas mais velhas,nomeadamente pais e professores.
A avaliação dos professores não tem,de certeza, como objectivo a deterioração do ensino.
Julgo que este país está mergulhado num misto de influências e ignorância.
Comment por André — 29 November 2008 @ 10:28 pm
Mais injusto e grave que beneficiar um mau professor é prejudicar um bom professor… e é provavelmente iso que este sistema de avaliação proposto vai fazer… vai manter o beneficio aos maus, porque não os vai conseguir identificar e não vai valorizar de facto os bons… no final a avaliação nestes moldes vai servir tanto como serve agora o facto de não existir, vai manter as injustiças, só que agora atacando os bons, criando burocracias insuportaveis e desmotivando todos
Comment por Ana — 10 January 2009 @ 1:31 pm