Quando transferi alguns dos móveis que tinha no Luxemburgo para o meu apartamento em Bruxelas recorri a uma empresa portuguesa. Naturalmente que os empregados eram portugueses a residir no Luxemburgo e um deles perguntou-me porque é que eu me tinha mudado para o "fim do mundo"? Depois da minha surpresa por esta questão, ele acrescentou que em Bruxelas não devia haver tantos portugueses como no Luxemburgo. Fiquei então a saber que o conceito de fim do mundo para este meu compatriota é um local com poucos portugueses. Pois bem, mesmo seguindo esse critério Bruxelas está longe de ser no fim do mundo. Ao fim de quase quatro meses de vida em Bruxelas, creio mesmo que há mais portugueses a viver em Bruxelas do que na cidade do Luxemburgo, embora naturalmente com um muito menor peso em termos de percentagem da população. Como avalio isto? Nunca consultei quaisquer estatísticas sobre o assunto, mas a julgar pelo número de restaurantes portugueses, associações de portugueses, pessoas que encontro no supermecado a falarem português acho que serão certamente uns bons milhares os portugueses a viverem por aqui. Ainda ontem, por exemplo, descobri uma loja portuguesa a dois passos do prédio ondo moro. E os preços dos produtos eram tão caros que só mesmo portugueses com imensas saudades de Portugal é que seriam clientes daquela loja. No fundo, pessoas como eu.