Ao fim de dias duas semanas em Bruxelas ainda não escrevi nada sobre como têm corrido estes primeiros dias. A principal razão é simples: não há muito para dizer. Não tenho saído, continuo sem conhecer muitas pessoas na cidade e a única boa notícia é que comprei um bilhete para o Festival de música em Wertcher, precisamente para o dia em que, entre outros, actuam: Radiohead, Sigur Rós, The Gossip, Kings of Leon, Ben Harper, KT Tunstall, The Hives, Editors, etc. Um alinhamento que promete!
Quando estava nos Estados Unidos tive a infeliz notícia de que os irlandeses tinham rejeitado, por referendo, o Tratado de Lisboa.
Esta rejeição parece-me estranha, não só porque, tal como na rejeição francesa e holandesa ao Tratado Constitucional, não consigo perceber qual a medida ou medidas a que os eleitores irlandeses se opuseram mas, também porqeu acho que se há um país com razões de sobra para estar agradecido à União Europeia, esse país é certamente a Irlanda. Um país que ainda há 20 anos era um dos mais pobres da União conseguiu, e muito devido à boa utilização que fez dos fundos recebidos da União Europeia, transformar-se num dos países mais ricos.
Um passo atrás no projecto de desenvolvimento da União Europeia mas, como continuo a achar que este projecto faz sentido, espero que os lideres europeus consigam arranjar uma solução que permita ultrapassar este percalço.
Quem leu os posts que escrevi durante a minha estadia em Las Vegas pode ter ficado com a sensação de que não gostei da cidade e que não a recomendo como destino de férias. Muito pelo contrário. O clima é excelente, talvez um pouco quente demais durante o dia, mas as noites são fantásticas. Os hotéis são excelentes e a escolha de espectáculos é impressionante. Há restaurantes e bares para todos os gostos e de uma forma geral são muito bons. Há imensos sítios para fazer compras e há lojas para todos os gostos e bolsas. Para quem gosta de jogar em casinos, acho que nem preciso de dizer que não há outro sítio como Las Vegas.
Ou seja, resumindo, julgo que Las Vegas tem tudo para ser um excelente destino para férias, isto mesmo para quem não gosta de casinos. O meu problema foi que, com o meu o optimismo, pensei que iria estar uma parte importante das minhas férias ocupado a jogar nos torneios do World Series of Poker, e não preparei um plano B para o caso de as coisas não correrem bem neste campo.
Estou neste momento no aeroporto de McCarran em Las Vegas a poucos minutos de apanhar o primeiro dos voos que me levarão de volta à Europa. Daqui a menos de 36 horas começo um novo capítulo da minha vida, num novo trabalho, novo país, isto numa cidade onde só conheço uma ex-colega.
Depois de nos primeiros dias em Las Vegas ter ficado pela Las Vegas Boulevard, onde se concentram os enormes hotéis/casinos com centenas ou milhares de quartos e onde milhões são perdidos todos os dias em máquinas e mesas de jogo, nos últimos dias aventurei-me por uma outra Las Vegas. A zona da baixa, que em tempos foi a zona principal de jogo e que hoje mais parece uma das cidades mexicanas que vemos nos filmes. É incrivel ver como estes dois mundos tão opostos estão separados por escassos kilómetros.
E lá fui eliminado na minha segunda tentativa de fazer história num torneio da World Series of Poker, apenas com o lado positivo de ter ficado numa das mesas mais fortes do torneio, em que só eu não tinha um currículo invejável em torneios. Gostei de ter ficado na mesma mesa que Mike "The Mouth" Matusow, um dos jogadores mais conhecidos do mundo e que ganhou a sua alcunha porque está sempre a falar, e como ele fala de tudo e mais alguma coisa, foi possível perceber um pouco do lado mais negro do mundo do poker.
Outra coisa que percebi é que esta viagem foi planeada com a esperança de chegar longe nos torneios em que participava, esquecendo-me da forte possibilidade de isso não acontecer. Não pensei que iria sentir a mesma sensação que tinha tido nas Bahamas no início deste ano, que passar férias sozinho está longe de ser ideal.
Resumindo, estes primeiros dias já me fizeram tomar duas decisões: a primeira é reduzir bastante o tempo que passo a jogar poker, a segunda é não fazer mais viagens sozinho.
Tal como prometido, volto à escrita neste espaço para fazer um breve relato destes primeiros dias em Las Vegas. Estes dias foram até agora marcados por uma ausência de total de horários. Houve dias em que dormi durante o dia e joguei poker durante a noite, noutros dormi durante a noite e visitei Las Vegas durante o dia. Como devem calcular, para quem quer disciplinar o seu sono, como é um dos meus objectivos, estes dias têm sido o oposto do que eu deveria fazer. Tive também a minha primeira participação num torneio do WSOP. Acabei por ser eliminado em 220º lugar entre os 388 participantes mas fiquei com a sensação que poderia ter ido muito mais longe. O torneio começou muito mal, ao fim da primeira hora parecia que iria ser um dos primeiros eliminados do dia e fiquei com a sensação que até os outros jogadores da minha mesa (que incluía alguns famosos profissionais, nomeadamente um jogador que já ganhou três torneios do WSOP) estavam a pensar o que é que eu estava ali a fazer. Comecei então a jogar de uma forma mais concentrada e ao fim de cinco horas era mesmo o líder da mesa, com mais do sobro das fichas com que tinha iniciado o torneio. Pouco depois dá-se a jogada decisiva, numa tentativa de reforçar a minha liderança acabo por me ver envolvido numa luta entre quatro jogadores em que todos ficámos dependentes da última carta para ver quem iria ganhar uma vantagem enorme. Dado que era o lider da mesa, era o único que não poderia ser eliminado naquela mão, mas como todos os outros conseguiram cartas que serviam os seus intentos, acabei por ser eu a voltar ao último lugar, numa situação muito debilitada, e a pensar com me tinha deixado arrastar para aquela situação. O meu torneio acabaria dez minutos depois, novamente numa jogada em que o azar me perseguiu, mas seria preciso alguma sorte para conseguir jogar durante muito mais tempo.
Daqui a cerca de nove horas inicio a minha participação em mais um torneio, e desta vez com uma pressão acrescida, porque caso não fique nos primeiros 10%, aqueles que recebem um prémio monetário, quase certamente que não irei participar em mais nenhum torneio do WSOP e esta viagem a Las Vegas, independentemente do resto, ficará marcada por alguma frustração. Mas nada de fazer cenários pessimistas antes do tempo, quero jogar o melhor possível e mostrar que consigo mesmo jogar ao nível dos melhores do mundo.
Depois de uma longa viagem já estou na "cidade do pecado", e daqui a umas horas, estarei a participar no meu primeiro torneio do "World Series of Poker". Daqui a poucos dias voltarei a escrever neste espaço para fazer um primeiro relato da minha primeira experiência em Vegas. Até lá, desejem-me boa sorte!
Será que sou o único que já não tem paciência para as transmissões da RTP sobre a nossa selecção? Nos noticiários parece que não acontece mais nada no mundo a não ser o estágio da nossa selecção. Multiplicam-se os programas especiais, incluindo a "cobertura da partida da selecção". Será que é isto o serviço público de televisão?

