A vida é feita de decisões, desde as mais insignificantes até aquelas que influenciam decisivamente o nosso futuro. Na verdade, muitas vezes aquilo que parece uma escolha sem qualquer impacto acaba por transformar totalmente a nossa vida. Eu lembro-me sempre de uma terça-feira no mês de Março de 2004 em que decidi ir jogar futebol com os meus colegas de trabalho. Foi durante esse jogo que um colega me convenceu a ir efectuar os exames que acabariam por culminar na minha vinda para o Luxemburgo e na mudança para Bruxelas daqui a menos de um mês. É difícil, para não dizer impossível, tentar imaginar o que poderia ser hoje a minha vida se não tenho ido jogar futebol naquele dia, mas sei que seria certamente muito diferente.
Mas se classificar as decisões em insignificantes ou importantes não é simples, uma vez que, como referi, decisões aparentemente insignificantes podem vir a revelar-se decisivas, já a classificação em fáceis ou difíceis me parece mais evidente. Veja-se o caso da escolha de uma sobremesa. No meu caso, se tiver que escolher entre uma sobremesa à base de chocolate ou algo mais saudável, a escolha é simples, uma sobremesa com chocolate terá sempre prioridade. Esta é naturalmente uma escolha fácil. Mas na vida há também decisões mais difíceis, daquelas que nos fazem perder horas de sono. Nesse grupo incluo a decisão de me afastar de uma amiga. A razão é habitualmente uma de três: eu começo a vê-la como mais do que amiga e ela não; outras vezes é a razão inversa quando ela me vê como mais do que amigo e eu não; outras vezes, tanto eu como ela nos sentimos atraídos, mas um dos dois acha que é melhor manter a relação de amizade. Qualquer uma destas razões é suficiente para minar uma amizade que parece estabelecida, e a minha experiência pessoal diz-me que o melhor é tomar a iniciativa de afastar-me da outra pessoa, pelo menos até que o tempo se encarregue que eu e/ou ela passemos novamente a ver-mo-nos como amigos. Se quando isto me acontece acho que esta é a melhor decisão, a verdade é que acabo por nunca a tomar. Acho sempre que a amizade vai conseguir superar o problema que é um sentir-se rejeitado e, claro, acabo por perceber que deveria mesmo ter tomado a decisão difícil, porque no final, o mais certo é acabar por perder uma amizade. Na verdade, em situações semelhantes, as únicas vezes que me afastei foi porque a outra parte assim o decidiu e se, em alguns casos, achei esse afastamento totalmente injustificado, hoje percebo que foi mesmo a decisão correcta.
Este é um dos meus desejos para os próximos tempos, conseguir nestas situações tomar a decisão difícil, mas muitas vezes necessária, de me afastar de alguém de quem gosto, para como esse afastamento salvaguardar uma amizade futura.


As relações entre homens e mulheres são de facto muito complicadas. A questão é: será possível mantermos uma amizade com alguém do sexo oposto sem que hajam segundas intenções? A verdade é que as relações de amizade entre homens e mulheres são mesmo difíceis de se manter intactas e as que existem são muito poucas.
Comment por isabel — 25 May 2008 @ 12:34 pm
Já dizia a minha Avó: “Que o que é teu às tuas mãos te vem parar!” Embora não concorde, totalmente, com a afirmação, pois creio que há coisas pelas quais se tem e se deve lutar, também acredito que existem forças(talvez cósmicas) que favorecem ou não alguns acontecimentos. Portanto, os amigos que são amigos voltarão sempre e a pessoa que estará ao nosso lado irá cruzar-se connosco e saberemos nesse momento que será para sempre (nem que o sempre dure pouco tempo, mas que valha por uma eternidade….)
Comment por bordinha — 26 May 2008 @ 1:07 pm