Regressado da Turquia, e já com alguns dias de atraso, faço um breve relato das minhas impressões sobre este país do qual sabia tão pouco.
Na Divisão onde trabalho, comparativamente a outras do Tribunal de <contas Europeu, as viagens não são muito frequentes e nem muito demoradas. Um rápido exercício de memória, lembra-me que até hoje, excluindo as idas a Bruxelas, já estive em trabalho em: Liverpool, Ljubljana, Paris, Amsterdão/Almelo, Varsóvia, Varese, Lisboa e Ankara. Todas estas viagens tiveram uma duração entre 3 e 5 dias, e de todas elas guardo algumas recordações positivas. Não duvido mesmo qeu a melhor aprte do meu emprego é mesmo a possibilidade de efectuar estas viagens e não os dias passados num escritório no Luxemburgo. Mas de todos estes destinos, não houve nenhum que me agradasse tanto como Ankara, e acho qeu nem é o efeito normal de atribuir um valor especial ao que está mais próximo. Talvez a principal razão tenha sido o facto de saber tão pouco sobre a Turquia e de não ter uma expectativa muito positiva.
Baseado nos meus 4 dias em Ankara, as minhas notas seriam:
Turquia : Bom
Comida turca : Muito Bom
Simpatia dos turcos : Excelente
E saí da Turquia com a clara sensação que quero voltar, não em trabalho, mas de férias. Agora, mais do que antes, quero conhecer Istambul, uma enorme metrópole que carrega milhares de anos de história da civilização humana. Quero voltar a provar a comida deliciosa, a beber o omnipresente chá e a sentir a simpatia que me pareceu genuína.
Mas saí também com uma sensação desagradável, sentindo que nós, cidadãos da União Europeia, estamos a enganar o povo turco, obrigando-os a efectuarem reformas que "ocidentalizem" as suas instituições acenando com uma eventual adesão à União Europeia, nunca referindo que não estamos interessados em ter um país muçulmano, em especial um país com a dimensão da Turquia, no seio da União Europeia. O discurso de alguns turcos com quem tive a oportunidade de falar durante a minha estada em Ankara, revela que eles ainda acreditam numa adesão em breve, e eu não quis ser o mau da fita e revelar que acho pouco provável que isso venha a acontecer nos próximos anos, mas presumo que eles achem estranho que países que se tornaram oficialmente candidatos muito depois da Turquia vão entrando, enquanto a Turquia se mantem no eterno estado de país candidato.
Sei que isto não serve de consolo ao povo turco mas, depois desta viagem, conseguiram conquistar um cidadão da União Europeia para apoiar a causa da sua entrada na União, mas daí, talvez eu fosse mesmo um alvo fácil porque sempre me fez impressão a discriminação baseada na religião.


Eu não refuto a entrada da Turquia só pela religião, porque se formos a ver, hoje em dia a Alemanha ou França tem imensa população turca… mas se se trata da Europa… ou União Europeia… temos que balizar em que parametros? senão religioso, cultural..geografico?!
Comment por nesca — 26 March 2008 @ 6:57 pm