Foi durante os dias que passei em Ankara que tive a oportunidade de ver na CNN as primeiras notícias sobre as manifestações de activistas tibetanos em Lhasa, noutros pontos do Tibete e mesmo noutros países. Tive também, e sem surpresa, a possibilidade de ver as imagens da repressão dos militares chineses. Mais uma vez deixo aqui a minha solidariedade com o povo tibetano, que vê o seu país invadido há mais de 50 anos. Confesso que espero daqui a uns meses festejar as medalhas da Vanessa Fernandes, Naide Gomes, Nélson Évora, Telma Monteiro, e de outros portugueses menos favoritos que consigam a enorme proeza de ganhar uma medalha olímpica mas, se Portugal ou a União Europeia decidissem boicotar os Jogos Olímpicos como forma de protesto, seria o primeiro a aplaudir esta decisão porque, por muito importante que seja a maior festa do desporto mundial, há coisas (muito) mais importantes.
Regressado da Turquia, e já com alguns dias de atraso, faço um breve relato das minhas impressões sobre este país do qual sabia tão pouco.
Na Divisão onde trabalho, comparativamente a outras do Tribunal de <contas Europeu, as viagens não são muito frequentes e nem muito demoradas. Um rápido exercício de memória, lembra-me que até hoje, excluindo as idas a Bruxelas, já estive em trabalho em: Liverpool, Ljubljana, Paris, Amsterdão/Almelo, Varsóvia, Varese, Lisboa e Ankara. Todas estas viagens tiveram uma duração entre 3 e 5 dias, e de todas elas guardo algumas recordações positivas. Não duvido mesmo qeu a melhor aprte do meu emprego é mesmo a possibilidade de efectuar estas viagens e não os dias passados num escritório no Luxemburgo. Mas de todos estes destinos, não houve nenhum que me agradasse tanto como Ankara, e acho qeu nem é o efeito normal de atribuir um valor especial ao que está mais próximo. Talvez a principal razão tenha sido o facto de saber tão pouco sobre a Turquia e de não ter uma expectativa muito positiva.
Baseado nos meus 4 dias em Ankara, as minhas notas seriam:
Turquia : Bom
Comida turca : Muito Bom
Simpatia dos turcos : Excelente
E saí da Turquia com a clara sensação que quero voltar, não em trabalho, mas de férias. Agora, mais do que antes, quero conhecer Istambul, uma enorme metrópole que carrega milhares de anos de história da civilização humana. Quero voltar a provar a comida deliciosa, a beber o omnipresente chá e a sentir a simpatia que me pareceu genuína.
Mas saí também com uma senasação desagrdável, sentindo que nós, cidadãos da União Europeia, estamos a enganar o povo turco, obrigando-os a efectuarem reformas que "ocidentalizem" as suas instituições acenando com uma eventual adesão à União Europeia, nunca referindo que não estamos interessados em ter um país muçulmano, em especial um país com a dimensão da Turquia, no seio da União Europeia. O discurso de alguns turcos com quem tive a oportunidade de falar durante a minha estada em Ankara, revela que eles ainda acreditam numa adesão em breve, e eu não quis ser o mau da fita e revelar que acho pouco provável que isso venha a acontecer nos próximos anos, mas presumo que eles achem estranho que países que se tornaram oficialmente candidatos muito depois da Turquia vão entrando, enquanto a Turquia se mantem no eterno estado de país candidato.
Sei que isto não serve de consolo ao povo turco mas, depois desta viagem, conseguiram conquistar um cidadão da União Europeia para apoiar a causa da sua entrada na União, mas daí, talvez eu fosse mesmo um alvo fácilporque sempre me fez impressão a discriminação baseada na religião.

