Nos últimos tempos tenho reflectido diversas vezes sobre as vantagens de morar e trabalhar no Luxemburgo, tenho mesmo pensado se não estaria na altura de voltar a Portugal. Estes dias de férias estariam também destinados a essa reflexão. No entanto, recuso-me a pensar num eventual regresso nestas condições. Com temperaturas próximas dos 30º C e um Sol magnífico no final de Setembro, sei que não estão reunidas as condições para uma análise objectiva!
As minhas férias estão quase a terminar mas ainda não escrevi neste blog desde que cheguei a Portugal.
Em primeiro lugar tenho que admitir que estava a precisar de uns dias de descanso e isso tenho tido. Depois, um pouco à força tenho tido (muito) menos tempo de internet do que é habitual. Preferia que esta abstinência cibernética fosse por opção própria, mas tenho que reconhecer que, provavelmente, é saudável para quem passa habitualmente tanto tempo na internet. O pior é compensar isso com mais televisão. A qualidade dos 4 canais genéricos é hoje inferior ao que era há dois anos, e é assustador a quantidade de concursos com chamadas de valor acrescentado. Eles não só estão em muitos programas, como há agora programas em que nada mais acontece a não ser o apelo às chamadas para estes números. Resta-me tentar perceber quem pode achar interessante este tipo de programas.
O clima pode ser apenas normal para esta altura do ano, mas para quem mora num país como o Luxemburgo estes dias parecem passados num paraíso tropical.
Para o final destas férias está ainda reservado o momento alto desta minha estadia em Portugal: o casamento de um amigo muito especial.
Esta semana visita Portugal o Dalai Lama, a figura mais importante da religião budista.
Quando planeei as minhas férias em Portugal, tinha pensado que poderia ir assistir, este Domingo em Lisboa, à conferència com o sugestivo título:"O Poder do Bom Coração". As alterações que o meu plano de férias sofreu, levam-me a estar nesse dia no Algarve, pelo que não vai ser desta que tenho a possibilidade de ver o Dalai Lama em pessoa. Não queria no entanto deixar de assinalar este acontecimento. E claro, assinalar a atitude do nosso Governo e do Presidente da República que, para não aborrecer um Estado que procedeu a uma invasão violenta e que destruíu um património cultural riquíssimo, se recusam a receber oficialmente um líder que sempre defendeu uma solução pacífica para a restituição da independência ao povo tibetano.
Todos sabemos do peso crescente da economia chinesa, mas há coisas mais importantes do que os negócios. Portugal não pode preferir a companhia dos responsáveis pelos massacres de Tianamen à de um Prémio Nobel da Paz, alguém que é hoje respeitado e admirado em todo o mundo.
Há mais de dois meses iniciei uma lista de objectivos a alcançar no prazo de 1001 dias. Os primeiros meses não estão a ser brilhantes. Não só ainda não concluí a lista, como de uma forma geral não tenho feito grandes esforços para atingir a maior parte dos objectivos que defini.
Mas tenho que assinalar grandes progressos num dos objectivos. Depois de meses a ter a casa num estado caótico, nas últimas noites decidi aproveitar o facto de dormir poucas horas para fazer limpezas e arrumações. A diferença é impressionante. Passou a ser uma alegria chegar a casa, já marquei com colegas portugueses um jogo de king em minha casa, e hoje, ao sair do trabalho, dei um salto ao IKEA para comprar algumas coisas.
Vou de férias para Portugal no próximo dia 14 de Setembro, faltam por isso apenas 11 dias e, neste momento, se o meu corpo ainda permanece no Luxemburgo, a minha cabeça essa já está mesmo em Portugal.
Por coincidência, no meu primeiro fim-de-semana em Portugal vão disputar-se eventos relacionados com os meus três principais hobbies: há um torneio de poker em Vilamoura, o campeonato nacional de semi-rápidas de xadrez em Montemor-o-Velho e a meia-maratona da Ponte Vasco da Gama em Lisboa, precisamente a primeira meia-maratona que corri há três anos. E é nestas alturas, em que sou forçado a escolher, que percebo qual destes hobbies tem, neste momento, mais importância para mim. Presumo que quem leia este blog já tenha uma ideia de qual foi a minha escolha. Talvez porque já participei em muitos torneios de xadrez em Portugal e em algumas corridas, estou mesmo com vontade de jogar o meu primeiro torneio de poker em Portugal, e conhecer os jogadores de que vou lendo as aventuras quando participam num torneio internacional. Junte-se a isto o facto do torneio ser em Vilamoura, local que é para mim talismã, e a escolha não poderia mesmo ser outra.
Por isso já sabem, dia 15 (e 16 se ficar nos apurados para o segundo dia), vou trocar as areias das praias algarvias por uma mesa de casino, tentando mostrar que estou ao nível dos melhores portugueses. Já os dias seguintes, esses serão passados na praia, na companhia de livros e, se tudo correr bem, muito Sol.
Este fim-de-semana passaram dois anos desde que comecei a trabalhar no Luxemburgo.
Confesso que por curiosidade, e à semelhança do exercício do filme "Instantes Decisivos" ("Sliding Doors" no original), gostava de saber como teriam sido estes dois anos se tivesse ficado em Portugal.

