Uma semana depois, altura para finalmente fazer um relato do que foi a minha primeira maratona.
Antes da corrida a ansiedade era muita, mas confesso que estava optimista. Se de facto o treino ficou aquém do que a distância exige, sentia-me bem fisicamente e pensava que na altura certa teria a força psicológica para ultrapassar as dificuldades.

As minhas inúmeras leituras sobre os problemas que podem ocorrer durante uma maratona tinham-me levado a organizar um mecanismo de abastecimento com a preciosa ajuda da Elsa e Rita, que tinham vindo passar uns dias ao Luxemburgo.
O início fez-me pensar que o meu optimismo era justificado. Continuava a sentir-me bem e os quilómetros iam passando sem que sentisse o cansaço. Pouco depois do quilómetro 18, era a altura para o segundo dos abastecimentos combinados com a minha "equipa de apoio". Decidi comer uma barra de cereais juntamente com a bebida isotónica. Imediatamente senti que esta não tinha sido uma combinação feliz, pouco depois percebi que seria impossível correr mais de duas horas sem ir a uma casa de banho. E é nesta altura que se inicia a procura por uma casa-de-banho, a organização tinha instalado umas quantas e pensei que não seria difícil encontrar uma.

Pouco depois dos 20 km, finalmente encontro uma. Uma vistoria rápida permitiu-me concluír que não tinha papel higiénico, teria de esperar pela próxima. Cinco quilómetros depois, que foram percorridos a um ritmo muito lento e que me pareceram uma autêntica maratona, finalmente encontro outra casa-de-banho. E, mais uma vez, sem papel higiénico. Começo a pensar se a situação não seria igual em todas as casas-de-banho, e nesta altura tinha já a certeza que seria impossível correr mais 17 quilómetros sem aliviar aquela indesejada vontade. Mesmo a um ritmo muito mais lento do que eu desejava, não sei como consegui correr durante mais cinco quilómetros, sempre que passava perto de um café ou restaurante, pensava que deveria optar por tentar utilizar a casa-de-banho destes estabelecimentos, mas acabei por continuar a correr, até que por volta do quilómetro 30 lá encontro uma providencial casa-de-banho e, ainda por cima, com o essencial papel higiénico. Uma paragem de poucos minutos, deixou-me pronto para o resto da corrida. Nesta altura, fruto dos 10 quilómetros percorridos com muita dificuldade, já sabia que não ia conseguir fazer um tempo na casa das quatro horas como desejava. Mas achava que ainda seria possível fazer 4h20m, o que me parecia muito bom. Foi a fazer as contas do ritmo que precisava de correr até final que atingi o quilómetro 35. Na zona de abastecimento, os corredores que iam à minha frente pararam para beber água e eu, decidi fazer o mesmo. Seria uma pausa de alguns segundos, antes dos 40 minutos finais.
Quando tentei retomar a corrida, as minhas pernas decidiram não colaborar, de repente senti as dores nos gémeos, joelhos e calcanhares. Ainda corri uns dois quilómetros, mas a partir do quilómetro 37, decidi que já chegava, tinha esgotado a minha força psicológica no esforço que fiz para continuar a correr antes de encontrar uma casa-de-banho. Foi a andar, ao ritmo mais apressado que me era possível, que cheguei ao quilómetro 41. Aqui, achei que devia fazer o último esforço, iria correr até à meta. De forma alguma iria cruzar a meta a andar.

Fruto destas desventuras, acabei por fazer o tempo final de 4h 46m 36s. Confesso que se há uns meses me tivessem dito que eu concluiria a maratona neste tempo eu nem achava muito mal. Agora sinto que foi uma derrota. Sinto que tinha capacidades para fazer muito melhor, e sei que na próxima vou mesmo baixar o meu recorde pessoal em muitos minutos.