Eu30 May 2007 6:53 pm

Confesso que me faz alguma impressão as pessoas que parecem estar permanentemente satisfeitas com tudo. Acho sempre que são pessoas que tentam esconder as suas frustrações, em especial delas próprias. Lembro-me de uma colega que depois de ter terminado o seu contrato e ter iniciado outro noutras funções, em que recebia muito menos do que no anterior, ter comentado como estava feliz porque o anterior trabalho lhe causava muito stress (o que nem me parece que fosse o caso).

Mas julgo que o contrário é ainda pior, estar num estado de permanentemente insatisfação, e é precisamente nessa categoria que me encontro, pelo menos em algumas áreas da minha vida. Veja-se, por exemplo, os relacionamentos. Se estou num relacionamento com grandes discussões, sinto falta de uma relação mais tranquila, em que as coisas sejam mais calmas. Quando, por outro lado, estou numa relação muito calma, aborreço-me com a falta do estímulo de uma discussão. Quando conheci a única namorada que tive no Luxemburgo, ao fim de poucos minutos de conversa sobre cinema ela disse que discordava de tudo o que eu tinha dito. Por incrível que possa parecer esta atitude atraiu-me mais do que ouvir os "normais": "és muito giro" ou "és muito inteligente". É claro que isto não se alterou posteriormente enquanto namorávamos, o que me levou a pensar que alguém que discordava de quase tudo o que eu fazia ou dizia provavelmente não gostava assim tanto de mim. No entanto, quando conheço alguém e ouço comentários elogiosos, sinto saudades do estímulo intelectual que é ter alguém constantemente a discordar de mim.

Desporto27 May 2007 8:21 am

Para os interessados, deixo um link com os últimos segundos da minha maratona:

http://www.finisherclip.com/en/previews/index/9/2845/DSL/links

Desporto 8:09 am

Uma semana depois, altura para finalmente fazer um relato do que foi a minha primeira maratona.

Antes da corrida a ansiedade era muita, mas confesso que estava optimista. Se de facto o treino ficou aquém do que a distância exige, sentia-me bem fisicamente e pensava que na altura certa teria a força psicológica para ultrapassar as dificuldades.

Antes da partida

As minhas inúmeras leituras sobre os problemas que podem ocorrer durante uma maratona tinham-me levado a organizar um mecanismo de abastecimento com a preciosa ajuda da Elsa e Rita, que tinham vindo passar uns dias ao Luxemburgo.

O início fez-me pensar que o meu optimismo era justificado. Continuava a sentir-me bem e os quilómetros iam passando sem que sentisse o cansaço. Pouco depois do quilómetro 18, era a altura para o segundo dos abastecimentos combinados com a minha "equipa de apoio". Decidi comer uma barra de cereais juntamente com a bebida isotónica. Imediatamente senti que esta não tinha sido uma combinação feliz, pouco depois percebi que seria impossível correr mais de duas horas sem ir a uma casa de banho. E é nesta altura que se inicia a procura por uma casa-de-banho, a organização tinha instalado umas quantas e pensei que não seria difícil encontrar uma.

Por volta dos 20 Kms

Pouco depois dos 20 km, finalmente encontro uma. Uma vistoria rápida permitiu-me concluír que não tinha papel higiénico, teria de esperar pela próxima. Cinco quilómetros depois, que foram percorridos a um ritmo muito lento e que me pareceram uma autêntica maratona, finalmente encontro outra casa-de-banho. E, mais uma vez, sem papel higiénico. Começo a pensar se a situação não seria igual em todas as casas-de-banho, e nesta altura tinha já a certeza que seria impossível correr mais 17 quilómetros sem aliviar aquela indesejada vontade. Mesmo a um ritmo muito mais lento do que eu desejava, não sei como consegui correr durante mais cinco quilómetros, sempre que passava perto de um café ou restaurante, pensava que deveria optar por tentar utilizar a casa-de-banho destes estabelecimentos, mas acabei por continuar a correr, até que por volta do quilómetro 30 lá encontro uma providencial casa-de-banho e, ainda por cima, com o essencial papel higiénico. Uma paragem de poucos minutos, deixou-me pronto para o resto da corrida. Nesta altura, fruto dos 10 quilómetros percorridos com muita dificuldade, já sabia que não ia conseguir fazer um tempo na casa das quatro horas como desejava. Mas achava que ainda seria possível fazer 4h20m, o que me parecia muito bom. Foi a fazer as contas do ritmo que precisava de correr até final que atingi o quilómetro 35. Na zona de abastecimento, os corredores que iam à minha frente pararam para beber água e eu, decidi fazer o mesmo. Seria uma pausa de alguns segundos, antes dos 40 minutos finais.

Quando tentei retomar a corrida, as minhas pernas decidiram não colaborar, de repente senti as dores nos gémeos, joelhos e calcanhares. Ainda corri uns dois quilómetros, mas a partir do quilómetro 37, decidi que já chegava, tinha esgotado a minha força psicológica no esforço que fiz para continuar a correr antes de encontrar uma casa-de-banho. Foi a andar, ao ritmo mais apressado que me era possível, que cheguei ao quilómetro 41. Aqui, achei que devia fazer o último esforço, iria correr até à meta. De forma alguma iria cruzar a meta a andar.

Frustração depois da chegada

Fruto destas desventuras, acabei por fazer o tempo final de 4h 46m 36s. Confesso que se há uns meses me tivessem dito que eu concluiria a maratona neste tempo eu nem achava muito mal. Agora sinto que foi uma derrota. Sinto que tinha capacidades para fazer muito melhor, e sei que na próxima vou mesmo baixar o meu recorde pessoal em muitos minutos.

Eu26 May 2007 2:56 am

Depois de uns dias deslocado em trabalho na cidade de Varese, Itália, onde fiquei alojado num hotel sem ligação à internet, eis que regresso a casa e volto a estar em "contacto com o mundo".

Foram dias marcados por muito trabalho, pela excelente gastronomia italiana e também pela oportunidade para recuperar do enorme esforço da maratona de Sábado passado.

Foi também a minha primeira experiência de auditoria a uma escola europeia, e devo confessar que fiquei positivamente impressionado. Se fosse professor, certamente que tentaria obter informações sobre as condições de candidatura para leccionar numa escola europeia. 

Desporto20 May 2007 8:09 am

Ontem tentei então correr a minha primeira Maratona, e digo tentei porque não consegui correr os 42,195 Km. É verdade que terminei a prova, mas o final foi tão penoso que tive que andar uma grande parte dos últimos 7 kms de prova. Deixo aqui os meus tempos parciais, já descontando os 5′37" que demorei a cruzar a linha de partida:

10 km - 57′ 04"

21 km - 2h 01′ 38"

28 km - 2h 44′ 21"

Final -  4h 46′ 36"

O que os números não revelam são as razões para a quebra no final da prova. Como se vê, a meio da prova o meu tempo indicava um tempo final próximo das 4 horas. O que aconteceu depois? Isso será explicado noutro post.

Uma das coisas que não me posso queixar é de falta de apoio, desde pessoas que não conhecia de lado nenhum,  passando por pessoas que não via há muito tempo e, claro, a presença constante da Elsa, Rita e Tünde. Aliás, nos últimos quilómetros pensei muito nestas três apoiantes, cujo apoio incansável, certamente, merecia que o meu tempo fosse bem melhor do que foi.

Acho que esta minha primeira Maratona não foi a última, e na próxima, vou certamente tentar correr durante os 42 kms. 

Desporto19 May 2007 8:56 am

Daqui a pouco mais de oito horas estarei a iniciar a minha primeira tentativa para correr uma Maratona. Se tudo correr bem, cerca de quatro horas depois deverei estar a terminá-la.  Acho que não preciso de dizer que neste momento é difícil pensar noutra coisa que não seja esta corrida.

É verdade que o treino não foi aquele que 42 kms exigiam, mas confesso que continuo a achar que é possível concluir a maratona. E o meu habitual optimismo não se fica por aqui. Se no início apontava 4h30 como sendo um bom tempo para esta prova, agora sinto que posso fazer um tempo entre 4h e 4h15. Num optimismo exagerado, imagino-me mesmo a terminar em menos de 4 horas. Será que faz mal sonhar?  

Poker14 May 2007 1:02 am

Já aqui tinha dito que este Domingo era o dia de participar na qualificação para a final do primeiro Campeonato Luxemburguês de Poker. De um total de 133 participantes na minha eliminatoria, 30 seguiriam para a final.

O início foi bastante tranquilo, o obectivo principal era ir conhecendo os adversários que estavam na minha mesa e, ao mesmo tempo, reparar nas outras mesas nuns quantos jogadores que seguiam os rituais dos profissionais: óculos escuros, camisola dos sites de poker e os intermináveis truques com as fichas. De destacar também a presença de mulheres, talvez umas 10, uma das quais estava situada na minha mesa, mas que seria eliminada, precisamente por mim, o que me permitiu quase duplicar o meu pecúlio de fichas. Às 19 horas, após 5 horas de torneio, é feito uma pausa de 30 minutos para jantar, e eu continuava numa situação que, não sendo a ideal, me permitia acalentar esperanças de ficar nos 30 que se apurariam para a final. Pouco depois do recomeço após o jantar, ganho três mãos praticamente seguidas, que me permitem não só aumentar as minhas fichas para 70.000 (no início todos os jogadores recebiam 10.000), como enervar o jogador que era o líder na minha mesa e que se via ultrapassado por mim. Estavam nesta altura em jogo pouco mais de 40 jogadores e estava numa situação tão favorável que me bastaria esperar e não arriscar nada para ficar nos 30 primeiros. Não foi no entanto isso que fiz, acabei mesmo por eliminar o jogador que tinha liderado a minha mesa ficando com cerca de 170.000.

Por volta das 21 horas, finalmente é eliminado o jogador que fica em 31º e estão apurados os 30 que vão disputar a final. Pensei que o torneio terminaria ali, mas afinal não, dado que este campeonato conta para o ranking luxemburguês de poker iria continuar a jogar-se até que só restasse um jogador. A motivação já não era a mesma, mas continuei a tentar jogar o melhor que sei, e enquanto alguns jogadores iam sendo eliminados, eu continuava a aumentar o meu número de fichas. Às 23 horas, o grupo fica reduzido aos 9 que iriam disputar a mesa final, numa altura em que eu era o 3º em número de fichas. Rapidamente (cerca de 30 minutos) são eliminados os seis que estavam atrás de mim, e eu estava já muito próximo do jogador que estava em segundo lugar. Pouco depois este jogador é eliminado pelo líder, ficando por isso a disputa reduzida a dois jogadores, sendo que eu teria talvez um quinto das fichas do outro jogador. Se a situação parecia dificil, um "bluff" falhado tornou-a virtualmente impossível. Ainda resisti mais uns minutos, mas acabei por terminar no 2º lugar, que me dará uma boa pontuação para o ranking luxemburguês de poker, mas acima de tudo me permite estar presente no próximo dia 9 de Junho na final a disputar no Hotel Novotel na cidade do Luxemburgo. Para os que morem no Grão-Ducado do Luxemburgo, deixo a sugestão para que assistam ao vivo a esta final. Os que gostam de poker e costumam seguir as transmissões televisivas vão perceber que ao vivo tem outra piada, para os outros, que ainda não conhecem bem este jogo, esta é a oportunidade de perceber porque é que a sua popularidade continua a crescer.

Música13 May 2007 5:40 am

Enquanto decorria a final do Festival da Eurovisão da Canção, tive a oportunidade de assistir a um magnífico concerto de Mariza, no qual ela conseguiu conquistar todos os presentes, incluíndo muitos não-portugueses. Isto aconteceu na mesma semana em que enviámos para o concurso da Eurovisão mais um exemplo da nossa música pimba que, apesar dos constantes apelos na RTPi ao voto dos emigrantes, acabou por não se classificar para a final, mesmo tendo sida a melhor classificada dos países da Europa Ocidental.

Não estou a defender que se seleccione o fado para nos representar na Eurovisão, nem sequer que se escolha uma música com qualidade. Na verdade, a votação de ontem mostrou que este Festival da Eurovisão, com o recurso ao televoto, perdeu a pouca credibilidade que tinha e a manter-se nestes moldes, não sei até que ponto faz sentido que Portugal (ou qualquer outro país da Europa Ocidental) continue a competir num concurso em que as votações, mais do que a qualidade das canções, reflectem o peso de relações políticas ou a presença de emigrantes.

Desporto, Poker11 May 2007 10:35 am

A oito dias da Maratona do Luxemburgo, a tal sobre a qual já aqui escrevi tantas vezes (aliás, devo ter falado mais sobre esta maratona do que corrido para me preparar para ela!), é difícil evitar alguma ansiedade, em especial porque não sei como vai reagir o meu corpo a correr durante quatro horas, e como vai ser experimentar o tão famoso "muro", a altura em que o corpo esgota as reservas de glicogénio.

Mas este fim-de-semana vou participar noutro evento que aguardo igualmente com alguma curiosidade, falo do primeiro campeonato luxemburguês de Poker, a minha primeira experiência num grande torneio ao vivo de poker. Depois de uma (muito) modesta participação num pequeno torneio organizado num bar Luxemburguês, em que consegui a "proeza" de ser o último classificado em 36 participantes, espero desta vez conseguir melhores resultados. Aliás, ainda não desisiti do desejo de um dia participar no World Series of Poker em Las Vegas, o famoso campeonato mundial de poker, que o ano passado tinha como prémio para o vencedor do torneio principal, uns impressionantes 12 milhões de dólares.

Texas Hold'em

Eu, Viagens3 May 2007 9:49 am

As minhas últimas visitas a Portugal têm servido também para muita reflexão. Se não existissem outras razões para vir ao meu país, só isso já justificaria a viagem. Felizmente existem outros motivos, e em cada visita parece que descubro novas razões para voltar mais frequentemente.