O Luxemburgo é para muitas pessoas apenas um local de passagem no seu percurso profissional. Isto é particularmente verdade para os funcionários das Instituições Europeias. Além dos muitos estagiários e agentes temporários que por cá ficam durante um período que vai de alguns meses a alguns anos, há também aqueles que, mesmo sendo funcionários efectivos, se cansam dos preços elevados das casas no Luxemburgo, e se decidem por uma transferência para Bruxelas onde os custos de habitação são bem mais reduzidos.
Esta movimentação leva a que desde que cheguei ao Luxemburgo, há cerca de um ano e meio, muitas foram as pessoas que conheci que entretanto saíram do Luxemburgo. É claro que a juntar às pessoas que saíram, tenho que considerar o grupo das pessoas que, embora permanecendo no Luxemburgo, por uma razão ou outra, se afastaram (ou de que eu me afastei).
Este fim-de-semana, com a despedida de mais uma amiga, voltei a lembrar-me de como todos parecem estar a prazo neste país: os emigrantes que ambicionam fazerem as poupanças suficientes para voltar ao seu país; os empregados dos inúmeros bancos, sujeitos a que uma eventual alteração do regime fiscal transfira os bancos onde trabalham para outras paragens e os funcionários europeus, que parecem estar todos ou à espera do fim do contrato, ou da transferência para Bruxelas ou, no caso dos mais pacientes, à espera da reforma que irão gozar noutras paragens.
Depois, há aqueles que, como eu, não sabem bem o que esperam. Não tenho um sítio a que chame casa e por isso, se não ambiciono passar o resto da minha vida no Luxemburgo, também não tenho a casa a que anseie voltar. Julgo que ainda me falta descobrir o meu Shangri-la.