Não estava a pensar voltar a este tema, pelo menos antes de saber os resultados da votação, mas as últimas propostas de alguns dos defensores do Não (Marques Mendes e Marcelo Rebelo de Sousa) a isso me obrigam.

Não consigo perceber o que estes senhores defendem. O aborto continuaria a ser ilegal, mas não aconteceria nada a quem o praticasse. Isso não é o mesmo que aprovar a liberalização, mas com piores condições para quem pratica o aborto? Assim, o aborto poderia ser feito em "vãos de escada", mas não em hospitais com o mínimo de condições. É o problema de tentar agradar a gregos e troianos!

Acho que só há duas visões deste problema, ou se defende que o aborto é um acto reprovável que deve ser alvo de alguma penalização, e quem achar isso deve votar Não no referendo. Ou então, que quem aborta o faz sempre como último recurso e que, por isso, não deve ser julgada. Os que defendem esta posição, que me parece ser o caso de Marques Mendes e Marcelo Rebelo de Sousa, devem simplesmente votar Sim, porque se a mulher é livre de fazer o aborto, ao menos que o faça com o mínimo de condições.