Muita gente teme um dia endoidecer, também eu durante muito tempo achei que era isso o que eu mais receava quando envelhecesse. Esse receio aumentou quando, pouco tempo depois de começar a jogar xadrez num clube, li um livro sobre a História do Xadrez e percebi que muitos jogadores terminavam a sua vida sem a plena posse das suas faculdades mentais. Hoje percebo que não quero endoidecer, não por mim, até porque ser doido acho que é a maneira mais segura de ser feliz, mas pelos que gostam de mim, pelos amigos e familiares que são os que mais sofrem nestas situações.

Mas há algo que receio ainda mais, perder a memória. Sempre tive boa memória e sempre confiei demasiado nela, como se tivesse a certeza que a manteria para sempre. É claro que não é assim, e confesso que sinto que já não tenho a capacidade de memorização que possuía há uns anos. A verdade é que continuo a exigir muito dela, antes, na era pré-telemóvel sabia dezenas de telefone de cor, e ainda hoje me lembro de alguns deles. Agora, com o advento da internet, há uma série infindável de códigos de utilizador e respectivas palavras-passe. Desde o acesso ao sistema no emprego, diferentes aplicativos no emprego (e são alguns, acreditem!), ao acesso ao home-banking, ao acesso a alguns sites (não esses que estão a pensar!), diferentes PINs dos diversos cartões bancários e de telemóvel, acesso ao site onde jogo xadrez, aos sites onde jogo poker, correio electrónico, até o acesso a este blog, tudo isto são dezenas de códigos, palavras-passe, todos eles escolhidos em momentos diferentes, e com a preocupação, por razões de segurança, de ter códigos diferentes.

Acho que é esse o meu maior receio, um dia acordar sem me lembrar de qualquer um destes códigos, e perceber que quase tudo neste mundo precisa de um nome de utilizador e palavra-passe para funcionar!