Eu, Desporto28 February 2007 12:13 pm

Já várias vezes escrevi sobre a Maratona que pretendo correr em Maio deste ano. Antes de ir de férias, consegui manter uma certa regularidade nas minhas corridas e, mais importante, estava num ponto em que correr, se ainda nâo era um prazer, estava certamente longe de ser o sacrifício de outros tempos.

Apesar de ter levado as minhas sapatilhas de corrida e restante equipamento, durante as férias acabei por não correr. A principal razão é óbvia, correr com o frio com que me deparei não parecia uma opção muito sensata. Junte-se a isto a neve e o gelo nas ruas, e correr poderia tornar-se um desporto perigoso.

Claro que pensava que quando regressasse ao Luxemburgo estas duas semanas de inactividade não se sentiriam. A verdade é que, depois de 4 dias em que adiei o regresso às corridas, ontem quando finalmente me decidi a fazer uma corrida, percebi que isto de correr é um processo constante, parar, mesmo que seja só por duas semanas, implica retroceder a um nível que já tinha sido superado anteriormente. Agora sei que até Maio, as corridas vão ter mesmo de fazer parte da rotina. Hoje, por exemplo, antes de um jantar com alguns colegas portugueses, espero ter tempo (e vontade) para mais uma corridinha. 

Eu, Viagens27 February 2007 3:05 pm

Não tenho muitas fotos desta viagem aos países bálticos. Com temperaturas negativas, ter que me separar das minhas luvas para tirar uma foto parecia-me uma tortura excessiva.

De qualquer forma, deixo aqui esta foto, em que é possível ver a neve omnipresente durante estes dias, bem como o blusão salvador adquirido no fim-de-semana antes da viagem, e que me permitiu "sobreviver" a temperaturas na ordem dos -15º C. Nesta foto é também possível testemunhar um dos raros momentos em que ousei tirar as luvas.

 

Vista de Vilnius

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

(Topo do "Castelo de Gediminas" - Vilnius, Lituânia)

Viagens25 February 2007 9:34 pm

Quase o fim desta aventura báltica. O destino deste dias foi a cidade Vilnius, capital da Lituânia. Começo por destacar que, contrariando os comentários negativos que tinha escutado, a minha primeira impressão até foi positiva.

É verdade que a parte velha não é tão bonita como as de Tallinn ou de Riga, mas também achei o resto da cidade mais bonito do que o que vi fora do centro das outras capitais bálticos. A cidade é, sem dúvida, um paraíso para quem goste de igrejas, há-as de todos os tipos, grandes, pequenas, novas, velhas. Não é difícil perceber que a Lituânia é um país profundamente católico, mas também há as igrejas ortodoxas russas que são muito diferente das católicas, mas com uma coisa em comum, o formulário para que os lituanos possam doar 2% do imposto sobre o seu rendimento à Igreja da sua preferência.

Vilnius foi também a cidade onde me deparei com temperaturas mais baixas, com mínimas sempre abaixo de -10º C. O branco da neve até pode ser muito bonito, mas os longos passeios a pé, têm de ser pontulamente interrompidos por pausas num cafe para aquecer um pouco.

Tive também a oportunidade de provar muitos dos pratos típicos lituanos, e o meu conselho para os que queiram deslocar-se a Vilnius é que não deixem de provar a sopa de cogumelos servida em pão castanho. Uma autêntica maravilha, só é pena este pão não estar à venda no Luxemburgo!

Aconteceu-me algo que não é muito comum. Em todos os bares a que fui, e até foram alguns, o número de mulheres era claramente superior ao dos homens. Acho que isso me ajudou a perceber o que traz alguns turistas a estas paragens. Este é sem dúvida um bom sítio para um homem fortalecer o seu ego.

Duas notas negativas para Vilnius e que até estão ligadas, Achei que a cidade está menos bem preparada para o turismo que as outras capitais bálticas e o número de pessoas que falam inglês é também mais reduzido. Numa cidade que tenta impôr-se turisticamente, achei surpreendente que os empregados das lojas raramente compreendessem inglês básico. Uma última nota para as dificuldades que tive em encontrar uma paragem de táxis ou um caixote de lixo durante alguns dos meus passeios.

Sociedade 8:46 pm

Hoje, estava a "conversar" com alguém no MSN Messenger, quando a minha interlocutora escreveu a seguinte frase, "Não quises-te". Confesso que fiquei arrepiado com este erro, um dos que me provoca mais confusão. Mas logo depois ela escreveu " Corrijo". Pensei, "vá lá, tratou-se de um erro ao tentar escrever rapidamente, e vai corrigi-lo", enquanto pensava isto, ela escreveu a frase corrigida, "Não podes-te". Confesso que depois desta frase fiquei sem qualquer vontade de continuar a conversa, não sabia se devia alertar para o erro, ou simplesmente despedir-me. Optei pela segunda hipótese.

P.S. Touché! Acho que é bem feito que num post em que critico o erro de outra pessoa, acabe por cometer um erro ortográfico! (post-scriptum escrito depois de ter alterado ’corrijo-lo’ para ‘corrigi-lo’)

Eu, Viagens 8:34 pm

Depois de ter regressado ao Luxemburgo na noite da passada quinta-feira, ainda não tive vontade de terminar o relato das minhas férias por destinos bálticos. Espero esta noite ter a vontade para o fazer.

Livros19 February 2007 12:01 pm

Férias são também sinónimo de leitura, em especial durante as viagens.

Num dos livros que li durante estas férias ("Num País Livre" de V.S. Naipul) encontrei uma frase que acho que se poderia aplicar ao que sinto muitas vezes:

"Procurava companhia mas precisava de solidão; procurava chamar a atenção mas, ao mesmo tempo, queria passar despercebido".

Viagens 8:07 am

Baltic Imperial Hotel (Tallinn) - 8/10

Recomendo este hotel para quem quiser conhecer Tallinn. Boa localização, muito boa relação qualidade/preço.

Tallinn (Estónia) - 8/10

Óptimo destino para um fim-de-semana. Talvez não seja pior ir numa altura em que as temperaturas não sejam negativas!

Viagens18 February 2007 11:44 am

Depois da desilusão que foi o primeiro dia em Riga, o encanto com a beleza de Tallinn. Claro que ajudou o facto de o hotel ficar muito bem localizado, em plena "Old Town".

Adorei a cidade e agora compreendo o facto de ser um destino turístico cada vez mais popular. A beleza das estonianas não me surpreendeu, até porque, eu próprio já namorei com uma. A grande surpresa foi talvez a qualidade dos restaurantes da parte velha de Tallinn. Destaco em especial dois: "Old Hansel" e "Turg", boa comida num ambiente medieval e excelente serviço. Quem for até Riga não pode deixar de visitar um destes dois restaurantes.

Outra coisa que me surpreendeu foi a profusão de casinos. Nunca imaginei que em Tallinn pudessem existir dezenas de pequenos casinos abertos 24 horas por dia. Depois de dez anos (a última vez tinha sido em 1997) voltei a jogar num casino, agora espero não voltar até 2017, a não ser, claro, que seja para jogar um torneio de poker em Las Vegas, Monte Carlo ou Macau!

Aproveitando a reconhecida beleza das estonianas não flatam também os negócios que tentam aproveitar isso. Desde bares, disoctecas, saunas e casas de massagem, tudo é promovido destacando a beleza das nativas. Confesso que tenho pena que a Estónia aposte neste tipo de turismo, achei um pouco degradante entar num bar e ver raparigas de pouco mais de 18 anos (se tanto) a darem conversa a cinquentões ingleses a troco de bebidas de borla. Este tipo de contactos não era, de todo, o objectivo da minha viagem, mas acabei por ser abordado por uma jovem de cerca de 20 anos que depois de me pedir um cigaro e eu responder que não fumava, me perguntou se eu não desejava uma companhia para a noite. Certamente que nessa noite teve mais sorte com outro estrangeiro.

A pior experiência destes dias em Tallinn foi mesmo a minha tentativa de praticar o esqui nórdico, autêntico desporto nacional. Duas quedas em cinco minutos, fizeram-me entender que o esqui não é mesmo para mim.

No fim de três dias, fiquei com a sensação que muita coisa ficou para ver e fazer, por isso, Tallinn está na lista de sítios a visitar num futuro próximo.

Depois, uma maratona de autocarro até Vilnius que, todos aqueles com quem falei que conheciam as capitais bálticas consideraram ser a menos interessante das três. Daqui a uns dias aqui estarei para deixar a minha opinião sobre a capital da Lituânia.

Sociedade15 February 2007 11:44 am

Não, o meu calendário não está errado! Bem sei que já passou o dia 14 de Fevereiro, mas dado que ontem não tive oportunidade de escrever, faço-o hoje.
O dia 14 de Fevereiro, mesmo na altura em que namorava, nunca teve um significado especial para mim, muito menos nos últimos anos. No entanto, ontem aproveitei o final da manhã para dar um passeio pelas ruas de Lisboa, e confesso que gostei de ver muitos casais com flores, de mãos dadas, com um ar apaixonado… Bem sei que alguns podem dizer que este dia só serve para "alimentar" o comércio, mas se a par disso, for possível aumentar as provas de carinho entre os casais, acho que vale a pena.

Viagens14 February 2007 7:10 pm

Ainda é cedo para dar uma classificação à cidade de Riga, terei de aguardar pelo final desta viagem quando lá voltar. Posso desde já classificar o hotel ao qual, felizmente, não volto.

Toss Hotel (Riga) - 1/10

Viagens 6:27 pm

Início desta aventura báltica.

Como quase sempre, consegui deixar tudo para a última hora. A mala que trouxe comprei-a pouco antes das 11h, isto quando saí de casa por volta das 11h30!

O objectivo era viajar leve, e desta vez até acho que o consegui. Uma mala com 16 kgs. não é muito para uma viagem de nove dias. Resta saber qual o peso com que regressa. Embora esse não seja, de todo, o objectivo desta viagem não ponho de parte a hipótese de fazer umas compras.

Esta é a priemira viagem que faço desde que adquiri um iPod, cada vez mais me convenço que é das poucas coisas indispensáveis numa viagem.

Entre o autocarro que me levou a Frankfurt-Hahn, o voo para Riga e o táxi para o hotel, passaram-se sete horas. Tempo que deu para ouvir muita música, ler e esquecer tudo o que possa atrapalhar estas férias.

A chegada ao hotel acabou por ser uma desilusão. É verdade que dos hotéis que tinah marcado para esta viagem, este parecia ser o pior, mas acabou por revelar-se ainda pior do que eu imaginava. Mal localizado, um quarto sem o conforto que se poderia imaginar num hotel de três estrelas. E esta manhã, um pequeno-almoço muito fraco que me obrigou a tomar um segundo pequeno-almoço antes de apanhar o meu autocarro para Tallinn.

Viagens13 February 2007 7:22 pm

Primeira supresa desta viagem ao Báltico. Afinal, e ao contrário do que eu pensava, os portugueses não são os únicos a bater palmas aquando da aterragem de um avião.

Sociedade5 February 2007 11:59 am

Não estava a pensar voltar a este tema, pelo menos antes de saber os resultados da votação, mas as últimas propostas de alguns dos defensores do Não (Marques Mendes e Marcelo Rebelo de Sousa) a isso me obrigam.

Não consigo perceber o que estes senhores defendem. O aborto continuaria a ser ilegal, mas não aconteceria nada a quem o praticasse. Isso não é o mesmo que aprovar a liberalização, mas com piores condições para quem pratica o aborto? Assim, o aborto poderia ser feito em "vãos de escada", mas não em hospitais com o mínimo de condições. É o problema de tentar agradar a gregos e troianos!

Acho que só há duas visões deste problema, ou se defende que o aborto é um acto reprovável que deve ser alvo de alguma penalização, e quem achar isso deve votar Não no referendo. Ou então, que quem aborta o faz sempre como último recurso e que, por isso, não deve ser julgada. Os que defendem esta posição, que me parece ser o caso de Marques Mendes e Marcelo Rebelo de Sousa, devem simplesmente votar Sim, porque se a mulher é livre de fazer o aborto, ao menos que o faça com o mínimo de condições. 

Eu, Sociedade4 February 2007 9:19 am

O aborto continua na ordem do dia, com o youtube, pela primeira vez, a desempenhar um papel importante numa campanha em Portugal.

Acho por isso pertinente voltar a este assunto e expressar as razões que me levam a estar do lado do Não:

1º Acho que um embrião/feto é uma vida humana e atentar contra ele deve ser crime.

2º Não sei qual a moldura penal que deve corresponder à prática deste crime. Não partilho a (estranha) opinião de Marcelo Rebelo de Sousa de que este deve ser um crime sem punição.

3º Um dos principais argumentos dos defensores do Sim é o facto da lei actual não ser cumprida, pelo que deve ser mudada. Será que eles são a favor da aplicação da lei que vai vigorar depois da previsível vitória do Sim? Serão favoráveis a penas de prisão para as mulheres que realizem o aborto depois das dez semanas ou fora dos locais autorizados?

4º Outro dos argumentos do Sim, é o de que a solução que eles apoiam ser mais tolerante, na medida em que resolve o problema para as mulheres que querem abortar, sem prejudicar os que se opõem à alteração da lei, que não seriam obrigados a praticar o aborto. Isto talvez seja verdade, mas pela mesma linha de pensamento deveriam abolir-se todas as leis que proíbam qualquer coisa. Será que a solução é um Estado anarquista em que seja proíbido proíbir? 

São estas as minhas razões, e gostaria de acrescentar que ao contrário do que muitos afirmam, Portugal não é o único país da União Europeia em que a prática de aborto nas primeiras semanas de gestação é crime, o Luxemburgo, por exexmplo, tem uma lei que se assemelha à que existe actualmente em Portugal. 

Acho incompreensível que em vez de avançar com o casamento homossexual (isto sim, é um avanço civilizacional) se opte pela liberalização do aborto. Acho que há quem ouça a Igreja nos assuntos errados.

Xadrez3 February 2007 11:01 am

Já que escrevi inúmeras vezes sobre os jogos de xadrez que tenho feito aqui no Luxemburgo, jogando numa divisão em que os meus adversários são teóricamente mais fracos. Isso tem-me permitido ganhar todas as partidas, mas fico com uma sensação de frustração, porque gosto de defrontar adversários mais fortes.

Esta série de vitórias sucessivas tem-me permitido ganhar alguns pontos ELO luxemburguês (para quem não sabe, ELO é um rating que os jogadores de xadrez possuem e que evolui de acordo com os seus resulatdos, neste momento o meu ELO luxemburguês é 1970 e o ELO internacional 1955) mas, dado que os meus adversários não têm ELO internacional, estas vitórias não me têm permitido subir no ranking internacional, naturalmente mais importante porque permite comparar o meu nível de jogo com qualquer outro jogador no mundo.

Por isso, para simultaneamente jogar contra adversários mais fortes e efectuar partidas a contar para ELO internacional, inscrevi-me num torneio em que oito jogadores jogam entre si. As partidas realizam-se à sexta-feira à noite, em Diferdange (a cerca de 40 km da cidade do Luxemburgo). Ontem realizou-se a primeira ronda deste torneio onde, curiosamente, sou o último em termos de ranking. Isto significa que, se os resultados seguissem a lógica, eu seria o 8º e último do torneio. Dado o valor dos meus adversários, teoricamente deveria fazer 1,5 pontos no máximo de 7, ou seja uma vitória e um empate ou, em alternativa, três empates. O meu objectivo é fazer mais do que isto, tentar fazer três pontos, que me permitiram aproximar da barreira psicológica de 2000 como ELO internacional. Dado que estes jogos também contam para Elo luxemburguês, três pontos seriam o suficiente para ultrapassar essa barreira em termos de ELO luxemburguês.

Para já, a primeira partida saldou-se por um empate. Um resultado que sendo bom, dada a qualidade do adversário, poderia ter sido melhor se no final tivesse lutado um pouco mais pela vitória.

Eu, Sociedade1 February 2007 2:31 pm

Muita gente teme um dia endoidecer, também eu durante muito tempo achei que era isso o que eu mais receava quando envelhecesse. Esse receio aumentou quando, pouco tempo depois de começar a jogar xadrez num clube, li um livro sobre a História do Xadrez e percebi que muitos jogadores terminavam a sua vida sem a plena posse das suas faculdades mentais. Hoje percebo que não quero endoidecer, não por mim, até porque ser doido acho que é a maneira mais segura de ser feliz, mas pelos que gostam de mim, pelos amigos e familiares que são os que mais sofrem nestas situações.

Mas há algo que receio ainda mais, perder a memória. Sempre tive boa memória e sempre confiei demasiado nela, como se tivesse a certeza que a manteria para sempre. É claro que não é assim, e confesso que sinto que já não tenho a capacidade de memorização que possuía há uns anos. A verdade é que continuo a exigir muito dela, antes, na era pré-telemóvel sabia dezenas de telefone de cor, e ainda hoje me lembro de alguns deles. Agora, com o advento da internet, há uma série infindável de códigos de utilizador e respectivas palavras-passe. Desde o acesso ao sistema no emprego, diferentes aplicativos no emprego (e são alguns, acreditem!), ao acesso ao home-banking, ao acesso a alguns sites (não esses que estão a pensar!), diferentes PINs dos diversos cartões bancários e de telemóvel, acesso ao site onde jogo xadrez, aos sites onde jogo poker, correio electrónico, até o acesso a este blog, tudo isto são dezenas de códigos, palavras-passe, todos eles escolhidos em momentos diferentes, e com a preocupação, por razões de segurança, de ter códigos diferentes.

Acho que é esse o meu maior receio, um dia acordar sem me lembrar de qualquer um destes códigos, e perceber que quase tudo neste mundo precisa de um nome de utilizador e palavra-passe para funcionar!