No momento em que escrevo estas linhas está a decorrer a última partida do match entre o campeão mundial de xadrez Vladmir Kramnik e o programa de computador Deep Fritz. Neste momento o resultado é de 3-2 a favor de Deep Fritz e, a menos que consiga uma vitória nesta última partida, este match vai resultar em nova derrota para um campeão mundial, depois de há uns anos Garry Kasparov ter perdido com o supercomputador Deep Blue da IBM.
Confesso que não dou muita importància a estes confrontos. Aliás, ninguém se lembra de fazer uma competição entre um guindaste e o campeão do mundo de halterofilismo. Não creio que o facto de os melhores programas serem hoje capazes de derrotar o campeão do mundo de xadrez seja um problema para a humanidade. Isto apenas significa que a informática tem progredido a um ritmo impressionante, e que efectuar biliões de cálculos por segundo é uma vantagem com a qual os humanos dificilmente podem competir.
Talvez depois de mais esta vitória dos computadores, se possa deixar estes confrontos com reduzido interesse, e permitir que os grandes apoios publicitários que se conseguem nestas ocasiões sejam utilizados naquilo que continua a fazer sentido: os jogos entre humanos, daqueles que às vezes cometem erros, mas que também são capazes de rasgos geniais.

