Sociedade30 November 2006 1:38 pm

A semana passada escrevi um post sobre Salazar, em que critiquei o período negro da História de Portugal que foi o Estado Novo. Se critiquei Salazar, também o poderia ter feito em relação aos ditadores soviéticos, que sob o pretexto da "revolução do povo" exerciam o poder pensando em si próprios e não no povo que eles, supostamente, representavam.

Aqui no Luxemburgo tenho convivido com algumas pessoas que viveram em antigas Repúblicas Soviéticas (incluíndo a minha namorada), e os relatos que ouço confirmam o que eu suspeitava: pouco distingue os métodos de Salazar dos utilizados pelos Soviéticos. Na verdade, não há verdadeiras diferenças entre uma ditadura de "esquerda" ou de "direita", a designação não passa de uma questão de cosmética para esconder o verdadeiro objectivo: defender os interesses de uma minoria, sacrificando os direitos dos restantes.

Eu28 November 2006 12:11 pm

Este mês, que está quase a terminar, merece entrada directa para a lista dos meses mais estranhos que alguma vez vivi: aconteceram coisas boas, aconteceram outras más. Acima de tudo, fico com a estranha sensação de que durante uma grande parte deste mês não fui eu próprio…

Se é com os erros que se aprende, este mês tem mesmo de ser uma lição para o futuro.

Eu23 November 2006 5:51 pm

…é precisamente o tempo que falta para igualar o meu recorde de ausència de Portugal, que está ainda fixado em três meses e um dia.

Isto, se se pode considerar que alguém que mora no Luxemburgo, trabalha com colegas portugueses, lê as notícias portuguesas e vê alguns programas da RTP-Internacional, está verdadeiramente fora do país. Normalmente tenho a sensação que moro num local remoto de Portugal, uma aldeia transmontana. É claro que numa aldeia transmontana muito especial, uma vez que tem o rendimento per capita mais elevado do mundo.

Sociedade 1:02 pm

Na segunda-feira, recebi de um colega de trabalho a carta que um leitor da revista Visão teria enviado como resposta a uma crónica escrita por Ricardo Araújo Pereira, em que este gozava com a possibilidade de Salazar poder vir a vencer a eleição do programa da RTP "Os Grandes Portugueses".

Os argumentos apresentados por este leitor da "Visão" para defender Salazar são aqueles muitas vezes repetidos, aos que ele acrescenta alguns mais originais, sendo o meu preferido que embora ele nunca se tenha submitido ao voto popular, se o fizesse teria ganho. Depois ainda refere que ter a censura era melhor do que ler a informação que temos hoje, e evitaria ler crónicas como a que Ricardo Araújo Pereira escreve.

O envio desta carta por parte do meu colega não foi inocente. Já algumas vezes tínhamos discutido Salazar e a guerra colonial, e o email vinha nesta sequência. Enviei logo um email a refutar estes argumentos, ao que se seguiria a contra-resposta de outro dos meus colegas defensores do Estado Novo. Ele terminava a sua resposta dizendo que Salazar foi um grande homem. Confesso que aceito que a avaliação do carácter de uma pessoa seja algo subjectivo, no entanto há certas regras que me parecem universais e que não permitem, em circunstância alguma, considerar Salazar um grande homem:

Salazar foi alguém que mandou prender, torturar e até matar os seus adversários políticos. Criou uma política de terror e medo, que fazia com que as pessoas tivessem medo de comentar o que quer que fosse, pois nunca se sabe onde estaria o "bufo". Julgando-se acima de todos, decidiu que deveria ser ele sozinho a decidir o futuro de um país, em vez de permitir que o povo escolhesse livremente o seu caminho. Perseguiu os artistas e pensadores que não se reviam na sua ideia de Portugal, em que éramos todos pobres mas felizes, as mulheres tinham bigode e os homens bebiam vinho nas tabernas, ajudando assim um milhão de portugueses. Decidiu manter um regime colonialista, não reconhecendo aos povos africanos a soberania sobre a sua terra. Para esse efeito, decidiu hipotecar a juventude do nosso país numa guerra que muitos sabiam ser injusta.

Também acho piada ao comentário que os defensores de Salazar sempre utilizam, que ele era alguém que não enriqueceu com o seu cargo. Na verdade, ele não queria riqueza para ele, mas também não queria para o resto dos portugueses, para que pudessemos viver no Portugal rural que ele tanto admirava. Mas voltando à incorruptibilidade de Salazar, mesmo que seja verdade, e não digo que não o seja, as pessoas que destacam este factor esquecem-se que há valores mais importantes do que a incorruptibilidade, por exemplo, a liberdade. Acho que precisa fazer uma revisão urgente de valores, quem acho que o facto de se ser incorrupto justifica tudo o que referi anteriormente.

Para terminar só quero dizer uma coisa ao Pedro Mota que escreveu a carta, bem como aos que outros que defendem a figura de Salazar: Discordo profundamente da vossa opinião, mas se alguém tentasse impedir-vos de a expressar, estaria do vosso lado na luta pela liberdade de expressão. 

Eu, Noite, Música12 November 2006 10:18 pm

Tal como tinha anunciando aqui, a noite da passada sexta-feira foi a data escolhida para a terceira edição da Festa "Clap your Hands and Say: Yeah!". Confesso que esta ultrapassou as melhores expectativas que eu tinha para estas festas. Há uns meses, quando eu e o Jorge pensámos pela primeira vez organizar uma festa, a ideia era simplesmente passar um bom bocado, no meu caso reviver o bichinho de passar música, depois dos 5 anos que fiz programas numa rádio e, aliado a isso, juntar alguns dos nossos amigos. Tudo isso aconteceu ontem, mas numa escala que não imaginávamos.
As horas que antecederam a festa nem foram as melhores, além do receio que, devido a muitas pessoas estarem de férias, o bar não estivesse com a moldura humana que desejávamos, um problema técnico impediu-me de levar alguma da música que desejava. O início também não fazia esperar o que viria a seguir, uma hora depois da hora marcada para a festa havia apenas umas vinte pessoas, e ninguém estava a dançar, isso levou mesmo a um pequeno desentendido com um dos meus colegas DJs quando lhe disse que estava na hora de pôr toda a gente a dançar. Mas com alguns sucessos, daqueles que toda a gente conhece, passados alguns minutos toda a gente estava a dançar e o bar continuava a encher. Por volta da meia-noite, quando o dono quis fazer uma sessão de percussão com alguns músicos brasileiros já o bar estava totalmente lotado e lá fora algumas pessoas esperavam para entrar. Todos pareciam estar mesmo a divertir-se, aqueles a quem eu tinha enviado um convite agradeciam por o ter feito, havia quem perguntasse pela próxima festa, e o dono do bar, esse estava eufórico, ele que tinha comentado connosco que preferia que fizessemos a festa numa sexta-feira porque costumava ser um dia fraco para o bar, tinha a casa a abarrotar.
Claro que depois deste sucesso há que pensar na próxima, e se ela será antes de uma muito especial que eu quero organizar em Janeiro do próximo ano, na véspera de completar 33 anos. 

Noite, Música8 November 2006 6:16 pm

Sei que apesar de contar com leitores um pouco por todo o mundo, a maior parte dos que consultam este blog residem em Portugal ou no Luxemburgo. Sendo assim, deixo duas sugestões para a noite desta sexta-feira, dia 10 de Novembro de 2006:

Para quem estiver em Portugal, é altamente aconselhável ir até ao Incógnito em Lisboa, ouvir a música da festa "Discos Voadores" com Nuno Galopim. Mais informações aqui.

Para quem resida no Luxemburgo, ou a menos de 250 kms deste simpático país, na noite de sexta é obrigatório ir até ao K’ramba Bar para a 3ª edição da festa "Clap your hands and say: Yeah!", com os DJs Jorge, Tenrinho e LP (eu mesmo!). Vai valer a pena dançar até às 3h da manhã. Se tiver possibilidade depois deixo aqui o registo das canções que passei, mas o melhor é mesmo aparecerem no K’ramba. Até Sexta!

Sociedade6 November 2006 5:21 pm

Não sei se já conheciam o símbolo que venceu o concurso para representar os 50 anos do Tratado de Roma.

Reconheço que até gosto do projecto escolhido: a imitar uma etiqueta de roupa e com uma escolha de cores ligeirmaente inspirada nas cores do símbolo da Google. No entanto, será que só eu acho estranho que um símbolo, que deveria representar a coesão da União Europeia, seja todo ele baseado numa palavra que não tem grafia semelhante em nenhuma das outras línguas oficiais da União Europeia? A menos que o que se pretenda dizer é que esta união de povos se faz, cada vez mais, utilizando o inglês como lingua universal.

Viagens 4:23 pm

Depois de duas idas a Paris durante a Primavera (em 2002 e 2006), não imaginava que Paris no Outono pudesse ser uma cidade tão fria. Para quem, como eu, prefira os parques e as esplanadas parisienses aos museus, não há dúvida que a Primavera e o Verão são as estações certas para visitar Paris.