Aproveitando dois feriados para fazer um fim-de-semana mais longo, eis onde estarei a partir de amanhã e até Domingo.

Aproveitando dois feriados para fazer um fim-de-semana mais longo, eis onde estarei a partir de amanhã e até Domingo.

Quando troquei o Luxemburgo por Portugal, sabia que com esta troca estava também a abdicar do tempo ameno português pela chuva luxemburguesa.
Fi-lo porque achei que aqui teria vantagens que compensavam essa e outras desvantagens. Continuo ainda hoje a achar que tomei a decisão certa.
É por isso paradoxal que em Portugal, e mais concretamente na terra onde vivi uma grande parte da minha vida, se tenha verificado um temporal com chuvadas com uma intensidade que ainda não vivi aqui no Luxemburgo e que hoje, ao olhar pela janela, veja um Sol radiante.
Na sequência do post em baixo, esclareço que a minha pouca assiduidade da escrita tem muito a ver com a ideia que eu tenho que a qualidade da escrita é inversamente proporcional ao estado de felicidade de alguém. Acho que os grandes escritores não são, de uma forma geral, pessoas felizes e acho que, neste momento, a minha escrita neste blog seria provavelmente mais lamecha do que uma letra do Bryan Adams. Ok, talvez não tão lamecha como as músicas do Bryan Adams, mas é difícil superar o mestre!
Tenho recebido algumas queixas sobre a minha pouca assiduidade na escrita. Confesso que fico surpreso, até porque isso significa que mais pessoas do que eu pensava continuam a visitar este espaço. Aqui vai uma breve explicação para esta ausência. Aliás, não uma, mas duas: a primeira é má, trata-se do meu recém adquirido hábito de jogar poker on-line, o problema principal nem é o dinheiro que se perde, até porque há jogos para todas as carteiras, mesmo aqueles que permitem perder (ou ganhar) apenas alguns euros por cada hora de jogo. O pior problema, é mesmo o tempo que se perde, e que poderia ser utilizado em actividades mais proveitosas. Felizmente que também há uma boa razão, aliás, muito boa: ultimamente tenho passado algum tempo com uma pessoa muito especial. Acho que não preciso dizer que me sinto feliz!
Ora deixa cá ver, não escrevo nada no blog há uns dias, assim vou perder os meus últimos leitores. Devia escrever qualquer coisa, mas sobre o quê? O novo Orçamento de Estado? O futuro referendo ao aborto? O ensaio nuclear na Coreia do Norte? Os recordes nas bolsas? As oscilações do preço do petróleo? As anunciadas greves? Não, acho que vou escrever sobre algo que verdadeiramente interesse aos leitores deste blog. Já sei, vou publicar a lista das músicas que passei na minha última festa.
Aqui vão então os dois sets que passei na segunda edição da festa “Clap Your Hands, And Say Yeah!”:
Depeche Mode - Enjoy the Silence
New Order - True Faith
Men Without Hats - The Safety Dance
Pet Shop Boys - Domino Dancing
Soft Cell - Tainted Love
Duran Duran - Is There Something I Should Know
Fine Young Cannibals - Don’t Look Back
Gnarls Barkley - Crazy
The Killers - Somebody Told Me
Breeders - Cannonball
The Cure - Boys Don’t Cry
Suede - Animal Nitrate
Nirvana - Smells Like Teen Spirit
Stone Temple Pilots - Plush
Pearl Jam - Alive
The White Stripes - Fell in Love With a Girl
Pixies - Debaser
Como se vê dois sets em que a idade do DJ é evidente. O primeiro muito marcado pelo pop dos anos 80, já o segundo mais marcado pelo rock dos anos 90. Uma escolha que teve em conta o espaço, mas também a reacção por parte dos presentes. A próxima festa deverá ter outro tipo de música, mas nada como ir lá no dia de 10 de Novembro para ouvir in loco.
Acabo de saber que o prémio Nobel da Paz deste ano foi ganho pelo economista Muhammad Yunus e o seu Grameen Bank. Depois de algumas escolhas polémicas no passado, nomeadamente dar prémios aos responsáveis pelo final de guerras, esquecendo que muitas vezes eles foram igualmente os responsáveis pelo início das mesmas, acho que esta pode ser considerada uma boa escolha.
Haverá melhor forma de contribuír para a paz do que tentar acabar com a pobreza a nível mundial?
Há uns tempos, li uma citação de Yunus em que ele dizia que “um dia os nossos netos teriam de ir a um museu para saber o que era a pobreza”. Mesmo sabendo que esta afirmação é muito optimista, acho que seria possível se existissem muitos mais como ele.
Quando trabalhava em Lisboa tinha um colega com quem por vezes discutia as notícias da actualidade e sempre achei estranho a sua visão acrítica do que via e ouvia na televisão. Como é que alguém que eu considerava uma pessoa inteligente referia como factos inquestionáveis grandes disparates só porque a televisão dizia que era assim? Hoje percebo que ele fazia parte da grande maioria que tem coisas muito importantes para pensar (como vai pagar a prestação do empréstimo ou da casa, onde irá passar as próximas férias, em que colégio inscrever os filhos, e outras questões de igual importância) para se preocupar com a veracidade de coisas que só marginalmente os podem afectar. Esta é, sem dúvida, a visão mais prática: 99,99% das pessoas não tem possibilidade de influenciar mais do que o seu agregado familiar e eventualmente amigos mais próximos, e por isso, faz todo o sentido que se concentrem nisto: no seu microcosmos, com aquilo a que eu chamo de vidinha. Não creio que esta seja uma atitude errada. Tal como escrevi anteriormente, até a acho mais prática. A verdade é que eu não sou assim. Se acreditasse um pouco mais na Astrologia (e nem sou totalmente descrente) diria que era a combinação de signo Aquário com ascendente Touro que me leva a questionar o que me é apresentado como certo. Outros dirão que é apenas o mau feitio que me leva sempre a adoptar a posição de advogado do Diabo.
Mesmo agora, que já tenho televisão em casa, prefiro ler as notícias na Internet a ver os noticiários na TV. Assim, tenho a possibilidade de consultar outras fontes e confirmar a veracidade dos elementos que me parecem estar errados. Também por isso gosto do conceito do blog, em especial dos que aceitam comentários, porque se na televisão normalmente não há quem argumente contra a opinião dos comentadores, nos blogs há a possibilidade de apresentar argumentos que refutem os pontos de vista dos seus autores.
Serão as pessoas que não se preocupam demasiado com o que se passa para além da sua vidinha mais felizes? Não sei, mas até suspeito que sim. Como dizem os Clã na canção Corda Bamba: “feliz a 100%, só mesmo um pateta feliz”.
Às 13 horas luxemburguesas (12 em Portugal) inicia-se o último encontro do match para o campeonato mundial entre o russo Vladimir Kramnik e o búlgaro Veselin Topalov. Com o resultado neste momento a indicar um empate entre os dois jogadores, esta última partida promete ser emocionante.
Para quem quiser acompanhar a partida deixo a sugestão de dois sites:
Site oficial (podem ver a partida sem comentários)
Site de Susan Polgar (podem ver os comentários dela à medida que o jogo se desenrola)
Quando vim para o Luxemburgo, estava curioso em saber quão diferente seria a vida no país com o rendimento per capita mais elevado do mundo. Sempre pensei que não seria tão organizado como imagino a Suécia, até porque isso seria difícil num país com quase 20% de portugueses! Mas achei que tudo funcionaria de uma forma mais eficaz do que em Portugal.
Os primeiros tempos foram de alguma desilusão, achei que os serviços funcionavam como em Portugal, mas a pouco e pouco, vou-me apercebendo das diferenças que, mesmo parecendo insignificantes, fazem muita diferença. Eis alguns exemplos desta eficiência luxemburguesa:
Uma das coisas que me surpreendeu bastante foi a rápida reacção dos funcionários locais aos nevões do último Inverno. A qualquer hora do dia, ou da noite, lá estavam, incansáveis a espalhar sal nas estradas para que fosse possível circular.
A cidade do Luxemburgo continua a desenvolver-se rapidamente e isto, naturalmente, tem motivado muitos trabalhos de construção, não só de casas para os que se podem dar ao luxo de pagar os preços exorbitantes da cidade, mas também de vias de comunicação para os milhares e milhares que todos os dias vèm até cá para trabalhar. Naturalmente que estas obras provocam alguns problemas ao nível de circulação e estacionamento, mas estes problemas são minorados porque há o cuidado de indicar detalhadamente as alternativas para as estradas cortadas, da mesma forma que, quando há uma zona em que num período é proíbido estacionar, o aviso é colocado com muitos dias de antecedência, não apanhando os residentes de surpresa.
Há cerca de duas semanas fui fazer as análises que fazem parte do check-up médico anual. Fiz a recolha de sangue e urina numa terça-feira de manhã, os resultados estavam na minha caixa de correio na quinta-feira à hora de almoço.
Na sexta-feira passada, finalmente decidi enviar o pedido do selo que, na qualidade de residente da cidade, me permite estacionar o meu carro sem ter de pagar parqueamento. O envio foi feito na sexta-feira já depois do horário de expediente, mas na terça-feira, novamente à hora de almoço, lá estava o envelope com o referido selo na minha caixa de correio.
Felizmente que em Portugal as coisas também estão a melhorar. No Verão tive de tratar de alguns documentos numa Loja do Cidadão, e pude constantar como é mais fácil e rápido tratar das sempre indesejáveis questões burucráticas. Acho que estamos no bom caminho, mas o Luxemburgo está um pouco mais avançado neste processo.
Pouco mais de uma semana depois da tal festa em que fui DJ, posso desde já anunciar a realização de mais uma. Um espaço diferente e maior, que irá certamente exigir uma mudança na música, uma vez que a música da última festa foi pensada para o espaço a lembrar uma festa de garagem.
No próximo dia 10 de Novembro, se estiverem pelas redondezas, não deixem de ir ao bar K’ramba na cidade do Luxemburgo.
Provavelmente só mesmo os verdadeiros fãs de xadrez estão familiarizados com o caso da casa-de-banho. Para os que nunca ouviram falar deste caso, faço um resumo.
Nos últimos 13 anos, o Xadrez não tem tido um único campeão mundial de xadrez: a par do campeão oficial da Federação Internacional de Xadrez (FIDE) que neste momento é o búlgaro Topalov, existe um outro campeão, o russo Kramnik, que ganhou este título oficioso depois de derrotar num match, em 2000, o igualmente russo Garry Kasparov. Durante este tempo, muitas foram as tentativas para unificar o título, mas por uma razão ou por outra, nunca foi possível a realização de um match de reunificação. Até que, no final de Setembro, finalmente se iniciou o match que iria terminar este cisma no xadrez e permitir a existência de um, e um só, campeão mundial de xadrez. De um lado, o búlgaro Vaselin Topalov, líder do ranking internacional, famoso pelo seu xadrez de ataque e que era o preferido dos fãs, do outro lado, o russo Vladimir Kramnik, um jogador fortíssimo em matches e que é famoso pelas suas fantásticas qualidades defensivas, e que depois de alguns problemas de saúde parecia estar de volta ao seu nível habitual.
O início deste match de 12 partidas não desiludiu quem esperava um match emocionante, dois jogos de ataque por parte de Topalov, que acabou, no entanto, por cometer erros decisivos, perdendo ambas depois de posições muito prometedoras. Seguiram-se dois empates mais ou menos calmos, até que surgiu o tal caso da casa-de-banho. O empresário de Topalov protestou pelo facto de Kramnik se deslocar muitas vezes à casa-de-banho, implicitamente acusando-o de poder estar a recorrer a ajuda informática nessas visitas. A organização, contrariando o que tinha sido inicialmente concordado, decidiu que em vez de utilizar uma casa-de-banho privada, os jogadores partilhariam a mesma casa-de-banho, à qual se deslocariam acompanhados por um assistente! Alegando que isto ia contra o que fora inicialmente acordado, Vladimir Kramnik acabou por recusar disputar a quinta partida, acabando por perdê-la por falta de comparência. Seguiu-se um período de acusações de um lado e do outro, parecendo que inevitavelmente o match não iria avante. Felizmente, foi possível chegar a um acordo no que se refere à casa-de-banho, voltando à situação inicialmente acordada, mas com a possibilidade de elementos ligados aos jogadores poderem realizar inspecções detalhadas à casa-de-banho do adversário! O problema é que o búlgaro insistiu que não abdicava da vitória por falta de comparência. Com isso, conseguiu aumentar as suas hipóteses de vencer o match, uma vez que fica apenas com menos uma vitória do que o seu adversário, mas por outro lado, conseguiu algo que poucos suspeitavam, um jogador que, devido ao seu estilo, nunca foi o preferido dos amadores de xadrez tem agora o apoio quase unânime entre os jogadores de xadrez. Ao aceitar jogar, mesmo depois de uma derrota injusta na sequência de uma decisão infeliz, Kramnik já garantiu um estatuto de verdadeiro campeão mundial, algo que até aqui nem todos lhe reconheciam. Também eu, que sempre preferi o xadrez de ataque, estou entre os milhões que depois deste episódio, passaram a apoiá-lo.
Uma das coisas que me incomoda é o culto que certas pessoas fazem da mediocridade. Para estas pessoas, que não assim tão poucas, errar é, não só humano, como é mesmo o que caracteriza o Homem, sendo mais humano quem mais erra. Fazer as coisas de uma forma eficaz, ser rigoroso, estar informado, tudo isto são grandes defeitos para este grupo, que acha que quem age assim não é humano, porque erra menos que os outros.
Estas pessoas não acreditam que o Marcelo Rebelo de Sousa leia os livros que recomenda, porque se elas não conseguem ler um livro por mês, como conseguirá ele ler uns quantos por semana. Não gostam do Mourinho, esse arrogante que tem tido muita sorte, mas que, mais tarde ou mais cedo, irá cair em desgraça. Na verdade, sentem-se melhores na sua pequenez insultando aqueles que ultrapassam a mediocridade.
Num post anterior comentei os meus planos para este Domingo: corrida de 16 kms pela manhã e partida de xadrez à tarde. Estava longe de imaginar que não iria realizar nenhum dos dois. Em primeiro lugar a corrida, um erro na hora da corrida juntamente com a pouca de vontade de fazer uma corrida para a qual não me tinha preparado levaram-me a não participar nesta corrida. Já o jogo de xadrez foi mais estranho, depois de ter aceite um convite tardio para almoçar com os meus colegas DJs de ontem, sabia que o almoço terminaria muito perto da hora a que estava previsto começar o meu jogo de xadrez, no entanto, dado que tinha confirmado a minha presença, pensei que isso não traria qualquer problema, até porque, não seriam ums minutos a menos para efectuar a minha partida que prejudicariam o meu resultado. Acabei por chegar dez minutos depois da hora e ao entrar na sala de jogo percebi, com alguma surpresa que, dado o facto de não ter estado presente à hora de jogo, pensaram que eu não viria e optaram por pôr outro jogador no meu lugar. Confesso que não gostei da situação. Compreendo que não tenham querido arriscar uma falta de comparência mas, dado o facto de ter confirmado que jogaria e dada a diferença de valor para o jogador que me substituíu, acho que estava à espera de outra atitude.
Em condições normais, esta época teria mudado de clube, mas fui surpreendido pelo facto de no Luxemburgo a inscrição numa equipa de xadrez não ter de ser confirmada todos os anos como em Portugal. Como no prazo limite para transferências, não manifestei vontade de mudar de clube fiquei “condenado” a jogar xadrez num clube onde, não só todos os jogadores são mais velhos do que eu (não há ninguém com menos de 40 anos), como o luxemburguês é a língua oficial, e alguém que se expresse noutra língua é visto como se de uma aberração se tratasse. Apesar disto, e porque gosto muito de jogar xadrez, estava disposto a mais uma época a jogar jogos contra adversários de menor valia e a fazer parte de uma equipa com um rendimento muito baixo. Depois de hoje não sei. Sei que tive alguma responsabilidade, mas não sei se me apetece jogar nestas condições. Acho que me vou limitar a participar em torneios individuais, onde poderei jogar com jogadores mais fortes e começar a seleccionar a equipa para o próximo ano.
Para terminar uma nota irónica, eu que normalmente tento prezar pela pontualidade, acabo por não realizar as actividades que tinha previsto para hoje por causa de não conseguir chegar a horas.
E ontem, finalmente, foi o dia da festa que eu e mais dois colegas portugueses organizámos num bar no Luxemburgo.
O início não foi tão bom como imaginavamos: na primeira hora de festa os presentes eram muito menos do que imaginavamos e também a reacção à nossa música não era a mais entusiástica. Depois, as coisas melhoraram, a sala ficou cheia, algumas pessoas estavam claramente a divertir-se e nós, os três DJs da noite estavamos neste grupo.
Para a próxima festa, que espero que seja em menos de três meses, talvez apostemos noutros sons. Quando houver data e local claro que farei aqui a divulgação.