Desde que estou a morar no Luxemburgo, já ouvi, algumas vezes, relatos de empregadas de limpeza portuguesas que, de uma forma mais ou menos explícita, tentam “promover” as suas filhas junto de jovens e solteiros “patrões”.
Quando eu próprio arranjei uma empregada de limpeza, não achei estranho que ela viesse com a filha. Pensei que se tratava de uma forma de rentabilizar o tempo. Eu pagava quatro horas e elas, como eram duas, só trabalhavam duas horas. Talvez também tenha preferido pensar que esse era o único objectivo, porque a filha tinha cerca de 16 anos, o que, para quem não sabe, é exactamente metade da minha idade!
Ontem, bem cedo, recebi uma chamada da minha empregada de limpeza. Estava doente e o trabalho seria feito pelas duas filhas.
Uns minutos antes da hora combinada lá chegaram elas: a de 16 anos que eu já conhecia e a mais velha, talvez com uns 20 e nela, confesso que algo me pareceu errado. Não sendo eu, de todo, um especialista nas questões das limpezas, pareceu-me que calças justas e sapatos de salto alto não seria o traje indicado para as tarefas em causa, mas a opinião dela era outra, e passados poucos minutos, lá estava ela, do alto dos seus saltos altos a atacar a sujidade da casa-de-banho.
Pode até dar-se o caso de ela não ter tentado impressionar-me, mas muito simplesmente ser daquelas pessoas que acha que os saltos altos são o indicado para todas as ocasiões, como uma ex-namorada minha que até num concerto da Madonna não os dispensava.