Desde que iniciei a minha aventura emigrante no Luxemburgo, esta é a minha 5ª viagem a Portugal, uma média de uma viagem de dois em dois meses. A média parece-me boa, e se continuar a morar no Luxemburgo, quero continuar a vir ao meu país com alguma regularidade (confesso que viria mais vezes se existissem vôos nocturnos nos dois sentidos). Mas esta viagem não foi igual às outras: não sei se foi o sucesso português no Mundial; se a campanha organizada pela imprensa estrangeira contra a equipa portuguesa, liderada por uns ingleses que lidam muito mal com a derrota; ou se foi muito simplesmente o facto de já estar fora há quase um ano. A verdade é que senti uma sensação muito especial quando o avião sobrevoou a minha saudosa Margem Sul e aterrou na cidade de Lisboa.
Começo a entender aquilo que os emigrantes dizem de viver o país de uma forma especial. Quando estava em Portugal, era Português mas não havia outra hipótese. Agora não, podia facilmente ignorar o que se passa em Portugal e podia falar o português só de vez em quando. Mas será que podia? Na verdade não. Isso era ir contra mim. Sou Português, e mesmo vendo que há muitas coisas a corrigir, não consigo deixar de sentir que este é o meu país.