Tinha eu anunciado que o meu regresso aos torneios de xadrez era hoje, mas afinal enganei-me. O facto das inscrições terminarem mais cedo do que a hora que eu pensava impediu-me de participar. Mas nem tudo está perdido. Assim aproveito para ir ao cinema, ver o United 93, o filme baseado num dos mais interessantes episódios do 11 de Setembro.
Hoje, depois de algumas semanas de ausência, o regresso a um torneio de xadrez. E descobri que há mais uns 2 ou 3 torneios de partidas rápidas que posso disputar antes de ir para Portugal.
Acho que sinto mesmo a falta de umas boas partidas de xadrez.
Depois de se saber que o vencedor da Volta a França, Floyd Landis, acusou positivo num controlo anti-doping a seguir à etapa onde fez a notável recuperação que lhe permitiria ganhar a prova, é a vez de se confirmar o controlo positivo do campeão olímpico e recordista mundial dos 100 m, Justin Gatlin, que, aos 24 anos, se vê erradiado para sempre das competições.
Como eu escrevia aqui, antes do início da Volta a França, no ciclismo e no atletismo de velocidade os casos são demasiados para que se possa pensar que se tratam apenas de casos isolados.
A vida vai-me dando, constantemente, lições muito importantes. Embora algumas delas acabe por fixar, a verdade é que insisto em repetir velhos erros.
Neste blog, assumidamente narcisista, tenho tendência a falar muito de mim, mas essencialmente das coisas boas.
Dos defeitos, com excepção da omnipresente preguiça, vou falando muito pouco.
Hoje deixo mais um, a dificuldade que tenho em lidar com situações que não compreendo. Bem sei que, felizmente, todos nós somos imprevísiveis e os nossos actos não são sempre determinados por uma causa lógica. Mas confesso que, por vezes, quando não compreendo o que levou alguém a agir de determinada forma para comigo, tento dissecar as razões para essa atitude. É claro que muitas vezes não há razões, ou então há apenas uma muito forte: o instinto. E é isso que eu não posso esquecer. Podemos achar que somos racionais, que os nossos actos são todos determinados por motivos lógicos, mas na verdade somos animais, guiamo-nos muitas vezes por instintos. Quantas vezes tenho dificuldade em explicar porque gosto (ou não) de uma pessoa, de uma música ou de um filme? Em que me apetece dizer que simplesmente gosto (ou não), porque sim!
Depois das alterações nos planos iniciais, eis que finalmente está confirmado que vou a Portugal este Verão. Compromissos familiares obrigam-me a ir a Portugal em meados de Agosto e aproveito para ficar cerca de dez dias. É claro que comprar uma viagem de avião para o mês de Agosto, em especial com tão pouca antecedência, obriga-me a pagar muito mais do que nas minhas deslocações anteriores (para quem não percebeu, isto é uma justificação para não levar prendas!).
Até já Portugal (faltam pouco mais de duas semanas)!
Temperaturas acima de 30ºC.
Um terraço onde é possível apanhar Sol até ao pôr-do-sol.
Uma suave brisa.
Internet sem fio que me permite estar on-line no terraço.
Boa música.
Sumo de laranja.
Desculpem os que pensam o contrário, mas é só isto que eu preciso para um excelente final de tarde!
Desde que estou a morar no Luxemburgo, já ouvi, algumas vezes, relatos de empregadas de limpeza portuguesas que, de uma forma mais ou menos explícita, tentam “promover” as suas filhas junto de jovens e solteiros “patrões”.
Quando eu próprio arranjei uma empregada de limpeza, não achei estranho que ela viesse com a filha. Pensei que se tratava de uma forma de rentabilizar o tempo. Eu pagava quatro horas e elas, como eram duas, só trabalhavam duas horas. Talvez também tenha preferido pensar que esse era o único objectivo, porque a filha tinha cerca de 16 anos, o que, para quem não sabe, é exactamente metade da minha idade!
Ontem, bem cedo, recebi uma chamada da minha empregada de limpeza. Estava doente e o trabalho seria feito pelas duas filhas.
Uns minutos antes da hora combinada lá chegaram elas: a de 16 anos que eu já conhecia e a mais velha, talvez com uns 20 e nela, confesso que algo me pareceu errado. Não sendo eu, de todo, um especialista nas questões das limpezas, pareceu-me que calças justas e sapatos de salto alto não seria o traje indicado para as tarefas em causa, mas a opinião dela era outra, e passados poucos minutos, lá estava ela, do alto dos seus saltos altos a atacar a sujidade da casa-de-banho.
Pode até dar-se o caso de ela não ter tentado impressionar-me, mas muito simplesmente ser daquelas pessoas que acha que os saltos altos são o indicado para todas as ocasiões, como uma ex-namorada minha que até num concerto da Madonna não os dispensava.
Quando escrevo este post, este blog está inacessível há algumas horas. Não sei quanto tempo irá demorar esta falha técnica, mas quando conseguirem ler este post é sinal de que os problemas já estarão resolvidos. Não deixa de ser estranho estar a escrever algo que não fica imediatamente disponível, mas eu vou continuar a fazê-lo. Vou escrever quando tiver vontade de o fazer, certo de que esta falha técnica será resolvida. Talvez não seja hoje, porque é Domingo, e os técnicos estejam lá onde estiverem (confesso que nem sei em que continente o servidor está alojado) têm direito ao seu descanso.
Será que depois desta falha técnica, perco mesmo os 4/5 leitores que estoicamente (e demonstrando algum masoquismo) ainda lêm este espaço?
Hoje, ao ir buscar umas camisas à lavandaria mais uma prova da minha monotonia: das dez camisas que trouxe, sete eram brancas completamente lisas. Estas vieram juntar-se às cinco ou seis camisas brancas lisas que tinha em casa. O pior é que acho que a próxma vez que comprar uma camisa ela será… lisa e branca!
No início do ano, os planos para as minhas férias de Verão eram muito claros: iria para Portugal de carro no início de Julho, estaria em Pombal até ao aniversário da minha mãe, depois seguiria para o Algarve, onde ficaria cerca de dez dias, a seguir uns dias pela área de Lisboa (que depois soube que até poderiam coincidir com o espectáculo dos Pixies no Pavilhão Atlântico), isto antes de voltar a Pombal a tempo das tradicionais festas do Bodo. Estava tudo muito bem planeado mas, infelizmente, a marcação das minhas férias não depende só de mim. Há umas semanas atrás percebi que tinha que optar por outro plano, pensei então em adiar a minha ida a Portugal para o final de Julho, estando em Portugal nas três primeiras semanas de Agosto. Agora surge outro plano, não ir a Portugal nos próximos meses, tirar uma semana de férias em Agosto para ir a um sítio próximo (de preferência com praia) e guardar as férias para mais tarde, quando o frio se faça sentir por aqui.
Não sei se alguém se lembra da série “Northern Exposure” que a SIC passava a muito más horas com o título “No fim do Mundo”. Era a história de um jovem médico de Nova Iorque que, para pagar o empréstimo que tinha contraído para tirar o seu curso, comprometia-se a ficar dois anos como médico numa aldeia no interior do Alasca.
Pois bem, estes dias em Almelo são suficientes para perceber o que ele passou, e se é verdade que não conheci o locutor de rádio filósofo, ou qualquer outra das personagens da série, a verdade é que fico com a sensação que muitas das pessoas com quem me cruzo nesta pequena cidade dariam personagens bem interessantes. E até deu para ver alces (!) tal como na série.
Em Almelo, senti o mesmo que nos Açores, as pessoas têm uma enorme calma, e parece que tudo é feito lentamente. Tudo não. No edifício do Ministério das Finanças onde estou em trabalho, a hora de saída normal é antes das 16 horas, a partir das 17 horas já não é possível sair pela porta da frente e às 18 horas o edifício encerra mesmo! Os que acham que os funcionários públicos portugueses saem demasiado cedo, deveriam conhecer estes casos.
A alimentação holandesa é algo que merece também especial referência. A ideia de comer uma refeição quente à hora de almoço é algo que os holandeses consideram muito estranho. Preferem as suas sanduíches, incluindo sempre uma com o célebre croquete. Há também sanduíches de queijo e de fiambre, tudo acompanhado por vegetais, em especial pepino e tomate, e por doses bem generosas de mostarda. Para acompanhar a refeição há duas bebidas possíveis: sumo de laranja ou leite (na versão “leite de manteiga” e normal). Depois de estar aqui, percebi que conheço há muito tempo um holandês, porque o meu irmão não só tem o cabelo claro e olhos azuis como 90% dos holandeses, como é adepto desta alimentação!
Quanto a belezas naturais, é claro que é tudo muito verde e muito bem cuidado (um pouco como no Luxemburgo), mas o meu destaque vai para uma beleza natural muito característica: as mulheres. Altas, louras e todas com um ar bem saudável. Não há dúvida que pedalar deve ser um excelente exercício. Isto porque em Almelo o dia europeu sem automóveis deve passar totalmente despercebido, quase toda a gente utiliza a bicicleta para as deslocações dentro da cidade e quem mora noutras cidades e trabalha aqui, vem de comboio. O parque de estacionamento do edifício onde trabalho, tem habitualmente meia dúzia de carros e muitas dezenas de bicicletas.
Chegado de Portugal, tempo de ir para Amsterdão, não logo de seguida, porque primeiro tentei (infrutífermante) solucionar o problema do sistema de navegação do meu PDA. Não há dúvida que utilizar software pirata tem os seus problemas (cada vez acho mais que estes problemas superam a única vantagem).
Chegado a Amsterdão muito mais tarde do que esperava, já não tive tempo para ver nada da cidade, excepto bicicletas, milhares delas, mesmo passando das 23h.
Hoje, depois de um fatigante dia de trabalho, uma viagem de 150 kms para Almelo, e a oportunidade de perceber que a hora de ponta de Amsterdão começa mais cedo e não fica a dever nada à de Lisboa.
Agora, depois de verificar os mails, e as últimas novidades, vou mesmo comer uma refeição rápida e dormir. Dormir bem cedo, porque amanhã é mais um dia de trabalho cercado por holandeses que, por vezes, se esquecem que eu não falo a sua maravilhosa língua.
Ser Português longe de Portugal
Desde que iniciei a minha aventura emigrante no Luxemburgo, esta é a minha 5ª viagem a Portugal, uma média de uma viagem de dois em dois meses. A média parece-me boa, e se continuar a morar no Luxemburgo, quero continuar a vir ao meu país com alguma regularidade (confesso que viria mais vezes se existissem vôos nocturnos nos dois sentidos). Mas esta viagem não foi igual às outras: não sei se foi o sucesso português no Mundial; se a campanha organizada pela imprensa estrangeira contra a equipa portuguesa, liderada por uns ingleses que lidam muito mal com a derrota; ou se foi muito simplesmente o facto de já estar fora há quase um ano. A verdade é que senti uma sensação muito especial quando o avião sobrevoou a minha saudosa Margem Sul e aterrou na cidade de Lisboa.
Começo a entender aquilo que os emigrantes dizem de viver o país de uma forma especial. Quando estava em Portugal, era Português mas não havia outra hipótese. Agora não, podia facilmente ignorar o que se passa em Portugal e podia falar o português só de vez em quando. Mas será que podia? Na verdade não. Isso era ir contra mim. Sou Português, e mesmo vendo que há muitas coisas a corrigir, não consigo deixar de sentir que este é o meu país.
Estou triste. Não só porque perdemos, mas porque perdemos contra uma equipa que era acessível. Porque não mostrámos na segunda parte atitude para ir a uma final do campeonato do mundo. E triste, porque continuo sem perceber como fica o Nuno Gomes no banco e o Pauleta é titular.
Se eu soubesse quem efectivamente lê o meu blog, certamente que poderia escrever mais do que efectivamente escrevo. Mas a verdade é que, já algumas vezes, pessoas que eu conheço foram ter ao meu blog, nomeadamente da maneira mais fácil, procurando o meu nome num motor de busca.
Por isso, e embora aprecie e leia regularmente alguns blogs que revelam muito sobre a vida pessoal dos seus autores, este, pelo menos para já, vai manter-se assim: a revelar pouco, muito pouco, nada…
Talvez os mais perspicazes percebam que se não revelo muito sobre a minha vida é porque não quero que os outros percebam como enfadonha ela é, ou pior, que eu próprio perceba isso.
Ele é que sabia como nós somos:
É p’rá amanhã
Bem podias fazer hoje
Porque amanhã sei que voltas a adiar
E tu bem sabes como o tempo foge
Mas nada fazes para o agarrar
Foi mais um dia e tu nada fizeste
Um dia a mais tu pensas que não faz mal
Vem outro dia e tudo se repete
E vais deixando tudo igual
É p’rá amanhã
Bem podias viver hoje
Porque amanhã quem sabe se vais cá estar
Ai tu bem sabes como a vida foge
Mesmo que penses que estás p’ra durar
Foi mais um dia e tu nada viveste
Deixas passar os dias sempre iguais
Quando pensares no tempo que perdeste
Então tu queres mas é tarde demais
É p’rá amanhã
Deixa lá não faças hoje
Porque amanhã tudo se há-de arranjar
Ai tu bem sabes que o trabalho foge
Mesmo de quem diz que quer trabalhar
Eu sei que tu andas a procurar
Esse lugar que acerte bem contigo
Do que aparece tu não consegues gostar
E do que gostas já está preenchido
António Variações, É p’ra amanhã
Já o escrevi aqui, Scolari não era a minha primeira opção para seleccionador nacional. Além de não gostar do estilo, não creio que tenha escolhido os melhores jogadores para o Campeonato da Europa de 2004 (como deixar fora Vitor Baía?), ou para o Campeonato do Mundo de 2006 (Ricardo Costa?, Hélder Postiga?). No entanto, a verdade é que o principal objectivo de um selccionador não deve ser escolher os melhores jogadores, mas antes constituír a melhor equipa. E a verdade é que a melhor equipa é a que faz melhores resultados, e nunca tivemos uma sequência de resultados como nas duas últimas grandes competições, nem nunca se viu a selecção portuguesa com a garra que demonstrou no jogo com os holandeses.
Por tudo isto, e com algum tempo de atraso, confesso que estou agora convertido. Mister Scolari é já o meu treinador.
Força Portugal!

