A frase que serve de título a este post é uma das mais famosas de Fernando Pessoa. Confesso que estando a morar num país em que o português não é falado pela maioria da população, consigo perceber a importância que a nossa língua tem para mim. É verdade que nem sempre a trato da melhor forma, como os leitores deste blog podem comprovar, mas estando aqui percebo que, além dos familiares e amigos, do que verdadeiramente tenho saudades não é do Sol ou do nosso clima ameno, nem sequer dos locais onde morei. Do que eu tenho mesmo saudades é de morar num país onde se fale o português. Onde possa dizer uma piada à empregada da caixa do supermercado e sorrir ao vê-la corar, onde possa dar as respostas rápidas que me caracterizam desde que me lembro de mim, é o sarcasmo ou o trocadilho que, mesmo não muito apreciados por algumas das pessoas com quem convivi, fazem parte do meu código genético e da minha forma de ser. Claro que tudo isso é impossível se as minhas frases são curtas para evitar erros, ou se me vejo forçado a repetir as frases porque não fui compreendido inicialmente.
É verdade que provavelmente isso virá com o tempo. Assim eu tente melhorar o meu inglês e francês, e poderei expressar-me naturalmente nestas línguas . O pior é esta fase, o tempo que vai demorar até chegar a esse patamar.
De facto, se decidir voltar a Portugal, não creio que será por não me adaptar ao clima luxemburguês, será, muito provavelmente, por sentir falta do “eu” que de momento só se expressa em português.