Hoje, durante o jantar, éramos quatro portugueses, e a conversa acabou por ir, como vai muitas vezes, para a política.
As tendências também já estavam identificadas há muito tempo: dois de esquerda, dois de direita. Como sempre, depois da discussão ninguém mudou a sua forma de pensar. Para mim, fica uma (quase) certeza: vou ser de esquerda toda a minha vida. E ao contrário da ideia generalizada de que os esquerdistas acabam por se aproximar mais do centro à medida que envelhecem, sinto-me cada vez mais próximo dos valores de esquerda.
…É o tempo que falta para estar num avião a caminho de Portugal.
E desta vez por 11 dias, que 4 dias não dão para nada!
You could have an affair with anyone and you choose a pharmacist?
Edie Britt, episódio 21 da 1ª série de “Donas-de-casa Desesperadas”.
Foi notícia, há uns dias, as exigências da Igreja Católica para que o filme baseado no best-seller “Código da Vinci” tivesse claramente indicado que se tratava de uma história de ficção. Parece-me um bom conselho, afinal, há sempre quem tenha dificuldade em distinguir a realidade da ficção. Pessoalmente, espero que a Igreja Católica demonstre o mesmo empenho de forma a que os milhares de filmes baseados no livro de ficção mais vendido de todos os tempos - A Bíblia - tenham a mesma menção.
Um dos meus pequenos dramas é, depois de lavar a roupa escura, conseguir emparelhar as meias, quase todas elas muito parecidas.
Já tentei alguns truques: comprar muitos pares de meias iguais, comprar unicamente meias com a marca vísivel para ser mais fácil agrupá-las. No entanto, mesmo com estes truques, é sempre um pesadelo tentar realizar com sucesso esta tarefa tão básica, e acabo por ficar com inúmeras meias sem qualquer par (na verdade, muito mais do que aquelas para as quais encontro o par).
Nesta estadia em Portugal reveleram-me mais um truque: atar, com um pequeno nó, as meias quando as descalçar, para que elas fiquem juntas durante a lavagem. Como é que eu não me lembrei disto antes?
Há 500 anos atrás, em Lisboa, 4.000 pessoas morreram por terem a religião errada.
Eu continuo a sonhar com um mundo como John Lennon descreveu:
“Nothing to kill or die for,
No religion too,
Imagine all the people
living life in peace…”
Esta ida a Portugal soube mesmo a pouco. Quem sabe, ainda volto lá este mês…
Alguns pais aconselham os filhos a não perder muito tempo com o futebol, e a dedicarem-se a coisas mais importantes como o estudo, para que possam ser respeitáveis médicos ou advogados.
O objectivo é louvável, e é verdade que um bom médico ou um bom advogado, terá provavelmente um apartamento bem localizado, um automóvel de fazer inveja a alguns amigos, fará férias em locais mais ou menos exóticos e, com alguma sorte, poderá até ter uma casa de campo onde possa retemperar forças durante o fim-de-semana.
No entanto, alguns miúdos, apesar de bastante novos, conseguem ter a noção das coisas verdadeiramente importantes, e já perceberam que se, para além destas coisas, quiserem ter lá em casa uma Marisa Cruz, uma Merche Romero ou uma Isabel Figueira, então o melhor é mesmo dar uns pontapés numa bola.
P.S: Alguém sabe em que clube joga o Francisco Penim?
Apesar de me encontrar no estrangeiro, continuo a acompanhar o que se passa em Portugal. Desde as edições on-line dos jornais, passando pelos sites de informação, as notícias portuguesas em rss e, muito de vez em quando, uma olhadela rápida ao telejornal da RTP que está disponível on-line, julgava que tinha os meios para saber tudo o que de importante se passa no nosso país. Puro engano! Bastou chegar a Portugal, olhar rapidamente para as capas das revistas “cor-de-rosa” para perceber que estou muito mal informado. Não sabia da relação Cristiano Ronaldo/Merche Romero, não sabia que o Pinto da Costa podia estar novamente envolvido com a Maria Elisa (já sabia do tumultuoso final de relação com a anterior companheira, por ter sido noticiado na edição on-line do Record) e nem sabia que o casal Clara de Sousa/ Francisco Penim estava separado, e que este último pode ter tido um caso extra-conjugal com a Soraia Chaves. Alguém me diz como me mantenho informado destas notícias, verdadeiramente importantes, no estrangeiro? Será que a Caras, a Lux ou a Flash não ponderam fazer uma edição on-line?
É verdade que nunca comprei estas revistas, e só as lia nas idas ao cabeleireiro ou a um consultório médico. Mas todas as manhãs, não abdicava do ritual de olhar nas bancas dos jornais para as capas destas revistas.
Estar em Portugal é bom, não foi?
Estes dias em Portugal foram bons e, talvez por isso, passaram (demasiado) rápido.
A chegada foi com muito Sol, Sol como eu não via há muitos meses. Depois o tempo até piorou, mas aqueles dois primeiros dias lembraram-me como a Primavera portuguesa pode ser.
Foi bom rever alguns amigos e estar com a família.
Já percebi que isto de ficar três meses sem ir a Portugal é demasiado para mim, e que quatro dias e meio passam num instante, mesmo quando se quer aproveitá-los da melhor forma.
Até breve Portugal!
“A minha pátria é a língua portuguesa”
A frase que serve de título a este post é uma das mais famosas de Fernando Pessoa. Confesso que estando a morar num país em que o português não é falado pela maioria da população, consigo perceber a importância que a nossa língua tem para mim. É verdade que nem sempre a trato da melhor forma, como os leitores deste blog podem comprovar, mas estando aqui percebo que, além dos familiares e amigos, do que verdadeiramente tenho saudades não é do Sol ou do nosso clima ameno, nem sequer dos locais onde morei. Do que eu tenho mesmo saudades é de morar num país onde se fale o português. Onde possa dizer uma piada à empregada da caixa do supermercado e sorrir ao vê-la corar, onde possa dar as respostas rápidas que me caracterizam desde que me lembro de mim, é o sarcasmo ou o trocadilho que, mesmo não muito apreciados por algumas das pessoas com quem convivi, fazem parte do meu código genético e da minha forma de ser. Claro que tudo isso é impossível se as minhas frases são curtas para evitar erros, ou se me vejo forçado a repetir as frases porque não fui compreendido inicialmente.
É verdade que provavelmente isso virá com o tempo. Assim eu tente melhorar o meu inglês e francês, e poderei expressar-me naturalmente nestas línguas . O pior é esta fase, o tempo que vai demorar até chegar a esse patamar.
De facto, se decidir voltar a Portugal, não creio que será por não me adaptar ao clima luxemburguês, será, muito provavelmente, por sentir falta do “eu” que de momento só se expressa em português.
Os Estados Unidos da América, o único país que alguma vez utilizou armas nucleares numa guerra, considera voltar a utilizá-las para impedir o Irão de produzir armas nucleares.
Sempre achei piada que os países que detêm armas nucleares impedissem os outros de as produzir, sem abdicarem eles próprios delas.
Terminaram hoje os campeonatos por equipas de xadrez no Luxemburgo. Acabei por jogar as últimas 6 jornadas, sempre a primeiro tabuleiro e vencendo todos os jogos.
Para o ano, se ficar no Luxemburgo, tenho mesmo de arranjar uma equipa com outras ambições.
Parece que finalmente vai ser proibido fumar nos locais públicos. Sinceramente, acho que esta medida só peca por (muito) tardia.
É claro que aparecem logo uns quantos a dizer que esta medida é um abuso, que os coitados dos fumadores têm todo o direito de fumar. Claro que têm, desde que não o façam em locais públicos, atirando o fumo para cima de mim, ou de outros que optam por não fumar. Não sei se a medida, a ser aprovada, vai ter sucesso em Portugal como tem tido noutros países, mas gostava de um dia poder chegar de um bar ou de uma discoteca e não ter o cheiro do tabaco em toda a roupa.
Será que os fumadores não conhecem aquele provérbio da “minha liberdade acabar onde começa a liberdade dos outros”?
Já agora, espero que aqui no Luxemburgo se avance com uma lei semelhante.
Uma pessoa percebe que é de esquerda quando, para a análise dos valores de uma amostra, acha que a mediana é (quase) sempre melhor indicador do que a média.
Assim se escreve bom português
Nos últimos tempos, resultado da minha condição de emigrante, tenho lido muitos jornais ‘on-line’, e tenho ficado verdadeiramente assustado com alguns dos erros cometidos pelos jornalistas portugueses.
Veja-se, a título de exemplo, este belo parágrafo sobre a evolução do poder de compra nos concelhos portugueses.
Além do “conselho”, atentem na bela frase: “Oeiras o que tem ganhou mais”
P.S: Além da forma como está escrito, este artigo comete um erro incrivel, ao analisar a evolução do valor absoluto do poder de compra, sem ter em conta a variação populacional. Como qualquer ‘leigo’ facilmente percebe, mais importante do que analisar a evolução do valor total do poder de compra, é analisar esse valor por habitante.
O Luxemburgo é este pequeno país que tão rapidamente parece ignorado pelo resto do mundo, como frequentado por algumas das personalidades mais conhecidas do planeta. Daí já não achar estranho quando vou beber um copo a um bar que costuma ser calmo e percebo que no mesmo bar está a Demi Moore e o Ashton Kutcher, bem como os inevitáveis seguranças.
Mais um dia normal aqui no Grão-Ducado!
Uma semana, é o tempo que me falta para regressar a Portugal, depois de praticamente três meses de ausência (novo recorde pessoal).
Entre os muitos assuntos a tratar e pessoas que quero rever, fico com a sensação que os 4 dias e meio que vou estar em Portugal
vão passar num instante.
Tal como tinha escrito no último post, este fim-de-semana fui até Bruxelas visitar uma amiga portuguesa que depois de uns dias de trabalho na Holanda decidiu ir até à capital belga.
Esta foi a minha segunda ida a Bruxelas, mas a primeira foi em trabalho, e entre sair do comboio, ir a uma reunião e voltar a apanhar o comboio para o Luxemburgo, não tive tempo para conhecer a cidade.
Desta vez, em lazer, foi diferente. Deu para passear, e deu para ficar muito agradado com a “capital da Europa”.
É uma cidade com muita vida e com uma enorme oferta cultural.
Não foi o suficiente para me arrepender da decisão de ter vindo para o Luxemburgo, mas penso que se um dia quiser mudar de ares, Bruxelas pode mesmo ser um bom sítio para morar e trabalhar.

