Eu28 February 2006 8:42 pm

Faz amanhã 6 meses que comecei a trabalhar no Luxemburgo. Por um lado sinto que este tempo passou tão rápido, por outro parece-me que já aconteceu tanta coisa desde que aqui cheguei que não parece possível que tudo tenha acontecido em apenas 6 meses.
Se fizesse um balanço destes primeiros meses, ele seria altamente favorável: gosto do trabalho, gosto da cidade, gosto das pessoas que encontrei por cá. Mesmo ao clima, que sempre achei que iria ser o principal problema, já me habituei, nem estranho quando olho da janela, e vejo a vista que tinha esta tarde.

vista neve

Com neve, com chuva, ou com Sol, continuo muito contente por ter tomado a opção de vir para cá. Para já, ainda não penso no regresso à terra.

Eu 8:09 pm

Hoje surgiu uma duvida interessante no emprego: Quantos são os continentes? Quase todos os portugueses afirmaram que tinham aprendido na escola que os continentes eram cinco: Europa, América, África, Ásia e Oceânia.
Quando olhamos para a definição de continente, parece-me que o número correcto será 6, considerando a Antártida, dividindo a América em dois continentes e juntando a Europa e a Ásia num único continente (porque razão se faz a divisão artificial da Eurásia em dois diferentes continentes?).
A verdade é que nunca tinha pensado nesta questão, e sempre pensei que toda a gente achava que os continentes eram 5.
É bom questionarmos as coisas, principalmente aquelas que damos por certas. Podemos chegar a grandes surpresas!

Futebol, Sociedade27 February 2006 10:05 pm

Foi notícia este fim-de-semana que Samuel Etoo, um dos melhores jogadores de futebol da actualidade, ameaçou sair de campo, cansado com os insultos racistas vindos da bancada. Como eu o compreendo, a mim apetece-me tantas vezes sair do sítio onde estou a assistir um encontro pela televisão, quando ouço insultos racistas dirigidos aos jogadores.

Música26 February 2006 7:16 am

Philharmonie Luxembourg

O concerto de ontem representou também a minha primeira ida à Philharmonie, uma sala de espectáculos verdadeiramente fantástica e um dos edifícios mais originais da cidade do Luxemburgo.
Se o concerto não tivesse sido bom, só o descobrir do interior deste edifício já teria valido a pena.

Música 7:10 am

Matthew Bourne
Ontem tive a oportunidade de assistir a um concerto do pianista inglês Matthew Bourne.
O concerto cativou quase todos os presentes pela originalidade, sendo acompanhado por samples de diálogos de filmes, conversas em japonês, sons de jogos de computador, diálogo dos “Simpsons”, etc.
Um dos poucos espectáculos musicais que assisti até agora no Luxemburgo, não por falta da oferta, mas porque as minhas prioridades têm sido outras. Acho que vou estar mais atento à oferta musical.

Eu, Viagens23 February 2006 8:03 pm

Soube hoje que, daqui a alguns meses, a cidade do Luxemburgo e Paris ficarão ligados pelo TGV. Nos primeiros tempos a velocidade vai ser a mesma e só no próximo ano será possível ir até Paris em 2h15 (comparadas com as 3h35 actuais). Paris vai ficar mais perto, mas não tenho dúvidas que irei lá ainda este ano.

Eu21 February 2006 7:11 pm

Até há seis meses atrás, quando morava em Portugal, achava exagerada a forma como os portugueses radicados no estrangeiro vivem as coisas relacionadas com o nosso país. Agora que estou fora, começo a compreender a sensação. Dou comigo a explicar a importância de Portugal no período do Descobrimentos, ou a realçar o número de pessoas que têm o português como primeira língua (mais do que o francês ou o alemão).
Ainda não cheguei ao ponto de querer ir ver o espectáculo do Fernando Rocha, que vem ao Luxemburgo no início de Março, mas certamente que faço questão de assistir aos espectáculos de bons artistas portugueses que se desloquem cá.
Faço também questão de apoiar as equipas portuguesas, e hoje, num bar irlandês, com muitos dos clientes a torcerem pelo Liverpool, serei um dos que vão estar a torcer para que o Benfica, à semelhança do que fez contra o Manchester, mostre que o seu valor é muito superior ao que tem mostrado nas últimas jornadas do campeonato.

Eu, Noite20 February 2006 7:04 pm

Nos últimos tempos não tenho saído à noite com a mesma regularidade dos meus primeiros tempos no Luxemburgo. Várias são as razões que justificam isto: o frio; o cansaço depois da novidade dos primeiros meses; o facto de estar com muito mais trabalho, o que me leva a chegar a casa com menos vontade de saír; o facto de alguns dos meus habituais companheiros de saídas estarem também eles mais recatados, etc.
Este sábado, uma festa mexicana parecia um óptimo pretexto para acabar com este “jejum” de saídas. Não sei se foi por andar a saír menos, se foi porque as pessoas estavam mesmo animadas, a verdade é que esta foi uma das festas em que me diverti mais e depois de quatro horas de muita dança, ainda estava com vontade de ficar um pouco mais…
Infelizmente, e ao contrário do que pensei inicialmente, não pude passar música na festa. Para breve, deve estar o meu regresso como DJ, não numa rádio como no periodo entre 1992-97, mas num bar no Luxemburgo. Quem sabe, o primeiro passo para o meu sonho de ter um bar num local paradisíaco, onde possa ser eu a escolher a música.

Eu 6:42 pm

Ontem, como habitualmente após o jogo de futebol, mais uma pesagem para ver até que ponto me mantenho no caminho para o regresso ao meu peso ideal.

kgs: 93,9 (-0,2)
% massa gorda: 20,4 (-0,7)
% água: 52,5 (+ 0,2)
% músculo: 39,2(-0,1)

Em três semanas a diminuição de peso não foi brilhante, mas já estou um pouco mais próximo do meu objectivo de 84 kgs.

Música17 February 2006 7:11 pm

Todos sabem que o Luxemburgo tem uma elevada percentagem de população portuguesa: as estatísticas que já consultei variam entre os 14% e os 20%. É por isso natural que o Luxemburgo seja local de passagem de muitos dos artistas nacionais. No entanto, nos meus primeiros meses aqui, tirando um concerto do Rui Veloso oferecido pela Caixa Geral de Depósitos, poucos foram os acontecimentos que mereceram algum destaque. O engraçado é que bastou estar 5 dias ausente para perder dois representantes da nossa cultura: aquele que é, neste momento, de longe o cantor popular português com mais sucesso - Tony Carreira - e também uma das melhores vozes do fado - Mafalda Arnauth. Se em relação ao primeiro, obviamente que dispensava assistir ao seu concerto, foi com grande pena que perdi a oportunidade de rever ao vivo Mafalda Arnauth. Em jeito de compensação, disseram-me que há grandes possibilidades de Cristina Branco vir até cá na Primavera.

Eu 6:58 pm

Depois de um fim-de-semana em Londres que passou a correr (muito má ideia só ter dormido 2/3 horas na véspera da partida), e de uns dias de trabalho em Liverpool que correram bem, estou de regresso à minha casa. A desarrumação em que a deixei não se alterou, a única diferença é que agora há muito mais roupa para lavar a juntar à pilha que tinha deixado. Hoje, a noite esta destinada para ver o filme sobre Johnny Cash e ir beber uns copos com amigos. Amanhã, as inadiáveies arrumações e à noite festa mexicana. Para terminar o fim de semana, um jogo de futebol no Domingo de manhã e um jogo de xadrez à tarde.

Viagens11 February 2006 2:19 am

Daqui a poucas horas estarei de partida para Londres, um fim-de-semana para matar saudades do ambiente de uma cidade de que gosto muito. No Domingo à noite, a ida para Liverpool, quatro dias de muito trabalho e, espero, de descoberta da cidade dos Beatles.

Eu8 February 2006 11:47 am

Seguindo o desafio da Sofia, deixo 5 dos meus hábitos estranhos:

1. Dormir nu. Adoro pijamas de verão, e de vez em quando até compro um. Mas durmo sempre nu ou no máximo com uma t-shirt, mesmo no inverno luxemburguês.

2. Guardar revistas velhas. Este é um hábito muito antigo, que vem do tempo em que não conhecia a internet e em que a única forma de ter a informação acessível era guardá-la. Mesmo na fase pós-internet nunca deixei de coleccionar revistas. Quando saí de casa desfiz-me de algumas (custou-me mandar para a reciclagem a minha colecção da “Visão”). Para mim, uma revista é como um livro, não se deita fora depois de ler, guarda-se para quando se quiser reler.

3. Listas em inglês. Não sei quando comecei este hábito. Talvez por achar que ficava mais protegido de olhares indiscretos, a verdade é que nos últimos anos, mais de 90% das minhas listas de coisas a fazer ou de artigos a comprar, foram escritas em inglês.

4. Ler na casa-de-banho. Em Portugal eram revistas, jornais e folhetos publicitários. No Luxemburgo, graças à internet sem fios, são os blogs. Para mim, estar sentado numa casa-de-banho sem estar a ler alguma coisa, não faz sentido.

5. Ter os estores das janelas da minha casa levantados. Numa casa sem cortinados, gosto da luz a entrar pelas janelas. Gosto de acordar e ver a luz da manhã no vale que vislumbro da minha cama.

Eis 5 das pessoas que gostavam que seguissem este desafio:

Cajó
Verbal
Marta
Lua

Partilhem comigo, e com o mundo, 5 dos vossos mais estranhos hábitos.

Eu5 February 2006 2:41 am

Neste momento, a máquina de lavar louça lava alguma da louça utilizada num jantar que juntou 8 pessoas em minha casa. Muita música, boa comida, vinho português, gelado,…
Foi uma noite muito agradável e é sempre bom juntar amigos em casa.
Daqui a umas horas o habitual jogo de futebol de Domingo de manhã. Não há dúvida que este está a ser um bom fim-de-semana.

Sociedade4 February 2006 10:21 am

Um dos assuntos mais discutidos na blogosfera portuguesa tem sido o casamento de Teresa e Lena, a sua subsequente anulação e agora o recurso para o Tribunal Constitucional.
Em pleno século XXI, impedir que duas pessoas adultas contraiam matrimónio só por serem do mesmo sexo é, não só um anacronismo que não poderá ser mantido por muito mais tempo, mas acima de tudo uma violação da liberdade individual, nomeadamente da escolha da opção sexual.
Nesta questão, como em tantas outras, a solução até é bastante fácil: basta traduzir a lei espanhola para português e publicá-la.

Eu 9:49 am

Quando vim trabalhar para o Luxemburgo, sabia que um dos desafios a superar era a lingua. O luxemburgo tem três linguas oficiais: luxemburguês, francês e alemão. Se o meu francês é muito básico, do alemão saberia meia dúzia de palavras e do luxemburguês nem isso. Felizmente, a mimha lingua de trabalho principal é o inglês e actualmente, em qualquer parte do mundo, o inglês é quase sempre tudo o que é necessário para nos fazermos entender.
Uma parte dos meus exames para acesso ao funcionalismo comunitário foi em inglês, sempre me habituei a ler nesta língua, pelo que sempre pensei que a língua de Shakespeare não seria um problema nesta nova etapa da minha vida. A verdade é que uma lingua tem de ser praticada, e a escrita e a oralidade são duas coisas muito distintas. Se é verdade que em termos de escrita, leitura e compreensão oral o meu nível de inglês é bom, quando cheguei deparei-me com uma falta de confiança a nível de expressão oral. As consequências desta falta de confiança foram duas: recorrer a frases mais curtas e refugiar-me na língua na qual consigo expressar aquilo que verdadeiramente penso, ou seja o português. É claro que isto se torna num círculo vicioso, se por um lado a falta de confiança me leva a falar menos do que faria normalmente, o facto de não praticar o inglês tanto como devia não me permite elevar a confiança no meu inglês. É claro que só há uma forma de quebrar este círculo: é falar muito, não me preocupar em demasia com eventuais erros. É sempre a prática que permite a melhoria no domínio de uma língua.
Para terminar este post um conselho para todos os que o lêm: nunca negligenciem o inglês. A verdade é que numa sociedade cada vez mais global, é necessário que as pessoas se entendam, e é certo que continuará a ser o inglês a assumir este papel de língua universal. Para os que são pais, espero que não se esqueçam que é muito importante dotar os vossos filhos de ferramentas que lhes permitam enfrentar da melhor forma o futuro. O domínio de línguas estrangeiras, e do inglês em especial, é uma dessas ferramentas fundamentais.

Eu1 February 2006 12:19 am

Quando aceitei vir para o Tribunal de Contas Europeu, um dos aspectos que me cativou foi a possibilidade de viajar pela União Europeia em trabalho. Depois de chegar, rapidamente percebi que a divisão onde estou é das que menos oportunidades oferece para viajar, tendo uma maior percentagem de trabalho de secretária. Comparado com alguns colegas meus que têm viagens todos os meses, eu devo aspirar por ano a uma meia-dúzia de idas a Bruxelas e três ou quatro deslocações a outros sítios, mas normalmente de curta duração (menos de uma semana). Está, por isso, muito longe da ideia que eu poderia ter, antes de vir para cá, de estar sempre a viajar de um lado para o outro.
Só amanhã, precisamente 5 meses depois de começar a trabalhar aqui (o tempo passa mesmo a correr), vou na minha primeira viagem de trabalho, uma deslocação a Bruxelas, com regresso ainda amanhã à noite. Para daqui a dez dias, está marcada uma viagem um pouco mais prolongada: quatro dias em Liverpool.
Se por um lado, é bom esta comodidade de estar no meu espaço, confesso que nesta altura não me importava que a minha vida fosse como a de alguns colegas, que desfazem as malas de uma viagem e começam a prepará-las para a próxima!