Há uns dias escrevi sobre o facto de achar que não haveria uma mulher ideal (ou homem ideal no caso das mulheres), mas sim muitas pessoas potencialmente compatíveis, com as quais é possivel construir uma relação duradoura e feliz.
Houve quem dissesse que, por eu dizer que não havia uma mas muitas pessoas ideiais, estava a defender que quando as coisas corressem mal, as pessoas deviam procurar outra relação. O sentido das minhas palavras era precisamente o contrário. Quem acredita na existência de uma só alma gémea, vai passar a vida a procurá-la, porque, felizmente, todos somos humanos, com inúmeros defeitos, e nunca conseguirá encontrar uma pessoa perfeita e 100% compatível.
Houve quem também quem dissesse que depois de encontrar a alma gémea tinha a certeza que não existia mais ninguém. Eu fico contente quando alguém, apaixonado, diz uma coisa como esta, mais ainda neste caso, porque se trata de uma amiga, mas o meu espirito racional não me permite acreditar na existência de uma única alma gémea. A ser verdade, e supondo que existem 3 mil milhões do sexo oposto, quais eram as hipóteses de essa tal alma gémea se cruzar no nosso caminho? Com quantas pessoas lidamos ao longo da nossa vida? Uns milhares talvez. Não são precisos muitos cálculos para perceber que, a ser verdade esta história de uma única alma gémea, só uma pequeníssima parte de nós iríamos contactar com essa pessoa, o que nem garante que nos apercebessemos que ela era a tal. E depois, será que a nossa alma gémea tem uma idade compatível? A ser verdade que só existe uma, era um grande azar se a minha alma gémea tivesse 75 anos. Não tenho nada contra mulheres mais velhas, mas preferia alguém num escalão mais próximo do meu. Pior ainda se a minha alma gémea tivesse 10 anos, das duas uma, ou esperava uns bons anos, ou então arriscava a cadeia… E se a pessoa destinada a ser a alma gémea de alguém morre?
O amor não é algo que esteja predestinado a acontecer, é algo construído pelas pessoas. Poderá haver condições mais favoráveis para que ele floresça, mas no fim, depende sempre tudo das duas pessoas, e é isso que torna bonita a vida.