Há uns dias escrevi sobre o facto de achar que não haveria uma mulher ideal (ou homem ideal no caso das mulheres), mas sim muitas pessoas potencialmente compatíveis, com as quais é possivel construir uma relação duradoura e feliz.
Houve quem dissesse que, por eu dizer que não havia uma mas muitas pessoas ideiais, estava a defender que quando as coisas corressem mal, as pessoas deviam procurar outra relação. O sentido das minhas palavras era precisamente o contrário. Quem acredita na existência de uma só alma gémea, vai passar a vida a procurá-la, porque, felizmente, todos somos humanos, com inúmeros defeitos, e nunca conseguirá encontrar uma pessoa perfeita e 100% compatível.
Houve quem também quem dissesse que depois de encontrar a alma gémea tinha a certeza que não existia mais ninguém. Eu fico contente quando alguém, apaixonado, diz uma coisa como esta, mais ainda neste caso, porque se trata de uma amiga, mas o meu espirito racional não me permite acreditar na existência de uma única alma gémea. A ser verdade, e supondo que existem 3 mil milhões do sexo oposto, quais eram as hipóteses de essa tal alma gémea se cruzar no nosso caminho? Com quantas pessoas lidamos ao longo da nossa vida? Uns milhares talvez. Não são precisos muitos cálculos para perceber que, a ser verdade esta história de uma única alma gémea, só uma pequeníssima parte de nós iríamos contactar com essa pessoa, o que nem garante que nos apercebessemos que ela era a tal. E depois, será que a nossa alma gémea tem uma idade compatível? A ser verdade que só existe uma, era um grande azar se a minha alma gémea tivesse 75 anos. Não tenho nada contra mulheres mais velhas, mas preferia alguém num escalão mais próximo do meu. Pior ainda se a minha alma gémea tivesse 10 anos, das duas uma, ou esperava uns bons anos, ou então arriscava a cadeia… E se a pessoa destinada a ser a alma gémea de alguém morre?
O amor não é algo que esteja predestinado a acontecer, é algo construído pelas pessoas. Poderá haver condições mais favoráveis para que ele floresça, mas no fim, depende sempre tudo das duas pessoas, e é isso que torna bonita a vida.
Sociedade28 January 2006 11:36 am
4 Comentários »
The URI to TrackBack this entry is: http://fightclub.blogsome.com/2006/01/28/a-sorte/trackback/
RSS feed para comentários a este post.
Deixe um comentário
Quebras de linha e de paragrafo automáticas, o email não é exibido, HTML permitidos: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <code> <em> <i> <strike> <strong>


Nao e possivel nao concordar com essas palavras. E pena que nao todas as pessoas queram admitir isso. E imprecao minha ou sao as mulheres a ter mais problema em admitir isso?
Comment por Fabio — 28 January 2006 @ 11:53 am
Ja leste a “Lei do Amor” da Laura Esquivel? Aconselho! Fala disso mesmo: da alma gemea. Ha quem acredite, outros nao. Felizmente considero que existem varias almas gemeas que cruzam o nosso caminho mas que as coisas essencialmente de nos, ou seja, dos dois.
Os que falam de almas gemeas querem frequentemente falar em alguem com as coisas funcionam tao bem que nao precisam fazer esforcos. Depois, ao primeiro impasse, desistem! Mesmo se as afinidades, a atraccao, a paixao e sobretudo o amor sao essenciais, cada relacao tem que ser trabalhada, cultivada, regada, todos os dias. Nada nunca é adquirido. A alma gemea nao se encontra, nem se procura! Merece-se! O caminho nao é longo nem curto, é a vida. Ninguem disse que iria ser facil!
Posso ate ter errado de caminho muitas vezes, mas tenho a frontalidade necessaria para comigo mesmo de o admitir e voltar atras para recomecar.
Pior seria, como alguns que eu conheco, que apesar de sentirem que estao ao lado da pessoa errada, se resignam considerando que de qualquer maneira tinha que ser aquela ou outra qualquer.
Isso nao! Nunca desisti da luta, mas tambem nunca facilitei! Por isso talvez “ainda nao me arrumei”, como dizem as minhas tias.
arafraseando Regio, “nao sei para onde vou, sei que nao vou por ai…”
Foi a minha modesta contribuicao ao debate!
P.S.: Quando é que vamos beber um copo? Ao vivo e a cores. Olha que eu nao costumo fazer este tipo de convites a homens todos os dias, hein! r*
Pronto, deves pensar que sou muito arisco, but that’s me, sempre pronto a conhecer novas pessoas, deve ser por deformacao profissional…
P.S. 2: Ja recebes o jornal portugues do Luxemburgo? È gratuito! Se quiseres envia a tua morada para o meu mail que passas a recebê-lo?
Comment por Jose Luis Correia — 28 January 2006 @ 3:03 pm
Estou de acordo qd dizes que o amor è algo “construido” pelas pessoas e è assim que tudo funciona na vida. Mas o mais grave e aí temos que admitir, è que mts vezes se constrói sem alicerces e logo que ha um desacordo, ha tb o descambar repentino daquilo que se construiu.É bom que tenhamos em mente que se numa relação existem duas pessoas com vontade de estar, elas têm que estar dispostas a que se limem arestas de forma a que as duas partes se ajustem. E è isso que nos torna a alma gémea, è qd nos deixamos ajustar,de forma a moldar carácteres.E por falar em moldar,deixa-me usar o ex. do oleiro, que pega num bocado de barro,o mete na roda e o molda de maneira a dar-lhe uma forma e é sem dúvida um processo lento e minucioso. Mas no fim teremos uma paça bonita que se torna unica, mas que teve que ser moldado. E è aqui que eu enquadro o teu pensamento “DEPENDE SEMPRE TUDO DAS DUAS PESSOAS E É ISSO QUE TORNA A VIDA BONITA”
Comment por Lurdes — 30 January 2006 @ 1:41 pm
Ah ah, nao me percebeste… Depois de teres encontrado essa alma gemea, a tua predisposicao para construir algo com outra, potencialmente tao gemea, morreu. Concordo que tudo se fomenta, mas ha bases tao boas que quando tens que te ESFORCAR para ser feliz ao lado de alguem tao aleatorio como a primeira alma gemea encontrada, quando a relacao nao flui de forma natural, tens a certeza que es capaz de melhor! Eu, apaixonadissima, garanto-to.
Comment por Xana — 1 February 2006 @ 6:58 pm