Quando pensei em quem tinha sido a figura nacional do ano, só pensei em três nomes: José Sócrates, António Guterres e José Mourinho.
A nomeação de Guterres como Alto-Comissário das Nações Unidas para os Refugiados é de facto um motivo de orgulho para Portugal. O primeiro ano e meio de Mourinho no Chelsea já permitiram conformar que ele é mesmo o “special one”: ganhar o título na primeira época batendo o recorde de pontos numa época na liga inglesa, as campanhas publicitárias, o boneco de cera no Madame Tussaud, o fulgurante início desta segunda época, levando algumas casas de apostas inglesas a pagarem já o prémio a quem apostou no Chelsea, argumentando que já não restam dúvidas sobre quem irá triunfar. Tudo isto eram bons motivos para considerar quer Guterres ou Mourinho as figuras nacionais do ano, no entanto, aquele que escolho como figura nacional do ano, tem uma importância muito maior no futuro de Portugal. Depois de Guterres ter falhado por pouco duas maiorias absolutas, Sócrates conseguiu a primeira maioria absoluta para os socialistas, o que, mesmo tendo em conta que do outro lado estava um Santana Lopes em baixa de popularidade, não deixa de ser só por si um feito.
É claro que o mais difícil é o que se seguiria, herdando uma situação financeira complicada e, mesmo tendo aumentado os impostos quando na campanha tinha (precipitadamente) anunciado não o fazer, teve a coragem de tomar uma medida que, embora me prejudique pessoalmente, acho que era de uma justiça elementar: igualar os regimes de aposentação entre funcionários públicos e privados. Penso que ainda há outras medidas corajosas a tomar: por exemplo, terminar com a grande disparidade entre a qualidade do serviço de saúde dos funcionários públicos (ADSE) e a do comum dos cidadãos.
Outras medidas podem ser referidas nestes primeiros meses de governação: aposta no “choque tecnológico”, a decisão de avançar com o aeroporto da Ota e o TGV e, com uma importância fundamental nos próximos anos, os excelentes resultados obtidos na negociação das perspectivas financeiras da União Europeia para o período de 2007-2013.
Foi um início positivo, mas faltam ainda mais de três anos, veremos se o Engº Sócrates consegue que o plano tecnológico avance mesmo, veremos se será possível controlar o défice público e veremos se, nos últimos dois anos da legislatura, não cairá na tentação populista de adoptar medidas mais eleitoralistas. Para já continua a merecer o meu voto de confiança.
Sociedade30 December 2005 8:55 pm
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