São agora 21:00 (hora do Luxemburgo), pela primeira vez nas duas últimas semanas não tenho planos para a noite.
Vou ficar por casa, ler um pouco e tentar recuperar as muitas horas de sono que tenho em atraso.

A imagem não tem a melhor qualidade, mas reflecte o cenário actual do meu terraço (alguns centimetros de neve).
Já percebi que, durante alguns dias do Outono e do Inverno, vou ter de abdicar de parte do terraço para a neve. Felizmente que sobram sempre os cerca de 10 m2 que são cobertos.
(Post inspirado por dois filmes vistos recentemente: “Instantes decisivos” e “Match Point“)
Já várias vezes pensei como poderia ser a minha vida se em determinadas alturas tivesse tomado decisões diferentes, bem como no papel fundamental que a sorte tem desempenhado no meu percurso.
As duas grandes mudanças na minha vida são o reflexo disso mesmo.
A primeira deu-se quando trabalhava num banco em Leiria e morava em Pombal. Soube, por intermédio da irmã da minha namorada na altura, de um concurso para a Direcção-Geral de Impostos, mas o facto de já antes ter sido seleccionado para outro concurso da Direcção-Geral dos Impostos (embora numa categoria inferior) e ter acabado por optar por não ir, bem como o facto de no dia do exame ter um jogo de xadrez (o primeiro da IIIª Divisão, para uma equipa que eu tinha conseguido voltar a reunir) contribuiam para o pouco entusiasmo por este concurso. A poucos dias do exame, percebi que poderia fazê-lo de manhã em Leiria e, mesmo assim, jogar ao início da tarde o meu jogo de xadrez em Aveiro. O resto da história conta-se em poucas palavras. Fiz o exame, fui seleccionado e um ano e meio depois fui trabalhar para Lisboa, o que implicou uma série de mudanças na minha vida. Já agora, registo que também ganhei o jogo de xadrez em Aveiro!
A segunda grande mudança, teve a ver com o concurso para selecção de auditores para Insituições Europeias. O pouco entusiasmo por emigrar (para o que contribuia, bastante, o facto de estar apaixonado), e a grande diversidade de assuntos a estudar, fizeram com que fosse adiando o início do estudo, até chegar a uma altura em que achei que o tempo que faltava não seria suficiente, tendo, por isso, decidido desistir da ideia de trabalhar no estrangeiro (que sempre tinha sido um objectivo pessoal) e numa instituição europeia em particular. Isto até que, a três dias dos exames, um colega, que andava a preparar-se afincadamente para estes exames, me disse que eu tinha feito um grande erro ao ter desperdiçado a hipótese de tentar uma carreira muito aliciante. Dei-lhe razão, e decidi que iria mesmo tentar estudar nos dois dias que restavam. Ele disse-me que não era possível, que era simplesmente muita coisa para poder ser lida em tão pouco tempo, quanto mais memorizada. O resto da história também se conta em poucas palavras. Acabei por fazer os exames, fui seleccionado, com a particularidade de num dos exames ter a sensação que devo ter tido precisamente a nota mínima exigida (aqui está mais um momento de sorte, uma resposta certa a menos e provavelmente teria ficado por ali o meu sonho). Mais duas entrevistas e acabei por conseguir mesmo um lugar de auditor no Tribunal de Contas Europeu, o que motivou as enormes mudanças que tenho relatado neste blog.
Para acrescentar mais um momento de sorte nesta última história, refiro que a altura em que decidi fazer os exames coincidiu com uma altura em que percebi que a pessoa por quem eu estava apaixonado não sentia o mesmo por mim, se tivesse percebido isto uns dias depois, provavelmente nunca teria feito os exames…
P.S. Aconselho, vivamente, o filme Match Point, indiscutivelmente o melhor que vi de Woody Allen dos últimos anos (e não só por ter a Scarlett).
Ontem deixei aqui como questão se seria possível apelidar-se de tolerante quem fosse intolerante com a intolerância. Esta dúvida tinha surgido após um comentário que deixei no blog de um amigo. Achei que talvez tivesse exagerado no “tom” do meu comentário, mas depois de ter seguido um link para este lixo, custou-me que um amigo meu, que considero uma pessoa inteligente, defenda, em pleno século XXI, algumas ideias, que não deveriam fazer parte de uma sociedade tolerante e que respeite a diferença.
Nos últimos dias, muito por culpa do caso do “beijo” das alunas de uma escola de Gaia, muito se tem discutido na blogosfera a questão do respeito pela opções sexuais dos outros. A verdade, é que a homossexualidade sempre existiu, defender que se trata de uma doença ou um comportamento “desviante” é marginalizar aqueles que têm uma opção diferente da nossa.
Eu vou continuar a respeitar e admirar muitos homossexuais (nomeadamente muitos dos meus cantores favoritos), e gostaria de ajudar a transformar a sociedade no sentido em que o facto de duas mulheres ou dois homens se beijarem não seja visto como uma aberração, e que um casal de duas pessoas do mesmo sexo possa oficializar a sua união, se for essa a sua vontade.
Acho que só assim, respeitando as diferenças, sejam elas de opção sexual, de raça, religião, ou outras, podemos construir um mundo em que as pessoas convivam saudavelmente.
A empregada que contratei só na começa no próximo sábado, mas ontem, lá decidi combater a famosa preguiça e passei a tarde quase todas nas arrumações e limpezas que estavam em atraso.
Se eu gosto muito do meu espaço, gosto muito mais dele assim!
Pode considerar-se tolerante quem é intolerante com a intolerância?
Nos chats, pelo contrário, entre o primeiro contacto e o primeiro encontro é um instantinho. E, às vezes, entre o primeiro encontro e o primeiro contacto ainda é mais rápido.
A frase é de Pedro Mexia, o meu blogger favorito, embora tenha sido encontrada noutro blog.
Quem me conheça minimamente, sabe que mantenho uma relaçao complicada com as limpezas e arrumações.
Se por um lado gosto muito de ter as coisas arrumadas, uma arrumação quase sempre excessivamente planificada, por outro lado, a minha famosa preguiça, aliada ao facto de arranjar sempre coisas com que me entreter, faz com que acumule coisas para arrumar e que adie continuamente a execução das tarefas caseiras.
Por isso, tal como já tinha feito em Portugal, decidi arranjar uma empregada de limpeza que me possa ajudar nas tarefas essenciais.
A grande diferença está no preço, os € 5,50 que pagava à hora, transformam-se em € 12,50 (um aumento superior a 127%!). Também por isso, decidi alterar a periodicidade: de semanal para quinzenal.
O objectivo é simples, que o meu desejo de arrumação possa ser concretizado, sem que tenha de perder os fins-de-semana em limpezas.
Estava com algum receio que o meu chefe achasse um periodo muito longo para férias de Natal, mas hoje já foram aprovadas.
Significa isto que já é oficial, vou estar em Portugal entre 14 de Dezembro e 11 de Janeiro. Quase um mês! Este fim-de-semana vou começar a definir o que fazer nesses dias.
Aqui estão duas imagens a retratar o cenário que encontrei esta manhã quando fui trabalhar.
Já tinham caído alguns flocos de neve nos últimos dias, mas nada que fizesse prever o cenário de hoje. Desde o final da tarde que tem nevado na cidade do Luxemburgo, e há pouco a cidade estava toda coberta de branco, com a neve em alguns sítios a ter já uns bons centimetros de espessura.
Um cenário lindissimo!
No início deste blog, ainda na sua primeira versão, fiz alguns top-5 e o objectivo era fazer mais alguns. Hoje decidi experimentar o exercício de escolher as 5 cidades que mais tenho vontade de visitar. Aqui estão elas:
1- New York

2- Rio de Janeiro
3- Reykjavik
4- Tóquio
5- Veneza
Sempre pensei que este ano iria visitar uma das cidades que estão nos dois primeiros lugares. Motivos diversos impediram-me de concretizar esse objectivo, para o próximo ano espero poder visitar alguma destas cinco cidades…
Uma larga maioria das pessoas diz que uma das qualidades que mais aprecia nos outros é a sinceridade. Quando questionadas sobre isso, acrescentam mesmo que apreciam especialmente que os outros sejam sinceros sobre si. Aqui é que acho que é preciso fazer uma ressalva, acho que a generalidade das pessoas aprecia, de facto, a sinceridade dos outros, mas quando se trata de elogios, agora quando se trata de uma critica, ou até apenas de uma ligeira chamada de atenção, o caso muda de figura. Das acusações de critica destrutiva, do “não sei porque dizes isso” ou do silêncio acompanhado de um olhar assassino, tudo vale para mostrar o desagrado.
Espero já ter percebido isso: as criticas, as chamadas de atenção, vou guardá-las para os amigos; para os outros, os conhecidos, vou limitar-me aos elogios.
Daqui a pouco, em Paris, inicia-se a partida entre o Lille e o Benfica, jogo que é importantíssimo para o futuro das duas equipas nas competições europeias. No estádio estarão milhares de portugueses, eu serei um dos milhões que estarei a ver pela televisão e a torcer pelo Benfica.
Fumar não é igual a ser sexy, mas…
Depois de um post anti-tabagista, quase que me vejo obrigado a mostrar que às vezes fumar pode ser sexy.
Há uns meses atrás, antes de iniciar a minha experiência de emigrante, tive de me sujeitar a rigorosos exames médicos, para confirmar que estava em condições para assumir estas funções. Entre análises, radiografias, examinação por uma médica que ainda me fez sorrir quando classificou o meu abdómen como musculado (tirando este erro grosseiro a médica até parecia competente), nada foi deixado ao acaso.
Passado umas semanas sou informado do resultado, tudo estava bem, mas… teria de realizar passado uns meses novo raio-x ao tórax. Liguei logo para o Luxemburgo para tentar saber o que se passava, o médico não me informou muito mais, que parecia estar tudo bem, mas queriam ter a certeza.
Mesmo nunca tendo fumado, convivo diariamente com fumadores e sempre frequentei locais com fumo, comecei por isso a pensar que talvez os efeitos dos fumadores passivos fossem piores do que eu pensava.
A semana passada repeti o raio-x, hoje recebo a notícia do médico que tudo estava bem. Respirei de alívio quando soube, mas acho que tenho de começar a tentar evitar os locais cheios de fumo. Pode ser que se confirme o rumor de que o Luxemburgo no próximo ano se vai juntar à Irlanda e à Noruega na proibição de fumar em locais fechados. Que me perdoem os fumadores, mas esta é uma lei que faz todo o sentido e que só peca por tardia.
Invenções que facilitam (mesmo) a vida

Enquanto morei em Portugal, sempre achei que a máquina de lavar louça era um objecto que não fazia sentido numa casa onde só morava uma pessoa. Cheguei ao Luxemburgo e o apartamento que arrendei já estava equipado com máquina de lavar louça. Hoje estou totalmente conquistado. Como é fácil tratar da louça, mesmo depois de jantares com algumas pessoas. Não há dúvida que esta é uma invenção que é preciso experimentar para perceber o valor.
A notícia do Público não surpreende, mas inquieta os que acreditam no valor incalculável da liberdade.
Felizmente, a pensar de maneira diferente dos que se manifestaram hoje em Madrid, estão milhões de espanhóis que se orgulham dos progressos que a Espanha tem conseguido, não só os de índole económica, mas principalmente os sociais.
O sonho americano desmistificado
Retratos da América do século XXI.
Um blog que nos faz pensar.
Sempre pensei que as próxima eleições presidenciais seriam decididas entre o favorito Cavaco Silva e Mário Soares. Nos últimos dias tenho percebido que talvez Manuel Alegre tenha algumas hipóteses de ficar em segundo lugar e, consequentemente, disputar uma segunda volta no caso de ela exisitir. O seu grande mérito tem sido assumir-se como um candidato fora do sistema. Sabendo-se como as pessoas estão descontentes com o estado actual das coisas, é sempre um bom trunfo passar a imagem que se está fora deste contexto partidário.
E como seria o presidente Manuel Alegre? Essa é a minha grande dúvida. Depois do discurso hermético em que aparentemente se retirava da corrida, para o anúncio posterior, passando pelo episódio da não comparência à votação do Orçamento de Estado, o percurso recente do deputado-poeta dá a sensação de quem age por impulso e cuja previsibilidade é reduzida. Não sei se são as melhores características para um chefe de estado. Sei que os discursos presidenciais seriam talvez mais bem escritos, mas ainda mais incompreensíveis do que os do nosso actual presidente.
As minhas próximas férias ainda não têm datas certas. Se se concretizar a minha vontade será quase um mês, tempo que será passado todo em Portugal. Quero estar com a minha família, quero estar com os amigos. Quero visitar alguns dos locais do nosso país que mais gosto, bem como outros que ainda não conheço.
Acho que esta é uma das vantagens de estar fora, quando se regressa dá-se um valor diferente as coisas que deixámos para trás.
Se não for pedir muito, não queria encontrar em Portugal o pessimismo que percebo nas notícias e nos blogs que leio, nas pessoas com quem falo.
Já passaram mais de dois meses e meio sobre o início da minha vida de emigrante.
Se tivesse que fazer um balanço nesta altura, diria que:
Gosto do meu trabalho.
Gosto de morar numa cidade cosmopolita.
Gosto de morar a 10 minutos a pé do trabalho, num apartamento onde me sinto bem.
Gosto do “desafogo” que o meu salário “europeu” me permite.
Não gosto de temperaturas tão baixas.
Gosto de estar perto de Portugal, mas estando também perto de Paris, Amsterdão, Veneza, Roma, Berlim, Praga ou Budapeste.
Gosto de conhecer pessoas de toda a Europa e aprender com elas coisas diferentes.
Gosto do desafio.
Ou seja, o balanço é muito positivo e facilmente me imagino a viver nesta cidade nos próximos anos. Veremos!
Esta foi, indubitavelmente, a minha melhor noite desde que cheguei ao Luxemburgo.
No meu caminho para casa, tinha já definido os planos para a noite. Incluia algumas tarefas domésticas e uma saida até a um bar com jazz ao vivo.
Quando chego a casa uma grande surpresa, um papel na porta. Era de um casal que mora no meu prédio, ele esloveno, ela grega, ambos meus colegas de trabalho e que me convidavam para beber um copo de vinho no apartamento deles. Fui buscar uma garrafa de vinho português à arrecadação, mudei de roupa e fui até casa deles.
A noite foi fantástica, as 5 horas em que estivemos a conversar e a ouvir música passaram a correr, e ficou a certeza que faremos muito mais noites destas.
Dificilmente poderia pensar em melhores vizinhos.
Chegar a casa; desviar os roupeiros do quarto para que o estendal possa ficar cá dentro, junto ao aquecimento (a roupa não seca com a humidade lá fora!); põr roupa a lavar; pôr louça a lavar; lanchar; ver as “últimas na net”.
Falta só: tirar a louça da máquina; fazer o jantar; tirar a roupa da máquina e estendê-la; jantar; ir até ao centro da cidade, ao bar “Urban”; voltar cedo (por volta das 23h30) para casa; adormecer…
Se repararem nos links do lado direito, há um para a previsão do tempo para a cidade do Luxemburgo e outro para Lisboa.
Se experimentarem carregar nestes dois links vão ver que na previsão desta semana já há temperaturas negativas e neve para o Luxemburgo, enquanto em Lisboa a mínima se mantém sempre acima dos 10ºC.
Felizmente, daqui a cerca de um mês estarei em Portugal para passar as férias de Natal, tenho a impressão que este ano o Inverno português me vai parecer moderado!
Finalmente os comentários estão a funcionar correctamente. Devido a um erro meu, não estava a aceitar os nomes de quem deixava comentários.
Situação resolvida!
O espaço está criado.
Resta uma dúvida, se vou importar para este blog os 676 posts que tinha na primeira versão do Fight Club.
Não encontrei nenhuma forma de o fazer automaticamente, pelo que se decidisse proceder a essa transferência, isso significava muitas horas de trabalho. Sendo certo que não o vou fazer agora, talvez o vá fazendo aos poucos.

