O relato que vou fazer, é relativo a um acontecimento que observei na vila de Sintra, na visita sobre a qual já escrevi. Estava a dar os meus primeiros passos no centro histórico, quando reparo numa rapariga alta, cuja roupa e atitude não escondiam que enveredara por aquela que dizem ser a mais velha profissão do mundo, aos gritos, insultando com todos os nomes possíveis um sujeito com menos de 1,60m de altura, provavelmente com 50 anos, que fugia assustado, andando tão rápido como as suas pequenas pernas permitiam. Ela estava quase a alcançá-lo, quando ele lhe pediu para ela se calar que a mulher dele estava ali, mas ela não só não se calou, como começou a bater-lhe, para gaúdio dos que assistiam à cena, a excepção era uma senhora que vinda do outro lado da estrada dizia : “tu és um homem, porque a deixas fazer isso?”, enquanto fitava os que observavam a cena com um olhar desesperado, como que pedindo ajuda, ajuda que ninguém lhe podia dar. O resto da cena não presenciei, vi o homem afastar-se com a rapariga, e vi a mulher ficar incrédula, com o mesmo ar de desespero…
Marcou-me o ar de desespero, que deve ser o mesmo de tantas mulheres que em pleno século XXI ainda mantém casamentos com homens que as tratam de forma desumana, por medo da solidão, da falta de dinheiro ou da violência física.