A “blogosfera” tem criticado, e bem, a exploração que o Herman José fez no passado Domingo, do mais famoso deficiente mental de Portugal, o conhecido “Emplastro”, “Animal” ou simplesmente “Nando”.
Mas nada disto é recente no “Herman SIC”, a falta de imaginação, e a falta de talento como entrevistador – veja-se como comparação, as entrevistas do Jô Soares, ou as do Jay Leno – levaram o Herman a transformar o seu programa em algo, muito parecido com um circo de aberrações: veja-se a série de videntes, bruxas e similares (com destaque para a igualmente famosa “Pomba Gira”). O que se vai seguir? Provavelmente teremos como “vedetas” do programa a mulher barbuda, gémeos siameses, um homem com 3 braços e até mesmo o Homem-Elefante, se fosse vivo, teria lugar cativo no programa. Como parecem longínquos os tempos do “Herman Enciclopédia” e em que ele assumia como referências o Benny Hill e os Monty Python.
É a televisão que temos, consequência de quase todos acharem muita graça quando alguém diz um palavrão na televisão – basta pensar no sucesso do Fernando Rocha, que parece ser directamente proporcional ao número de palavrões que ele consegue proferir por minuto –, e de preferirem o riso fácil, nem que seja à custa de defeitos físicos ou mentais, ao humor inteligente, mais subtil, das boas comédias britânicas como por exemplo “Sim, Senhor Ministro”, “Allô, Allô”, “Black Adder” ou do humor americano que pudemos ver em “Seinfeld”, “Will & Grace” e tantas outras séries de boa memória.
É uma questão cultural, que não será facilmente alterada, basta pensar no sucesso das incontáveis repetições de “Os Malucos do Riso” com piadas gastas e óbvias, que a SIC insiste em manter no horário nobre, enquanto que o “Programa da Maria” da Maria Rueff, foi primeiro empurrado para horários proibitivos, acabando por ser retirado de emissão. Felizmente que a SIC-Radical (provavelmente a melhor coisa que aconteceu na televisão portuguesa nos últimos anos, a par talvez, do final dos programas do Luís Pereira de Sousa) acabou por recuperar a série, e podemos rir com os melhores sketches de humor feitos em Portugal nos últimos anos.

P.S. Que pena, ver o talento da Maria Rueff desperdiçado num programa como o “Herman SIC”.