No ano passado, a propósito das alterações registadas na RTP, muito se discutiu o serviço público de televisão. Tenho uma opinião sobre o que deveria ser este serviço público na RTP, aquele que os portugueses terão de pagar, seja directamente através de uma taxa, seja indirectamente através de transferências do Orçamento de Estado.
Mas não é sobre o serviço público de televisão que escrevo hoje, é sobre outro, prestado por dois jornais diários portugueses, e que tem a grande vantagem de não trazer custos para o Orçamento de Estado. Falo das iniciativas que o “Público” e o “Diário de Notícias” promovem, de permitir a aquisição de livros a preços bastante acessíveis juntamente com o jornal do dia. É claro que poderá haver quem diga, na tentativa de retirar o mérito destes dois periódicos, que o objectivo foi o de aumentar as vendas, fidelizar leitores e até que os livros não estão a ser vendidos abaixo de preço de custo, pelo que o objectivo foi o lucro. Provavelmente estarão certos, mas quem disse que o serviço público implica necessariamente perder dinheiro?
Estas iniciativas permitiram, sem dúvida, aos referidos jornais aumentar as vendas, principalmente nos dias de distribuição dos livros, mas tem também contribuído para o aumento do número de leitores em Portugal. Como sei isto? Sou utilizador frequente de transportes públicos, e tenho reparado, que o número de pessoas que durante as viagens lêem livros tem aumentado significativamente, e muitas vezes os livros em causa são os das colecções referidas, em especial a “Mil Folhas” do Público, que tem o grande mérito de aliar uma edição em “capa dura” de qualidade razoável a uma excelente selecção de livros, que percorre os grandes autores do século XX. Não tenho dúvidas em afirmar que esta colecção fez mais pelos hábitos de leitura dos portugueses, do que as campanhas promovidas pelo Ministério da Cultura.
A boa notícia, é que depois de mais de 4.000.000 livros vendidos (não é gralha, são mesmo quatro milhões), o Público decidiu fazer uma 3ª série da colecção “Mil Folhas”, e vai permitir que os portugueses adquiram mais 30 excelentes obras da literatura contemporânea a preços bastante acessíveis. Por mim, já estou a pensar onde vou arranjar estantes para mais estes livros…