Eu28 July 2003 2:01 am

O suplemento DNa que o DN publica aos Sábados, tem uma página em que pede a figuras públicas que digam as coisas de que gostam e de que não gostam. Já há algum tempo que penso em fazer esse exercício neste blog, o Cajó adiantou-se, eu vou atrás…

Gosto de levantar-me cedo, não gosto de ser preguiçoso e desarrumado. Não gosto de me chatear, gosto de fazer as pazes. Gosto de música electrónica, de rock, de música pop e de fado. Gosto de livros e de filmes que me fazem pensar, não gosto de filmes do Steven Seagal, de intervalos de 15 minutos nos filmes que passam na televisão e de telejornais que duram 1h30m. Gosto do Seinfeld e das séries de humor britânicas, não gosto do Tonecas, dos Malucos do Riso ou dos programas da Marina Mota. Gosto de cantar, não gosto de pessoas sempre sérias. Gosto de pessoas simples e bem-humoradas, não gosto de falta de educação e de pessoas que cospem no chão. Gosto de líderes, não gosto de ditadores nem de pessoas que nunca mudam de opinião. Gosto da minha família, que me perdoa eu ser tão ausente. Gosto de futebol, ténis, basquetebol e jogos de estratégia, não gosto que joguem com sentimentos. Gosto de andar a pé e sentir-me em forma, não gosto de ter medo de cães. Gosto de polos, camisolas de gola alta e sapatos de vela. Gosto do preto, do azul, do cinzento e do branco. Mas gosto também do vermelho, do amarelo e até do cor-de-rosa. Gosto de bebidas frescas todo o ano : sumos, cerveja, leite e muita água. Gosto de comida vegetariana, não gosto de sal nem do cheiro do fumo de tabaco. Gosto do Verão, do Sol, da chuva miudinha. Gosto de esplanadas, de ver o mar e jardins bem tratados. Gosto de ver crianças a brincar, não gosto de ver pais a ralhar ou a bater nos filhos. Gosto de gostar de alguém. Gosto de pessoas inteligentes e ficar horas a conversar. Gosto de mulheres bonitas e de mulheres que sabem que são bonitas. Não gosto de esperar ou que esperem por mim. Não gosto que não acreditem em mim. Gosto de me olhar ao espelho. Gosto de mim.

Eu, Desporto 1:36 am

A visita a Pombal, serviu também para participar na “Corrida do Bodo”, uma prova de 6,5 Km., que se realiza em simultâneo com a Meia-Maratona de Pombal.
Como tinha dito num post anterior, esta prova era para mim a oportunidade de defrontar o meu irmão, bem como o Miguel, um amigo de Lisboa que acedeu a deslocar-se a Pombal. No entanto, o principal adversário era mesmo o relógio e tinha assumido, como principal objectivo, baixar os 30 minutos, depois dos 32′30′’ que fiz no ano passado.
Ganhar ao meu irmão e ao Miguel acabou por revelar-se mais fácil do que imaginava, mas a minha grande vitória foi o tempo de 29′40′’, baixando a barreira dos 30 minutos. Podem achar que não é um tempo brilhante, mas para mim, teve o sabor de bater um recorde do mundo e, mesmo não sabendo como se sentia o queniano que venceu a meia-maratona, e que já deve ter ganho dezenas de provas por todo o mundo, duvido que no fim da prova ele estivesse mais feliz do que eu.

Eu 1:25 am

Este fim-de-semana fui até Pombal, enquanto decorriam as “festas do Bodo”. Para os que não sabem, estas são as tradicionais festas da cidade de Pombal, e lembro-me delas desde que me lembro de mim.
Ir a Pombal nesta altura é sempre um pretexto para reencontrar velhos conhecidos e recordar, com alguma nostalgia, os bons tempos que vivi em Pombal. Ter vindo trabalhar para Lisboa, foi uma decisão pensada, da qual aliás não me arrependo, mas é bom voltar a um sítio que foi, durante tanto tempo, a minha casa e, estar com a minha família e com bons amigos, seja um amigo de há onze anos, mas que parece ser de sempre como o Cajó, seja com amigos mais recentes, como a Elsa e a Rita.
É bom também partir e sentir uma lágrima no canto do olho ao pensar : “Até à próxima Pombal, até Sempre!”

Eu25 July 2003 5:37 pm

Algumas pessoas acusam-me de ter mau perder. Devo dizer que a acusação me parece forte e injustificada, e por isso aproveito este espaço para me defender.
É verdade que sempre gostei de competição, e nunca soube bem o que era essa coisa de jogar a feijões, até porque sempre procurei dar o meu melhor, em especial em competições desportivas. No entanto por estar habituado à competição – já são muitos anos de jogos de xadrez, muitas vezes com adversários mais fortes – acabo por aceitar a derrota como um dos resultados possíveis, de tal forma que, sempre que jogo xadrez na Internet (um hobby que tenho mantido), procuro os jogadores mais fortes, mesmo sabendo que as possibilidades de vitória são menores.
Ter mau perder, pelo menos para mim, é procurar os adversários mais fracos para obter o maior número de vitórias, é recorrer a truques menos claros para vencer, é não aceitar a derrota quando o adversário foi superior. Não me revejo nestas atitudes, e gosto de adversários fortes, porque são eles que nos obrigam a exigir mais de nós mesmos, e no desporto, como em tudo na vida, o nosso principal adversário está sempre em nós, e é na tentativa de nos superarmos, que vamos evoluindo.
Vem isto a propósito de uma corrida de 6,5 km., na qual vou participar este Domingo, em que vou competir contra o meu irmão (não há rivalidade como a de irmãos, em especial quando a diferença de idades é pequena) e contra o Miguel Horta (que vai tentar vingar a derrota tangencial na última corrida na ponte XXV de Abril). São dois adversários difíceis, mas que por isso mesmo me poderão levar a melhorar o registo do ano passado, e se o fizer, terei superado o meu verdadeiro desafio.
Segunda-feira estarei aqui para contar as desventuras desta corrida, onde participará também o meu amigo Cajó (a propósito não deixem de ver o blog dele).
Bom fim-de-semana, e já agora, façam desporto…

P.S. Para os que não me conhecem podia ficar a ideia que sou profissional nestas coisas do atletismo, bem pelo contrário, limito-me a participar nestas provas sem qualquer treino, e os meus tempos são modestos (o ano passado nesta prova demorei 32’30’’ para cumprir os 6,5 km.).

Livros 5:26 pm

Há pouco tempo li o livro “1984”, de George Orwell, um daqueles livros que sempre tive curiosidade em ler, e cuja leitura fui adiando, até porque tinha a certeza de que ia acabar por lê-lo.
Antes de mais, devo aconselhá-lo vivamente a todos os que ainda não tiveram a oportunidade de o ler. É um excelente livro, que retrata uma sociedade em que as liberdades individuais foram totalmente suprimidas, supostamente para garantir o bem-estar de todos, mas na verdade, com o único intuito de perpetuar o poder da classe dominante, personificada na figura omnipresente do “Grande Irmão”.
É um aviso para o que poderá ser o futuro, e em muitos aspectos para o que já é o presente, com a perda da privacidade, e os avanços tecnológicos que permitem controlar as acções dos indivíduos. Lembra-nos que quando abdicamos da liberdade para obter segurança, perdemos a liberdade e arriscamos a não obter mais segurança em troca.
Tal como “O Admirável Mundo Novo”, de Aldous Huxley, é um retrato pessimista do que o futuro e o progresso tecnológico nos reservam, transformando os homens em autênticas máquinas, sem qualquer individualidade, dado que esta é uma ameaça para quem detém o poder.
Já agora, há mais dois livros cuja temática é semelhante, e que embora ainda não tenha lido, tentarei ler nos próximos tempos. Falo de “Nós”, de Eugene Zamyatin e de “Fahrenheit 451”, de Ray Bradbury, este último a ser editado na colecção “Mil Folhas” do Público, no final de Agosto, e que poderá ser adquirido pelo simpático preço de € 4,20 (é o que eu vou fazer). Já agora, lembro-me que quando vi o filme baseado neste “Fahrenheit 451” – devia ter cerca de dez anos – adorei o filme, e está num lote dos que pretendo rever, onde incluo também o “Brazil”, realizado pelo Terry Gilliam, que vi há alguns anos atrás por influência do meu irmão e cuja inspiração é claramente o “1984”.
Espero que estes livros e estes filmes, vos ajudem a questionar o mundo onde vivemos e o rumo que ele segue.

Sociedade 12:54 am

Pelo meu último post poderiam ficar com a ideia que não gosto dos políticos. Na verdade o que eu não gosto é que me mintam, e não fico muito contente quando um primeiro-ministro (no qual não votei), eleito com a promessa de baixar os impostos, decide aumentá-los, justificando-se com o “desconhecimento da situação real das contas públicas”. Não é suposto um candidato a primeiro-ministro tentar informar-se sobre a execução orçamental, para poder saber o que promete? Penso que sim…
Felizmente nem todos os políticos são iguais, e há alguns nos quais deposito a minha confiança, se fosse possível juntá-los a todos no mesmo governo, sentiria-me mais optimista em relação ao futuro do nosso país.
Vou então deixar aqui mais um top-5, o dos políticos nos quais mais acredito. Limitei a escolha a políticos conhecidos de todos, porque de outra forma, o primeiro lugar teria de ir para um vereador de uma câmara do distrito de Leiria (que por acaso é meu irmão).
Eis então a lista:

1. Francisco Louçã
Admiro-o desde os tempos do PSR, quando falhou a eleição como deputado por escassas centenas de votos. Muito inteligente, é um orador brilhante e vê-se que se move pela força das convicções. É a alma daquele que considero o mais interessante projecto da política portuguesa actual, o Bloco de Esquerda.

2. Miguel Cadilhe
O pai do actual sistema de impostos portugueses. De reconhecida capacidade técnica, soube criticar o rumo do BCP, de que era adiministrador, antes do tempo e o mercado lhe darem razão. Como presidente da Agência Portuguesa para o Investimento, já criticou a obcessão pelo défice da ministra das Finaças, e já se percebeu que, também aqui, o tempo se encarregará de lhe dar razão. Com ele, não tenho dúvidas que há condições para o aumento do investimento em Portugal, mas preferia vê-lo como ministro das Finanças

3. José Sócrates
Na minha opinião, um dos melhores ministros dos governos de Guterres (a par de Sousa Franco e Mariano Gago).
Tem o carisma e o discurso cativante que faltam a Ferro Rodrigues.
Penso que será o próximo primeiro-ministro de Portugal (palpite arriscado).

4. Diogo Freitas do Amaral
Dos nomes avançados para candidatos às eleições presidenciais, julgo ser aquele que tem mais perfil para o cargo.
O facto de estar afastado da vida política partidária, deve impedi-lo de ter o apoio de algum dos principais partidos.

5. António Vitorino
Continua a ser avaliado como um dos melhores comissários europeus, tendo sido mesmo apontado como potencial secretário-geral da NATO.

Tentei incluir os principais partidos nesta minha escolha. Não considerei ninguém do PCP, porque acho que o partido está a passar por um momento de crise. O afastamento dos “renovadores”, foi mais um tiro no pé, de um partido que tarda em encontrar um rumo. Também não incluí ninguém do CDS-PP, embora esteja um dos seus fundadores.
Para grande pena minha, não há qualquer mulher neste top (aqui não há quotas…), o que nem é de estranhar, dado que em Portugal a política é praticamente um feudo masculino

Eu24 July 2003 11:44 pm

Nos últimos dias não tenho escrito, mas não pensem que abandono o meu blog. Foi uma semana com outras prioridades, nomeadamente arrumar livros, revistas e milhares de papéis que insisto em guardar.
É um exercício muito engraçado ler revistas antigas, vemos como o mundo está em constante mutação. Podemos encontrar declarações dos dirigentes do PSD a criticar o agora célebre Pagamento Especial por Conta, do Luis Filipe Menezes a garantir que nunca se iria candidatar à Câmara Municipal do Porto, do Durão Barroso a prometer o “choque fiscal” com a baixa de impostos se fosse eleito primeiro-ministro ou até do George Bush Jr. a garantir que o Iraque possui armas de destruição maciça. É caso para dizer, como disse uma conhecida apresentadora da SIC no outro dia, “pelo peixe, morre a boca”…

Sociedade20 July 2003 11:54 am

A propósito da Carla Bruni, lembrei-me daquele velho “mito” de que as mulheres bonitas normalmente são “burras”, e que por outro lado as mulheres mais inteligentes têm de ser feias. Talvez haja uma explicação histórica para isto, numa altura em que a única ambição das mulheres era ter um bom casamento, em que as mulheres bonitas não precisavam de se esforçar muito para o conseguir, e em que as mulheres “menos bonitas” tinham de compensar a falta de atributos físicos, com outros predicados. Outros talvez vejam isto, como uma forma de “justiça divina”, seria uma forma de a natureza equilibrar dando em beleza o que tinha tirado em inteligência e vice-versa.
Segundo este mito, nós homens, pertencemos a um de dois grupos, ou gostamos de mulheres bonitas cuja actividade intelectual mais complexa que fazem é escolher o que vão vestir cada dia, ou então, gostamos de mulheres inteligentes, mas desprovidas de qualquer beleza física.
Confesso que nunca acreditei muito neste mito, e sempre achei que a beleza não tinha nenhuma relação (seja inversa, seja directa) com a beleza. A entrevista da Carla Bruni, bem como algumas amigas, cujos nomes não vou enunciar, para que as não citadas não levem a mal, obrigam-me a concluír que, felizmente, há mesmo muitas mulheres que são simultaneamente atraentes física e intelectualmente, pelo que, ainda há uma esperança, para os que, como eu, sonham em encontrar uma mulher inteligente, bonita, sensível e já agora que cante como a Carla Bruni.

P.S. Prometo não voltar a falar da Carla Bruni nos próximos dias.

Eu, Música19 July 2003 9:45 pm

Os mais ligados à religião (ou os que viram o excelente filme, Se7en - Sete Pecados Mortais, do David Fincher), sabem que o orgulho é um dos 7 pecados mortais, um daqueles que nos pode levar direitinhos ao Inferno.
Eu já tenho a minha dose de pecados mortais com a preguiça, no entanto, tenho de confessar que senti uma pontinha de orgulho, quando hoje, ao ler o DNMais, suplemento de Sábado do “Diário de Notícias”, vi que o grande destaque era o àlbum da Carla Bruni, o mesmo de que eu tinha falado tão bem ontem.
O orgulho é tanto maior, na medida em que o DNMais tem sido, para mim, uma referência em termos musicais, e tem sido graças a ele e ao Kazaa, que tenho descoberto muita da música que ouço hoje, sem ser exaustivo lembro-me por exemplo de: Sigur Rós, The White Stripes, Múm, Röyksopp ou o álbum a solo da Beth Gibbons.
Além da crítica muito favorável ao álbum (classificado com 5, na escala de 0 a 5), ainda por cima feita pelo Nuno Galopim, um dos jornalistas musicais com mais prestígio do país, os leitores do DNMais podem apreciar a leitura de uma entrevista com a Carla Bruni, e descobrir que além de bonita, de escrever letras muito boas e de cantar bem, ela diz coisas muito inteligentes. Confesso que eu já estou apaixonado. Carla, se por acaso leres este “blog”, manda um mail, que embora o meu francês e o meu italiano não sejam muito bons, tenho a certeza que nos podemos entender, até porque a música é uma linguagem universal (e o amor também…).

TV18 July 2003 12:36 pm

A “blogosfera” tem criticado, e bem, a exploração que o Herman José fez no passado Domingo, do mais famoso deficiente mental de Portugal, o conhecido “Emplastro”, “Animal” ou simplesmente “Nando”.
Mas nada disto é recente no “Herman SIC”, a falta de imaginação, e a falta de talento como entrevistador – veja-se como comparação, as entrevistas do Jô Soares, ou as do Jay Leno – levaram o Herman a transformar o seu programa em algo, muito parecido com um circo de aberrações: veja-se a série de videntes, bruxas e similares (com destaque para a igualmente famosa “Pomba Gira”). O que se vai seguir? Provavelmente teremos como “vedetas” do programa a mulher barbuda, gémeos siameses, um homem com 3 braços e até mesmo o Homem-Elefante, se fosse vivo, teria lugar cativo no programa. Como parecem longínquos os tempos do “Herman Enciclopédia” e em que ele assumia como referências o Benny Hill e os Monty Python.
É a televisão que temos, consequência de quase todos acharem muita graça quando alguém diz um palavrão na televisão – basta pensar no sucesso do Fernando Rocha, que parece ser directamente proporcional ao número de palavrões que ele consegue proferir por minuto –, e de preferirem o riso fácil, nem que seja à custa de defeitos físicos ou mentais, ao humor inteligente, mais subtil, das boas comédias britânicas como por exemplo “Sim, Senhor Ministro”, “Allô, Allô”, “Black Adder” ou do humor americano que pudemos ver em “Seinfeld”, “Will & Grace” e tantas outras séries de boa memória.
É uma questão cultural, que não será facilmente alterada, basta pensar no sucesso das incontáveis repetições de “Os Malucos do Riso” com piadas gastas e óbvias, que a SIC insiste em manter no horário nobre, enquanto que o “Programa da Maria” da Maria Rueff, foi primeiro empurrado para horários proibitivos, acabando por ser retirado de emissão. Felizmente que a SIC-Radical (provavelmente a melhor coisa que aconteceu na televisão portuguesa nos últimos anos, a par talvez, do final dos programas do Luís Pereira de Sousa) acabou por recuperar a série, e podemos rir com os melhores sketches de humor feitos em Portugal nos últimos anos.

P.S. Que pena, ver o talento da Maria Rueff desperdiçado num programa como o “Herman SIC”.

Música 7:58 am

Não sei se conhecem a modelo italiana Carla Bruni, espero que os leitores masculinos conheçam, os mais distraidos podem carregar aqui. Então não é que a Carla Bruni, não querendo ser conhecida só como top-model, lançou um disco, totalmente cantado em francês, que se intitula “Quelq’un m’a dit” e que junta músicas simples mas bem escritas, à sua voz sexy, bem sei que qualquer cantora tem uma voz sexy a cantar em francês (até a Edith Piaf ou a Céline Dion), mas ao ouvir o álbum, parece mesmo que ela está a cantar baixinho ao ouvido, e confesso que a imagem da Carla Bruni a cantar baixinho ao meu ouvido é uma imagem muito interessante.
Depois da Sophie Ellis Baxtor, mais uma cantora para ouvir e ver…

TV 5:01 am

Depois da TVI se ter assumido como televisão pimba, com telenovelas atrás de telenovelas, mais uma edição do Big Brother anunciada, noticiários com a qualidade que já conhecemos, “Vidas Reais”, apanhados, espectáculos com os artistas oficiais da estação (os que se sujeitaram ao Big Brother e outros de qualidade semelhante), tenho saudades da televisão que tinha menos de 15% de audiência, mas passava o Seinfeld, Frasier, Causa Justa, Mad About You, Profiler, Ficheiros Secretos e tantas outras séries de qualidade inegável. E pensar que tantas vezes protestei pelos horários tardios de algumas destas séries (em especial o Seinfeld). Que saudades… Volta TVI, estás perdoada!

Música 4:54 am

…O teledisco “Seven Nation Army” dos The White Stripes. Além de gostar muito da música, gosto muito da estética visual dos The White Stripes, sempre fiéis ao branco e vermelho. Juntamente com o “Fell in Love With a Girl” dos mesmos White Stripes e o “Remind Me” dos Röyksopp, faz parte de um pequeno conjunto de telediscos que vejo frequentemente, graças ao download efectuado no Kazaa, não tendo que esperar pela sorte de os encontrar nas playlists dos canais televisivos especializados em música.

Sociedade 3:38 am

Há uns dias atrás escrevi sobre o Índice de Desenvolvimento Humano. Na altura referi que desconhecia a totalidade dos indicadores que permitiam calcular este índice. Pois bem, para os que tenham, tal como eu, curiosidade para conhecer estes indicadores, deixo-vos a página do Relatório de Desenvolvimento Humano . Os dados referem-se a 2001, e dado que o rendimento e o desemprego tiveram a evolução neste último ano que todos nós conhecemos, arrisco dizer, que na lista que considere os valores de 2003, devemos perder o 23º lugar.

Livros, Sociedade16 July 2003 8:35 pm

No ano passado, a propósito das alterações registadas na RTP, muito se discutiu o serviço público de televisão. Tenho uma opinião sobre o que deveria ser este serviço público na RTP, aquele que os portugueses terão de pagar, seja directamente através de uma taxa, seja indirectamente através de transferências do Orçamento de Estado.
Mas não é sobre o serviço público de televisão que escrevo hoje, é sobre outro, prestado por dois jornais diários portugueses, e que tem a grande vantagem de não trazer custos para o Orçamento de Estado. Falo das iniciativas que o “Público” e o “Diário de Notícias” promovem, de permitir a aquisição de livros a preços bastante acessíveis juntamente com o jornal do dia. É claro que poderá haver quem diga, na tentativa de retirar o mérito destes dois periódicos, que o objectivo foi o de aumentar as vendas, fidelizar leitores e até que os livros não estão a ser vendidos abaixo de preço de custo, pelo que o objectivo foi o lucro. Provavelmente estarão certos, mas quem disse que o serviço público implica necessariamente perder dinheiro?
Estas iniciativas permitiram, sem dúvida, aos referidos jornais aumentar as vendas, principalmente nos dias de distribuição dos livros, mas tem também contribuído para o aumento do número de leitores em Portugal. Como sei isto? Sou utilizador frequente de transportes públicos, e tenho reparado, que o número de pessoas que durante as viagens lêem livros tem aumentado significativamente, e muitas vezes os livros em causa são os das colecções referidas, em especial a “Mil Folhas” do Público, que tem o grande mérito de aliar uma edição em “capa dura” de qualidade razoável a uma excelente selecção de livros, que percorre os grandes autores do século XX. Não tenho dúvidas em afirmar que esta colecção fez mais pelos hábitos de leitura dos portugueses, do que as campanhas promovidas pelo Ministério da Cultura.
A boa notícia, é que depois de mais de 4.000.000 livros vendidos (não é gralha, são mesmo quatro milhões), o Público decidiu fazer uma 3ª série da colecção “Mil Folhas”, e vai permitir que os portugueses adquiram mais 30 excelentes obras da literatura contemporânea a preços bastante acessíveis. Por mim, já estou a pensar onde vou arranjar estantes para mais estes livros…

Música14 July 2003 2:01 am

Continuando com a viagem pelas minhas preferências, passo para uma área onde as escolhas me parecem muito mais difíceis : a música. Para quem, como eu, gosta dos mais variados géneros, não é tarefa fácil escolher o que mais me marcou. Começo pelos álbuns, até por considerar que é uma escolha mais fácil, ou deverei dizer menos difícil, para outra altura ficará a escolha das minhas músicas preferidas, em que terei que alargar o conceito, provavelmente para um top-20, mas isso ficará para depois… Tal como fiz em relação aos filmes, realço que se trata de uma escolha que tem por base a importância que estes álbuns tiveram para mim, e para a minha forma de sentir a música.


1. Nirvana - “Nevermind”, o álbum que marcou toda a geração que no início da década de 90 estava a ouvir música, um álbum com excelentes músicas, que inspirou centenas (ou milhares) de bandas. Genial.


2. Spain - “Blue Moods of Spain”, penso que dizer que este é o álbum mais depressivo que conheço, além de ser muito redutor, seria provavelmente injusto. É acima de tudo um álbum lindíssimo, com 9 belas canções, que valem pelo seu todo, em que o bom gosto está sempre presente. Podia passar horas a ouvi-lo, e já o fiz algumas vezes…


3. Rage Against The Machine - “Rage Against The Machine”, não consigo deixar de associar o álbum de estreia dos RATM à discoteca que foi, durante alguns anos, para mim e para mais alguns(felizardos), uma autêntica Meca da música dita alternativa, falo do States em Coimbra (habituei-me a designá-lo no masculino), discoteca onde ouvi pelas primeiras vezes o “Killing in the Name” ou o “Bullet in the Head”, músicas poderosas, com uma mensagem política forte, como aliás todas as outras do álbum, em que a “raiva” presente nas letras e voz do Zack de La Rocha combina na perfeição com a guitarra do Tom Morello.


4. Pixies - “Surfer Rosa”, os Pixies foram, para mim e para muitos outros, a grande banda do final da década de 80, era impensável, por isso, que eles não figurassem nesta lista. Se fosse mesmo uma lista de grupos e não de álbuns, o lugar dos Pixies não podia ser outro que não o n.º 1. O meu álbum preferido dos Pixies é este “Surfer Rosa”, uma escolha que não é partilhada pela maior parte dos fãs dos Pixies, que preferem o “Doolittle”, confesso que a escolha entre os dois não é fácil, mas temas como “Gigantic” com a voz da Kim Deal ou uma das melhores músicas de sempre “Where Is My Mind?”, música com que termina o filme Fight Club, fazem pender a minha preferência para o 2º álbum dos Pixies.


5. Sigur Rós - “()”, podia utilizar muitas palavras para descrever este álbum, dos islandeses Sigur Rós, um álbum que evoca a cada momento a paisagem vulcânica da Islândia, mas acho que uma chega: belo.

Sociedade11 July 2003 8:52 am

Um italiano de seu nome Brunetto Chiarelli, organizador de um congresso internacional de Antropologia, chegou à conclusão que o Homem europeu corre perigo de extinção. Até aqui nada de muito novo, sabemos que a nataliadade tem diminuído nos países desenvolvidos, e embora passar desta diminuíção para a extinção me pareça um passo muito grande, é um problema para o qual temos de ter atenção, nomeadamante devido a algumas das suas consequências, por exemplo, o rápido envelhecimento da população e consequente falência do nosso modelo de segurança social.
O pior é que este sr. Brunetto Chiarelli (provavelmente um dos que votou no sr. Berlusconni), não se limita a identificar o problema, mas já arranjou uma solução milagrosa. Diz ele, que a solução passa por “impor a maternidade, como se faz em relação ao serviço militar obrigatório”. Será que não há quem mande calar estes italianos ?

Eu 2:05 am

Os que me conhecem há mais tempo, sabem que fiz durante alguns anos programas de rádio numa rádio local, e embora gostasse muito de o fazer, uma dúvida me assaltava frequentemente: “será que alguém me está a ouvir ?”. Na altura eu resolvia esta dúvida, gravando os programas e oferecendo-os a alguém que eu achava que gostava de os ouvir. Mas, era muito bom, quando alguém na rua me abordava, para dizer que tinha gostado muito de ouvir determinada música. Sentia que o prazer que eu tinha quando escolhia a música, passava para os que a ouviam,
O mesmo se passa com este blog, já perguntei para quê passar as minhas ideias para a internet, será que vão ter interesse para alguém, será que entre milhares de blogs muito bem escritos e de figuras conhecidas, o meu será consultado? Espero que sim, mas quero ter a certeza disso, digam mal, digam bem, mas não me deixem a pensar “será que alguém, que não eu, lê isto?”

Já que falei nos meus programas de rádio, quero deixar uma mensagem para a pessoa que foi responsável pela minha entrada na rádio : “Um abraço Patrick, muitos parabéns

Sociedade 1:38 am

“Não tenho tempo”, esta deve ser das expressões mais utilizadas nos dias que correm. É paradoxal que ao mesmo tempo que o “progresso” nos traz micro-ondas que fazem refeições em segundos, auto-estradas que permitem fazer Lisboa-Algarve em 2 horas (ou 2,5 h cumprindo o código…), vias-verdes que permitem passar nas portagens das referidas auto-estradas sem parar, homebanking que permite fazer as mais variadas oprerações bancárias sem sair de casa, empresas que recolhem a roupa e a trazem devidamente engomada ao domícilio, e tantas outras invenções que servem para nos poupar tempo, por outro lado, cada vez mais se houve a expressão : “não tenho tempo”.
Quando comentei com algumas pessoas que estava a pensar fazer este blog, a primeira pergunta era sempre : “e tens tempo?”.
Tenho tempo e todos temos tempo, e temos de ter tempo para disfrutar as coisas boas da vida, sejam elas um pôr-do-sol, um almoço com vista para o rio, uma peça de teatro, uma conversa com uma pessoa especial, uma música que fica a tocar durante horas, uma cerveja gelada numa esplanada de verão ou um beijo que não quer terminar. Porque senão tivermos tempo para isto, não temos tempo para viver.

Havia muito mais para dizer sobre este tema, mas não tenho tempo

Cinema10 July 2003 8:29 pm

Tal como anunciado aqui vai o meu primeiro top-5, não preciso de dizer que quero receber os vossos comentários, e os vossos tops.

OS MEUS FILMES FAVORITOS

1. Fight Club
2. O fabuloso destino de Amélie Poulain
3. Tudo sobre a minha mãe
4. Memento
5. Beleza americana

Uma das coisas que chama a atenção nesta listagem, é que todos os filmes são do período entre 1999-2001. Acho que posso dizer que se trata de uma coincidência, uma vez que quando elaborei esta lista, alguns dos filmes que pre-seleccionei estavam fora deste período, por exemplo o meu favorito de infância Do céu caiu uma estrela, o clássico incontornável Blade Runner ou até o excelente 12 Macacos de 1995.
Trata-se pois de uma escolha muito subjectiva, baseada na importância que estes filmes tiveram quando os vi pela primeira vez, importância que tantas vezes dependeu do meu estado de espiríto no momento.

Eu 11:37 am

Não sei se viram o filme Alta Fidelidade. Quem viu, lembra-se que o personagem interpretado pelo John Cusack, tinha por hábito fazer o top-5 das mais diversas coisas, desde músicas a separações de namoradas.
Também eu tenho este hábito de tentar organizar os meus tops, o que nem sempre é fácil, porque há sempre a tentação de sobrevalorizar o que está mais próximo no tempo. Acho que muitos consideram o último bom filme que viram como sendo o filme da vida, o último bom livro que leram como o livro que mais os marcou e, até mesmo, a última paixão como sendo a mais arrebatadora. Lembro-me, por exemplo, de uma revista especial do jornal “Expresso”, que elegia as figuras mais importantes do século XX, e que incluía maioritariamente personalidades que se tinham destacado apenas nas últimas décadas, incluindo um homem que uns meses antes tinha assassinado os clientes de um restaurante, e do qual, certamente, poucos se lembram hoje.
Consciente da possibilidade de cometer este erro, vou deixar aqui nos próximos tempos, alguns dos meus “top-5”. Irei começar, ainda hoje, pelos meus filmes favoritos. Outros se seguirão, espero receber os vossos comentários e tops alternativos.

Sociedade 8:50 am

Nos últimos dias, a comunicação social noticiou a subida de Portugal no Índice do Desenvolvimento Humano, o país pode rejubilar por ser o 23º país mais desenvolvido do mundo. Confesso que não sei todos os critérios para determinação deste ranking, mas o que foi noticiado é que a nossa subida no ranking tem a ver com a subida do PIB per capita e com a taxa de escolarização dos jovens. Ou seja, Portugal subiu mais uns lugares no ranking, por ter aumentado o PIB per capita, mas continua a ser o país da União Europeia com a distribuição mais desigual do rendimento e por ter uma taxa de escolarização jovem próxima dos 100%, é claro que o critério não é o dos jovens que lêem livros ou jornais…
Não sei se sentem que estamos no 23º país mais desenvolvido do mundo, eu não acho, e penso que um critério que deveria ser acrescentado é o da confiança das pessoas, e esse tenho a sensação que está nos mínimos históricos…

Blogs9 July 2003 10:11 am

Depois de ontem ter sido o dia -1, eis-nos no dia 0 deste “blog” (gosto do som deste neologismo).
O objectivo é o de promover a discussão sobre os mais diversos assuntos, desde as coisas ditas importantes, até aquelas que parecendo insignificantes, são tantas vezes o “sal” da vida.
Não tenho talento literário, nem pretensões a uma carreira nesta área, mas tenho opiniões, e é isso que quero partilhar com todos os que venham até cá, esperando naturalmente que façam o mesmo.
O “clube de combate” está oficialmente aberto, e ao invés da troca de murros, como no filme que inspirou o nome deste “blog”, o que se pretende é a troca de opiniões, ideias, reflexões,…

Blogs8 July 2003 5:24 pm

Bem-vindos ao Fight Club, o mais recente “blog” português (isto deve deixar de ser verdade daqui a uns minutos…).
As 3 regras deste espaço são :

1. Toda a gente pode falar do Fight Club
2. Toda a gente pode consultar o Fight Club
3. Toda a gente pode comentar o Fight Club